O projeto do edifício Costa Cabral / ATA, desenvolvido pelo Atelier Tiago Antero em colaboração com a ENTRETEMPOS, visa preencher uma lacuna na malha urbana através da construção de uma estrutura que utiliza como referência elementos, alinhamentos e princípios composicionais dos edifícios vizinhos.
Desta forma, foi projetado um edifício que se situa diretamente na fachada da rua, seguindo a morfologia dominante desta via, mas que termina no último andar, que recua. Isto garante tanto a continuidade no lado norte quanto a transição volumétrica no sul.
Considerando as dimensões do lote — estreito, mas profundo — dois elementos chave definem o seu plano e altura na parte central do edifício: entradas verticais e um hall que se estende por toda a altura do edifício.
Este hall desempenha um papel crucial na função bioclimática do projeto, pois permite a passagem de luz natural para os espaços interiores das cozinhas e casas de banho, assegura a ventilação transversal dos apartamentos e, através de portões reticulados de acesso ao subsolo, permite a entrada de ar fresco em todo o edifício.
A aplicação desta solução passiva aumenta significativamente a eficiência energética do edifício, resultando tanto na melhoria das condições de conforto de habitação como na redução da dependência de sistemas mecânicos tradicionais.
A composição das fachadas procura repensar os elementos construtivos verticais e horizontais do entorno através do uso de um único material com diferentes tipos de acabamento. No primeiro caso, são utilizadas painéis de betão pré-moldados, dispostos em diferentes planos, num 'tetris' calculado, e no segundo, betão bruto in loco para marcação de placas, varandas irregulares ou parapeitos salientes.
O rés-do-chão foi concebido para garantir a permeabilidade visual, expondo abertamente o seu espaço interior à rua.
Finalmente, a área comum é dividida em duas partes de tamanho semelhante: uma tem acesso direto a partir do rés-do-chão, e outra — através de uma passarela pedonal ao nível do piso superior —, o que representa uma estratégia de acesso mais democrática ao espaço verde.

