A República Democrática do Congo (RDCongo) notificou sua 17ª epidemia de Ebola, uma enfermidade altamente letal, que resultou em mais de 15.000 óbitos em África ao longo dos últimos cinquenta anos, em meados de maio, embora com um atraso significativo.
O surto teve seu início na província de Ituri, localizada no nordeste do país. Atualmente, ele está afetando áreas remotas e instáveis no leste e no norte da RDCongo, onde as equipes de saúde enfrentam dificuldades para controlar a rápida disseminação dos casos.
Nesta semana, a epidemia se expandiu para uma sétima província, o Sud-Ubangui, que compartilha fronteiras com a República Centro-Africana e Congo-Brazzaville. As autoridades congolesas registraram um total de 7.022 casos, dos quais 3.398 pessoas morreram e 1.671 se recuperaram desde o começo da epidemia.
Em comparação com o balanço anterior divulgado pelas autoridades, que contava com 3.310 mortes e 6.843 casos confirmados, o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya, informou nas redes sociais no sábado que o pico havia sido alcançado no início da terceira semana de agosto.
Muyaya também acrescentou que todos os indicadores sugerem uma redução no número de casos, destacando que dez das sessenta e uma zonas de saúde impactadas pela epidemia não registraram novos casos há pelo menos vinte e um dias. O epicentro da crise permanece sendo a província de Ituri, onde a maior parte dos casos foi identificada.
Casos de Ebola foram notificados em instituições de ensino poucos dias após o reinício das aulas, o que gerou apreensão entre pais e responsáveis pela saúde. Segundo gestores do setor educacional, que optaram por não se identificar, houve grande preocupação devido à incerteza sobre a origem familiar de cada criança e seu estado de saúde.
Angele Magani, mãe de um estudante em Bunia, capital da província, expressou seu receio à agência francesa de notícias AFP, apesar de as autoridades escolares terem oferecido tranquilização sobre as medidas sanitárias adotadas. Roger Mungimbo, um responsável escolar em Bunia, garantiu que existia uma regra obrigatória de higienização das mãos com sabão e que foram tomadas todas as providências possíveis para limitar o número de alunos a, no máximo, trinta por sala. Ele também mencionou que as crianças eram regularmente conscientizadas sobre a importância de não se tocar, não cumprimentar e lavar as mãos frequentemente.
As entidades encarregadas de responder à epidemia alertam que os recursos financeiros disponíveis são insuficientes para prover o isolamento e o acompanhamento adequados aos pacientes na RDCongo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) avaliou na terça-feira que seriam necessários mais cinco mil profissionais de saúde para lidar com a situação.
Atualmente, estão sob teste diversos tratamentos e vacinas contra o vírus Bundibugyo, agente causador do surto, visto que, até o momento, não há vacina ou tratamento aprovado para esta doença.
