Namrita Sivasanker, fundadora da organização sem fins lucrativos Hope SA Foundation, sediada em Joanesburgo, declarou que sua experiência infantil com abuso moldou um compromisso vitalício em ajudar mulheres, crianças e comunidades vulneráveis. Segundo Monishka Govender, ajudar os outros para Sivasanker não é apenas um trabalho, mas um propósito de vida nascido das dificuldades e sustentado pela crença inabalável de que até o menor ato de bondade pode restaurar a dignidade e a esperança.
A diretora geral e fundadora de 52 anos da Hope SA Foundation, uma ONG de Joanesburgo, tem apoiado comunidades vulneráveis em toda a África do Sul e além em casos de desastres naturais. Sivasanker enfatizou que seu trabalho se tornou seu propósito de vida, pois sempre há pessoas precisando de ajuda, e ela sente um profundo impulso para responder quando possível.
Desde sua fundação em 2020, a organização expandiu significativamente suas atividades, incluindo programas de alimentação, ajuda em desastres, apoio humanitário, iniciativas de apoio escolar, campanhas de inverno e higiene, bem como ajuda a mulheres, crianças, famílias e idosos vulneráveis. Desde 2020, a Hope SA forneceu mais de um milhão de refeições quentes.
Da dor infantil ao propósito
Sivasanker explicou que as raízes de seu trabalho humanitário remontam à infância, quando cresceu em uma família com um pai abusivo. Na juventude, ela percebeu o que era sentir-se impotente e vulnerável. No entanto, em vez de deixar que esses eventos definissem sua vida, ela decidiu transformar sua experiência negativa em algo positivo, afirmando: "Minha experiência poderia ter me tornado amarga, mas em vez disso, decidi transformar minha dor em um propósito".
Este histórico pessoal tornou seu trabalho com mulheres e crianças vulneráveis particularmente significativo. Ela observou que muitas mulheres enfrentam violência, pobreza, traumas e circunstâncias que não escolheram. Sivasanker deseja que as mulheres saibam que suas condições atuais não devem ditar seu futuro.
No futuro, Sivasanker espera criar um abrigo ou espaço seguro onde mulheres e crianças fugindo de circunstâncias difíceis possam encontrar algo mais do que um refúgio temporário. Seu objetivo é criar um lugar onde uma mulher possa ser curada, receber apoio, conhecimento, habilidades e, finalmente, alcançar a independência financeira, ajudando-a a passar da sobrevivência para o empoderamento.
As atividades da Hope SA cobriram as áreas mais difíceis do país. Durante a pandemia de Covid-19, a organização forneceu alimentos e itens essenciais às famílias que perderam seus meios de subsistência. Mais tarde, prestou assistência em relação aos distúrbios em KwaZulu-Natal, bem como em decorrência de desastres como a explosão em Boksburg e tornados. Além disso, a organização foi à Turquia após o devastador terremoto, enviando voluntários para ajudar as comunidades locais e fornecendo sacos de dormir e artigos infantis.
No entanto, para Sivasanker, os momentos mais significativos ocorreram muito mais perto de casa. Ela acredita que o trabalho humanitário não deve se limitar a períodos de atenção pública. "Uma das coisas de que sou orgulhosa é que a Hope SA responde não apenas a crises quando todos estão olhando. Nós tentamos aparecer mesmo quando as câmeras estão ausentes", disse ela.
Levando histórias para casa
O trabalho acarreta custos emocionais. Sivasanker testemunhou fome, doenças, desespero e violência, incluindo casos de abuso infantil e pessoas pedindo comida. Essas experiências não desaparecem quando ela deixa a comunidade. Ela admitiu: "Quando você vê constantemente sofrimento, violência, fome e desespero, você não pode simplesmente desligar essas experiências ao deixar a comunidade. Você as leva para casa".
O trauma emocional que ela observou foi, por vezes, avassalador, especialmente considerando sua própria experiência infantil. "Ver crianças sendo abusadas e mulheres presas em situações difíceis dói muito para mim por causa da minha própria infância", compartilhou ela. No entanto, ela continua trabalhando, baseada em sua fé, lembrando-se dos momentos em que o apoio chega exatamente quando é mais necessário — seja uma doação de alimentos por uma empresa, a provisão de cobertores por alguém ou a contribuição de um voluntário ou indivíduo particular.
Ela vê a "graça de Deus" nesses momentos. O principal desafio para a Hope SA é o financiamento, pois a demanda por ajuda frequentemente excede os recursos disponíveis. Sivasanker observa que se 500 pessoas precisam de comida e há recursos apenas para 300, 200 permanecem famintas. Ela acredita que parcerias sustentáveis entre empresas e ONGs poderiam ajudar as estruturas humanitárias a planejar o futuro, em vez de reagir constantemente a projetos individuais.
Apesar das dificuldades, Sivasanker expressa gratidão aos doadores, corporações, organizações comunitárias, voluntários e cidadãos que apoiaram a Hope SA. O apoio vem em várias formas: dinheiro, alimentos, cobertores, água, artigos infantis, transporte e tempo.
Mais do que apenas comida
Sivasanker acredita que a ajuda humanitária deve ir além de satisfazer necessidades imediatas. "Alimentar alguém hoje é importante, mas também devemos perguntar o que podemos fazer para ajudar essa pessoa a construir um amanhã melhor", afirma ela. Essa filosofia está na base de sua visão para a Hope SA.
Ela busca expandir os programas educacionais e de desenvolvimento de habilidades da organização, continuando ao mesmo tempo os programas de alimentação, ajuda alimentar, campanhas de apoio escolar, ações de inverno e higiene, resposta a desastres e trabalho com comunidades. Seu objetivo principal permanece inalterado — criar um espaço seguro para mulheres e crianças, onde mulheres que fogem da violência possam ter acesso a aconselhamento, educação, treinamento de habilidades e oportunidades de emprego ou empreendedorismo.
"Quero ensinar às mulheres que elas não são definidas pelo que lhes aconteceu. Quero que as crianças cresçam sabendo que merecem segurança, amor e oportunidades", diz ela.
Herói desconhecido
Sivasanker não busca reconhecimento por seu trabalho. "Eu não preciso de reconhecimento. Se eu puder mudar a vida de uma pessoa, isso é suficiente para mim", declara ela. Seu critério de sucesso não é o número de refeições servidas ou projetos concluídos, mas o momento em que alguém começa a acreditar que não foi esquecido.
A história de Sivasanker serve como um lembrete de que a resiliência pode assumir muitas formas, incluindo transformar a dor pessoal em um salva-vidas para os outros. Ela lembra de uma menina pequena que um dia acreditou que estava destinada a algo maior. "Eu não quero que meu legado seja sobre quantas pessoas ajudei. Eu quero que seja sobre quantas pessoas recuperaram a esperança".
Para Sivasanker, o verdadeiro significado da Hope SA reside em preservar a esperança, uma pessoa, uma refeição e um ato de bondade de cada vez. Ela conclui: "Acredito que as mãos que servem são mãos poderosas. Não é preciso ser rico para mudar uma situação. Vamos doar, mesmo quando temos pouco, porque às vezes o menor ato de bondade pode significar muito para alguém. Juntos, podemos dar mais do que comida. Podemos dar dignidade. Podemos dar oportunidades. Podemos dar esperança. As mãos que servem são poderosas. Vamos usar as nossas para levantar outra pessoa".
