Projeto Base Rupanco: Criação de refúgio sustentável em floresta na Região de Los Lagos
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Projeto Base Rupanco: Criação de refúgio sustentável em floresta na Região de Los Lagos

A equipe de projeto descreveu a Base Rupanco como um empreendimento situado em uma floresta na Região de Los Lagos. O terreno é caracterizado por ser cortado por um rio e estar próximo à foz do lago Rupanco. Este projeto surgiu da necessidade de aprimorar uma modalidade de moradia que já era utilizada pelos proprietários.

Originalmente, os donos usavam o local apenas esporadicamente, dormindo em uma tenda montada entre as árvores. No entanto, eles necessitavam adicionar instalações sanitárias separadas, incluindo um banheiro, um vaso sanitário e um chuveiro, além de uma pequena copa destinada a apoiar encontros e atividades realizadas ao ar livre.

O projeto foi implementado na única área do terreno que apresentava um nível relativamente plano. Esta característica facilitou a concentração das intervenções em uma área limitada, minimizando assim o impacto sobre a floresta. Além disso, o programa foi integrado a um espaço aberto que funciona como uma extensão natural das atividades externas.

Considerando as dimensões reduzidas do projeto, um desafio primordial foi garantir áreas bem iluminadas sem comprometer a conexão com o ambiente circundante. A disposição dos cômodos, as aberturas e as vistas foram cuidadosamente planejadas para que a presença da floresta fosse percebida mesmo de dentro do refúgio. Neste contexto, o chuveiro foi estrategicamente colocado no final do volume e em uma elevação em relação ao solo, voltado para a paisagem e aproveitando a profundidade visual proporcionada pelas árvores.

A construção mescla uma estrutura de madeira com acabamentos externos em fibrocimento e internos em madeira. Desde o início do planejamento, houve um esforço para interferir o mínimo possível no terreno, o que resultou na redução da quantidade de fundações necessárias. Parte do projeto foi resolvida através de um balanço de cerca de noventa centímetros no corredor externo, diminuindo o contato da edificação com o chão e adaptando-se à topografia existente.

Embora o fechamento interno tenha sido concebido como um sistema leve, a estrutura do telhado foi projetada com maior resistência. Essa escolha se deve às condições naturais do local, onde a queda de galhos e até mesmo de árvores faz parte da dinâmica florestal. Assim, a cobertura não serve apenas como um elemento estrutural, mas também como um mecanismo de proteção para quem utiliza o abrigo, possibilitando a permanência no local com segurança durante todo o ano.

Em suma, o objetivo do projeto é prover as condições essenciais para permanecer na floresta sem modificar o que inicialmente atraiu a ocupação: a proximidade com a paisagem, o rio e a vivência imersiva na natureza.

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A solução arquitetônica emergiu da análise dos espaços vazios entre as árvores. Em vez de determinar a forma da construção antecipadamente, a equipe focou em mapear os locais disponíveis no terreno para entender onde a arquitetura poderia ser inserida. Essa abordagem resultou na criação de um percurso de circulação retangular e ininterrupto, que organiza a maior parte da residência em um único nível e interliga todos os setores do programa.

Apesar de ser um trajeto contínuo, a circulação adquire naturezas variadas ao longo da casa. Na zona social, ela é marcada por amplos painéis de vidro, mantendo uma conexão direta com o pátio central. Já na ala destinada aos dormitórios, a circulação se torna mais reservada, sendo protegida por paredes de concreto para oferecer maior isolamento. Perto da academia e dos quartos de hóspedes, o percurso se abre novamente, aproximando-se da vegetação e das áreas externas.

No coração da residência situa-se o principal espaço aberto do projeto: um grande pátio que abriga a área de lazer, a piscina, espelhos d'água e algumas das árvores que foram mantidas. Além disso, há vazios menores distribuídos entre os diversos ambientes, frequentemente definidos pela disposição das árvores existentes. Tais pátios acompanham os quartos, a academia, a área de hóspedes e até mesmo um banheiro, onde uma árvore grande passa a fazer parte integrante do ambiente.

Neste empreendimento, a importância dada ao que não é construído é tão relevante quanto a área edificada. O conceito de vazio assume um papel central: ele protege a vegetação, gera distintos níveis de privacidade, introduz a natureza nos espaços internos e estrutura a relação entre as múltiplas partes da casa. A residência, construída com uma estrutura mista de aço e concreto, se define nessa alternância entre áreas fechadas e abertas, fazendo com que as árvores presentes e os espaços livres sejam elementos fundamentais de seu desenho arquitetônico.

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