O ministro da Justiça turco, Akin Gürlek, informou através da rede social X, conforme noticiado pela Efe, que foram instaurados processos judiciais contra 162 indivíduos, nove associações e 13 locais em 15 províncias do país, no âmbito da operação denominada «A minha família está segura».
Gürlek especificou que o objetivo desta operação abrange pessoas que facilitam a prostituição e suspeitos envolvidos na produção e disseminação de conteúdo obsceno acessível a crianças.
Adicionalmente, a investigação policial foca-se em alegações de movimentação financeira proveniente de «associações LGBT e que promovem a imoralidade», sendo que foi detectado o financiamento dessas atividades por meio de fundos substanciais de entidades estrangeiras.
Embora a homossexualidade seja legal na Turquia desde 1858 e a alteração de sexo seja permitida no registo civil após cirurgia, a situação tem sido marcada por ações repressivas recentes.
A associação KAOS GL, reconhecida como uma das mais antigas e respeitadas na defesa dos direitos homossexuais na Turquia, fundada em 1994, comunicou que os seus escritórios em Ancara foram alvo de buscas policiais e que mais de dez dos seus membros foram detidos em suas residências.
Em uma ação policial coordenada durante a madrugada, a polícia também realizou buscas em diversos estabelecimentos de massagem e boates localizados no centro de Istambul, enquanto as contas de muitos ativistas tiveram seu acesso bloqueado.
Em junho, as autoridades turcas já haviam bloqueado contas de ativistas e associações ligadas aos direitos homossexuais e transexuais, além de fechar um dos bares gays mais antigos de Istambul e proibir escalas de um cruzeiro com 2.700 passageiros homossexuais.
O partido islamista AKP, que governa a Turquia desde 2002, permitiu o desenvolvimento de certas liberdades civis durante sua primeira década no poder, incluindo a realização anual da marcha do orgulho gay em Istambul, sempre em um clima pacífico. Contudo, a partir de 2015, este partido proibiu essa marcha e outros protestos, intensificando o discurso contra a «imoralidade» e a «obscenidade» associadas à homossexualidade, defendendo a proteção da família.
