Projeto do edifício Costa Cabral / ATA: integração de soluções arquitetónicas e princípios bioclimáticos
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Projeto do edifício Costa Cabral / ATA: integração de soluções arquitetónicas e princípios bioclimáticos

O projeto do edifício Costa Cabral / ATA, desenvolvido pelo Atelier Tiago Antero em colaboração com a ENTRETEMPOS, visa preencher uma lacuna na malha urbana através da construção de uma estrutura que utiliza como referência elementos, alinhamentos e princípios composicionais dos edifícios vizinhos.

Desta forma, foi projetado um edifício que se situa diretamente na fachada da rua, seguindo a morfologia dominante desta via, mas que termina no último andar, que recua. Isto garante tanto a continuidade no lado norte quanto a transição volumétrica no sul.

Considerando as dimensões do lote — estreito, mas profundo — dois elementos chave definem o seu plano e altura na parte central do edifício: entradas verticais e um hall que se estende por toda a altura do edifício.

Este hall desempenha um papel crucial na função bioclimática do projeto, pois permite a passagem de luz natural para os espaços interiores das cozinhas e casas de banho, assegura a ventilação transversal dos apartamentos e, através de portões reticulados de acesso ao subsolo, permite a entrada de ar fresco em todo o edifício.

A aplicação desta solução passiva aumenta significativamente a eficiência energética do edifício, resultando tanto na melhoria das condições de conforto de habitação como na redução da dependência de sistemas mecânicos tradicionais.

A composição das fachadas procura repensar os elementos construtivos verticais e horizontais do entorno através do uso de um único material com diferentes tipos de acabamento. No primeiro caso, são utilizadas painéis de betão pré-moldados, dispostos em diferentes planos, num 'tetris' calculado, e no segundo, betão bruto in loco para marcação de placas, varandas irregulares ou parapeitos salientes.

O rés-do-chão foi concebido para garantir a permeabilidade visual, expondo abertamente o seu espaço interior à rua.

Finalmente, a área comum é dividida em duas partes de tamanho semelhante: uma tem acesso direto a partir do rés-do-chão, e outra — através de uma passarela pedonal ao nível do piso superior —, o que representa uma estratégia de acesso mais democrática ao espaço verde.

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A equipe de projeto descreveu a obra localizada no Bairro do Restelo, que consiste em um grupo de residências em banda construídas durante a década de 1950. Este conjunto urbano é caracterizado por padrões de repetição, escala doméstica e uniformidade nas fachadas.

Com o passar dos anos, muitas dessas casas sofreram diversas modificações, especialmente nas fachadas voltadas para as vias públicas, o que diminuiu a visibilidade da identidade arquitetônica original.

A intervenção proposta partiu justamente dessa análise. Enquanto a fachada frontal foi mantida e restaurada, valorizando sua contribuição para o perfil do aglomerado urbano, a fachada posterior recebeu uma linguagem marcadamente moderna.

No interior, optou-se pela demolição completa da estrutura pré-existente. O espaço habitacional foi concebido para atender às necessidades de uma família composta por cinco pessoas, exigindo otimização na disposição dos cômodos e na interação entre eles.

Paralelamente, o projeto buscou fomentar conexões e comunicação fluida entre os diversos ambientes e andares da residência. Essa ambição se manifesta em um vão vertical que percorre toda a casa, desde a área social até o telhado.

Este espaço, que segue a linha da escadaria e é banhado por luz zenital, tornou-se um componente crucial do projeto. A entrada de luz natural, que desce do topo até o térreo, acentua a continuidade espacial e transforma esse vão em um ponto de união para todos os pavimentos.

Adicionalmente, a área social foi planejada para ser adaptável aos variados momentos da rotina diária. Um plano contínuo feito de madeira integra armários, portas e painéis móveis, possibilitando aproximar ou isolar a cozinha da sala conforme a necessidade de uso. Grandes aberturas envidraçadas estendem o ambiente interno para o jardim, fortalecendo a ligação com o exterior.

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