Organizações da sociedade civil solicitam à UE legislação ambiental urgente focada em soluções baseadas na natureza
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Organizações da sociedade civil solicitam à UE legislação ambiental urgente focada em soluções baseadas na natureza

Diversas organizações da sociedade civil enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigindo que as soluções naturais sejam priorizadas na próxima proposta legislativa da Estrutura Europeia de Resiliência Climática e pedindo que Bruxelas formalize esses compromissos em lei.

Os signatários incluem grupos de agricultores, fornecedores de água, autoridades municipais, profissionais de saúde, cidadãos, além de instituições financeiras. Estes grupos argumentaram que o verão de 2026 demonstrou que a Europa não está adequadamente preparada para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Claire Baffert, representante da World Wild Fund (União Europeia) responsável pela política europeia de Água e Adaptação às Alterações Climáticas, declarou em nome dos signatários que os verões recentes provaram que a resiliência climática não pode mais ser vista apenas como um problema futuro.

Baffert lembrou que a própria Comissão Europeia já havia reconhecido o «papel vital» das soluções baseadas na natureza para proteger tanto as comunidades quanto os ecossistemas contra desastres climáticos, enfatizando a necessidade de novas leis sobre o tema.

Este apelo surgiu após um verão marcado por temperaturas máximas, com a Europa Ocidental registrando o período de junho e julho mais quente desde os registros existentes, somado a grandes incêndios florestais que destruíram milhares de hectares no continente. Os dados citados pelas organizações indicam que houve pelo menos 35 mil mortes na Europa devido às ondas de calor consecutivas, uma contagem que ainda não abrange o mês de agosto.

Dóra Drexler, presidente da IFOAM Organics Europe, defendeu que as soluções naturais são «essenciais para construir paisagens resistentes ao clima», usando a agricultura biológica como exemplo. Ela mencionou práticas como rotação de culturas, cobertura vegetal, adubação orgânica e promoção da biodiversidade, que ajudam a melhorar a estrutura do solo e sua capacidade de reter e infiltrar água.

Drexler insistiu que a Estrutura Europeia de Resiliência Climática deve dar prioridade a soluções sistêmicas e baseadas na natureza, como a agricultura biológica, e deve apoiá-las com financiamento específico e robusto. Os signatários também lembraram que Von der Leyen defendeu o fortalecimento das políticas europeias de adaptação e resiliência, afirmando em julho a eurodeputados que as soluções naturais foram cruciais no combate a secas, inundações e ondas de calor.

Na quarta-feira, durante o debate sobre o Estado da União, Von der Leyen apresentará diretrizes para o ano político. Diante disso, as organizações exigiram que as soluções apresentadas se transformem em propostas legislativas dentro da Estrutura Europeia de Resiliência Climática, cuja revisão interna na Comissão deve ocorrer antes do fim do mês.

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