A África do Sul enfrenta um grave problema de suicídio: estima-se que cerca de 23 pessoas morram por suicídio diariamente, e mais 460 tentam fazê-lo. Esses dados, fornecidos pelo South African Depression and Anxiety Group (SADAG), reforçam os apelos para que o país repense sua abordagem ao discutir suicídio e responder a pessoas em crise.
Esses números surgiram no contexto da celebração do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio na África do Sul, em 10 de setembro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pede uma mudança na compreensão e na forma de debater este problema. Este ano marca o fim do terceiro e último ano da campanha temática da OMS para 2024–2026, intitulada 'Mudança de Narrativa sobre Suicídio', com o apelo à ação 'Começar a Conversa'.
Esta campanha visa refutar mitos prejudiciais, reduzir o estigma e encorajar conversas mais abertas e compassivas sobre suicídio. Além disso, exige mudanças sistêmicas, incluindo o fortalecimento das políticas governamentais, a implementação de estratégias de prevenção baseadas em evidências e a melhoria do acesso a cuidados psiquiátricos de qualidade.
Em escala mundial, a OMS relata que mais de 720.000 pessoas morrem por suicídio anualmente, e as consequências dessa tragédia afetam não apenas o indivíduo, mas também sua família, amigos, locais de trabalho e comunidades.
Necessidade de intervenção precoce
O SADAG observa que a procura por apoio em situações de crise demonstra a dimensão do sofrimento enfrentado pelas pessoas diariamente. Cassie Chambers, diretora de operações do SADAG, enfatizou que as pessoas necessitam desesperadamente de ajuda, como evidenciam as chamadas diárias.
As linhas diretas do SADAG recebem entre 2.500 e 3.000 chamadas por dia, sendo aproximadamente uma em cada quatro chamadas sérias relacionada a suicídio. Chambers acredita que a prevenção não pode começar apenas quando a pessoa atinge um ponto crítico. Ela afirma que, para alcançar resultados significativos, é necessário ajudar as pessoas a reconhecerem sinais de alerta, para que seja mais fácil falar abertamente sobre suicídio e saber onde procurar ajuda.
Chambers acrescentou que famílias, amigos, escolas, locais de trabalho e comunidades devem entender que discutir suicídio é crucial, e perguntar diretamente sobre os problemas pode abrir caminho para obter o apoio necessário.
Apelos dos órgãos governamentais
Os órgãos governamentais também expressaram preocupação com o fardo do suicídio no país, especialmente entre os jovens. O Departamento de Mulheres, Juventude e Pessoas com Deficiência exigiu anteriormente um aumento nos investimentos em serviços psicossociais, avaliando a taxa de suicídios na África do Sul em cerca de 23,5 mortes por 100.000 habitantes.
Este departamento enfatizou a importância de criar condições onde os jovens possam discutir suas dificuldades e receber apoio antes que ocorra uma crise. O departamento declarou que a proteção do bem-estar mental dos jovens requer o compromisso de toda a sociedade, pedindo que famílias, escolas, governo, organizações religiosas e comunidades ajudem a criar um ambiente de apoio.
Além disso, a Política Nacional Geral de Saúde Mental e o plano estratégico do Ministério da Saúde para 2023–2030 também dão grande atenção à promoção, prevenção, tratamento e acesso a cuidados psiquiátricos em todo o país.
Para Chambers, um dos aspectos mais importantes da mudança de narrativa é eliminar o medo de fazer perguntas diretas sobre pensamentos suicidas. Ela salientou que perguntar diretamente sobre suicídio não aumenta a probabilidade de tentativa. O SADAG pede que as pessoas façam essa pergunta diretamente, ouçam sem julgar e incentivem a busca por ajuda profissional.
A Cipla, que colaborou com o SADAG no âmbito da campanha atual, também busca estimular conversas antes que as pessoas cheguem a uma situação de crise. Paul Miller, CEO da Cipla África, observou que, às vezes, algumas palavras podem significar mais do que parecem. Ele falou sobre o 'Stand of Hope' (Ponto de Esperança), que ajuda a compartilhar essas palavras, lembrando à pessoa que sua vida é importante e que é normal falar sobre seus sentimentos. Ele pediu que as pessoas não deixem o medo de dizer algo errado impedi-las de procurar ajuda.
À medida que o ciclo de três anos da campanha do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio se aproxima do fim em 2026, sua mensagem permanece clara: a mudança de narrativa começa superando o silêncio e facilitando o processo para que as pessoas possam reconhecer que não estão bem e saber onde procurar apoio.
Ajuda está disponível
Qualquer pessoa que esteja sob estresse emocional ou preocupada com alguém conhecido pode receber aconselhamento e apoio telefônico gratuito do SADAG. As linhas diretas da Cipla Mental Health (0800 456 789) estão disponíveis para aconselhamento gratuito 24 horas por dia, e o WhatsApp Cipla Mental Health (076 882 2775) está disponível diariamente das 08:00 às 17:00. Recursos adicionais sobre saúde mental e prevenção do suicídio estão disponíveis no site do SADAG.

