Para o Irã, os BRICS representam não apenas uma aliança econômica, mas também um vasto mercado, bem como uma rede de rotas financeiras, comerciais e de trânsito, cuja ativação pode abrir um novo capítulo no comércio exterior do país.
De acordo com a Mehr News Agency, o Irã participa da cúpula dos BRICS na Índia em um período em que o grupo se tornou um dos centros comerciais mais importantes do Sul Global. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento relata que os volumes de exportação de mercadorias dos membros dos BRICS atingiram cerca de 6 trilhões de dólares em 2024, e as importações somaram aproximadamente 5 trilhões de dólares, com o comércio intra-grupo aumentando para 1,2 trilhão de dólares.
Esses dados demonstram que, para o Irã, os BRICS são não apenas uma união política, mas um conjunto de economias consumidoras, produtivas e exportadoras de energia de grande porte e detentoras de mercados de capitais. Em 2024, o Irã também se tornou um membro pleno do grupo, juntamente com China, Índia, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Indonésia, Brasil e África do Sul.
Na verdade, mesmo antes de ingressar oficialmente, o Irã realizava uma parte significativa de seu comércio exterior com os países membros dos BRICS. Dados publicados no boletim econômico dos BRICS mostram que as exportações alfandegárias do Irã para os países BRICS atingiram cerca de 23,7 bilhões de dólares no ano iraniano 1403 (que terminou em março de 2025), enquanto as importações desses países no mesmo período somaram aproximadamente 38,8 bilhões de dólares.
Assim, o comércio do Irã com os BRICS, embora seja uma possibilidade, já é uma parte importante da realidade econômica do país. A questão principal é até que ponto a adesão do Irã a este grupo pode mudar a qualidade desse comércio.
O problema no comércio do Irã com os países BRICS não reside apenas na busca por compradores ou vendedores; em muitos casos, a principal dificuldade está nas transferências de fundos, custos transacionais, seguros, transporte, restrições bancárias e risco de sanções. Sob esse ponto de vista, a importância da direção financeira dos BRICS para o Irã não é inferior ao aumento do volume do comércio.
Um dos temas econômicos chave na cúpula dos BRICS deste ano foi o desenvolvimento de sistemas de pagamento e a redução de atritos nas trocas entre os membros. A Índia, que preside os BRICS em 2026, promove a proposta de conexão de moedas digitais dos bancos centrais dos membros do grupo para facilitar pagamentos transfronteiriços. Este plano continua os esforços dos BRICS para aumentar a interoperabilidade dos sistemas de pagamento dos participantes.
Para o Irã, a importância desta questão é evidente. Qualquer mecanismo que possa reduzir o custo e o tempo de liquidação do comércio exterior afeta diretamente a capacidade de expandir exportações e importações. No entanto, este caminho ainda enfrenta sérios obstáculos. A Reuters relatou divergências geopolíticas entre os membros e até mesmo o rompimento das relações financeiras entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, além da necessidade de mecanismos de swap cambial para gerenciar desequilíbrios comerciais, o que dificulta a implementação de tais planos.
Portanto, as expectativas dos BRICS não devem ser a criação de uma

