Ao discursar na abertura da Primeira Conferência Nacional sobre Segurança Alimentar e Nutricional sob o lema 'Segurança alimentar e nutricional: responsabilidade coletiva para o desenvolvimento de Moçambique', Chiapo afirmou que o país possui terras férteis, recursos hídricos dos rios e todas as condições necessárias para uma nutrição adequada da população e para transformar a agricultura em fonte de rendimento. Com isso, ele colocou em causa a prevalência da desnutrição, especialmente entre as crianças.
Chiapo observou que o nível de desnutrição crônica entre crianças menores de cinco anos permanece em cerca de 37% em média no país, e em algumas províncias esse indicador atinge cerca de 50%.
Diante dessa situação, o chefe de Estado levantou uma questão simples, mas decisiva: como um país com tanta terra, água, produtores e potencial pode continuar a ter tantas crianças privadas de condições nutricionais adequadas para desenvolver todo o seu potencial?
O chefe de Estado de Moçambique expressou incompreensão sobre como províncias com altos índices de produção agrícola podem registrar altos níveis de desnutrição, sugerindo que a causa reside na falta de hábitos alimentares corretos.
Ele enfatizou a necessidade de aumentar a produção, reduzir as perdas pós-colheita, melhorar o armazenamento, processamento, logística e mercados para garantir que alimentos seguros, nutritivos e variados estejam disponíveis para as famílias a preços acessíveis. Essencialmente, é necessário analisar toda a cadeia, da fazenda à família moçambicana.
O chefe de Estado almeja que a agricultura se torne cada vez mais integrada à industrialização, ao mesmo tempo em que os moçambicanos consomem produtos nacionais e os produtores são recompensados por seus esforços.
Por isso, ele exigiu que o Instituto de Grãos de Moçambique (ICM) fiscalizasse os preços do comércio agrícola, afirmando que somente assim se pode garantir um lucro maior para os agricultores. Ele declarou que o ICM deve atuar como o último comprador de produtos nacionais para que os produtores não sejam explorados por aqueles que definem os preços. Ele acrescentou que o produtor que se esforça e dedica-se por anos não recebe incentivo para produzir se o preço não for determinado pelo seu trabalho, o que constitui uma exploração factual do povo moçambicano.
Nas mesmas declarações, Chiapo apelou para acelerar a implementação da política estratégica de segurança alimentar e nutricional para o período de 2024-2030 e reduzir a desnutrição crônica entre as crianças.
Chiapo vê a transformação do sistema alimentar através do aumento da produtividade, redução de perdas, promoção do processamento, fortalecimento dos mercados e garantia de acesso a produtos verificados, seguros e nutritivos.
Ele pediu o reforço da coordenação intersetorial e a mobilização de recursos, criando condições para que investimentos governamentais, privados e a contribuição de parceiros tenham um impacto positivo na vida dos moçambicanos. Foi também mencionado que é necessário fortalecer o monitoramento da responsabilização e da prestação de contas pelos compromissos assumidos.
A conferência será concluída com uma declaração de intenções sobre medidas concretas para combater a fome e a desnutrição.

