Um vídeo está sendo amplamente divulgado nas redes sociais, mostrando uma avó passeando com um macaco na coleira, vestindo uma saia colorida. Enquanto alguns usuários admiram este animal exótico nas ruas de Tashkent, outros questionam a legalidade de manter e passear com animais selvagens no ambiente urbano.
O correspondente do Podrobno.uz solicitou esclarecimentos à ativista pelos direitos humanos e figura pública Elena Babenko, que se especializa em aspectos legais e éticos da manutenção de animais.
Requisitos para a manutenção de animais selvagens
A especialista enfatizou que por trás do apelo externo de tais histórias reside um complexo contexto legal. Para determinar a legalidade da situação, é necessário identificar a espécie do animal, a origem do animal de estimação e a existência de permissões para seu passeio na cidade.
Pela gravação de vídeo, pode-se supor que se trata de um representante do gênero macaco, da família dos símios, ou seja, um animal selvagem que requer um regime de manutenção especial. A base legal neste assunto está claramente definida: de acordo com as Regras de Manutenção de Animais Selvagens em Assentamentos Populosos (nº 2373, registrado pelo Ministério da Justiça em 21 de junho de 2012), a manutenção de tais animais sem autorização especial do Comitê de Ecologia, Proteção Ambiental e Mudança Climática é proibida.
A lei prevê que tais espécies devem permanecer predominantemente em zoológicos ou criadouros especializados, desde que sejam rigorosamente observadas as medidas de segurança e haja um conjunto completo de documentos. Elena Babenko observou que o domesticamento do animal não o equipara a um animal de estimação doméstico, como um cão ou gato.
Responsabilidade ética e legal do proprietário
Além dos aspectos jurídicos, a defensora dos direitos humanos enfatiza o lado ético da questão. Espécies selvagens necessitam de um ambiente de vida especificamente criado, e a responsabilidade do proprietário abrange não apenas a segurança dos pedestres, mas também o estado físico do próprio animal.
A especialista concluiu que a legislação existe, antes de tudo, para garantir o bem-estar dos próprios animais, a conservação da biodiversidade e a proteção das pessoas, prevenindo assim a transformação da fauna selvagem em 'brinquedos vivos'. No momento, não há comentários oficiais das autoridades policiais e da inspeção ambiental sobre este caso.
Ameaça à vida: exemplo da Adygea
Um fator criticamente importante é a ameaça à vida. Embora manter primatas selvagens em casas particulares possa parecer seguro, o não cumprimento de regras elementares de precaução frequentemente leva a desfechos trágicos. Um incidente chocante ocorreu em julho deste ano na Adygea, onde um primata fugido atacou mortalmente uma mulher de 84 anos e feriu gravemente seu neto de 39 anos.
A investigação estabeleceu que a família havia organizado um criadouro ilegal com dez macacos em um terreno de casa de campo. A tragédia ocorreu durante a alimentação, quando a idosa abriu o recinto, e o animal enfurecido atacou as pessoas. A mulher morreu devido aos ferimentos sofridos, e as autoridades policiais abriram um inquérito criminal pelo fato da morte acidental.
Apesar de os vídeos do passeio do primata estarem circulando nas redes sociais há vários meses, nenhuma resposta oficial da inspeção ambiental e das autoridades policiais de Tashkent foi recebida até agora.
