Apesar de as tarifas de eletricidade na África do Sul terem aumentado em até 165% na última década, o Ministério das Finanças afirma que a eliminação do IVA sobre a eletricidade não está nos planos do governo.
O Ministério das Finanças reconhece a crescente pressão que o aumento das tarifas exerce sobre os orçamentos dos agregados familiares, mas não realizou uma avaliação especial do impacto do IVA no custo da eletricidade para residentes de baixa e média renda.
De acordo com dados da DebtBusters, os preços da eletricidade aumentaram em 101% desde 2021 e atingiram um aumento de até 165% na última década. O Ministério das Finanças declarou estar ciente desses aumentos, mas não avaliou o impacto específico do IVA nos gastos da população.
Importância da manutenção de uma ampla base tributária
O Ministério das Finanças considera que manter uma base tributária ampla é fundamental para a eficácia do sistema fiscal e que atribuir à eletricidade uma taxa zero levaria à perda de receitas. De acordo com estatísticas fiscais do ano fiscal de 2025 da Autoridade Tributária Sul-Africana, o setor de eletricidade, gás e água gerou cerca de 22,21 mil milhões de randes de IVA líquido no ano fiscal de 2024/25.
Para os agregados familiares, o IVA adiciona 150 randes a cada 1000 randes gastos em eletricidade. Por exemplo, uma família que gasta 3000 randes por mês paga 450 randes de IVA, totalizando 5400 randes por ano. Estima-se que uma casa típica de três quartos na África do Sul consuma entre 700 e 900 kWh por mês, o que custa aproximadamente 2900–3750 randes no verão, a um preço de cerca de 4,17 randes por kWh.
Adil Nchabaleng, membro do partido uMkhonto weSizwe (MK), é um dos defensores da inclusão da eletricidade na lista de bens sujeitos a taxa zero de IVA. Ele relatou que o partido levantou esta iniciativa junto ao Ministério das Finanças durante os debates sobre o aumento do IVA no ano passado. Nchabaleng enfatizou que o IVA agrava o fardo para os agregados familiares que já têm dificuldades em pagar a eletricidade e afirmou que não faz sentido taxar a eletricidade em condições de economia fraca.
Questão da tributação do IVA
Nchabaleng também questiona a cobrança de IVA sobre a eletricidade fornecida no âmbito do programa governamental de «Eletricidade Básica Gratuita», chamando-o de tributação efetiva de subsídio. Stephanie Fink, diretora executiva da Organização Contra Abuso Fiscal, não tem uma posição final sobre a eliminação do IVA na eletricidade, mas acredita que a energia «deve ser tributada, a menos que seja afirmado que é um serviço essencial e deva ser isento».
A principal dificuldade reside no impacto nas receitas do estado. Fink observou que «o estado perderá muita receita que não pode se dar ao luxo. Se fôssemos um estado eficiente, isso definitivamente valeria a pena considerar».
O Ministério das Finanças ainda não calculou o custo atual da tributação zero da eletricidade residencial para o tesouro, nem modelou alternativas, como a eliminação do IVA apenas para os primeiros 50, 100 ou 200 kWh consumidos mensalmente.
Contexto histórico da questão
A questão da redução do IVA na eletricidade remonta à introdução do IVA em 1991, quando um comité considerou a possibilidade de tributação zero para o volume básico de eletricidade, mas concluiu que o apoio aos estratos mais pobres deveria ser fornecido fora do sistema fiscal. O Ministério das Finanças reexaminou esta questão em 2007. A análise mostrou que a tributação zero da eletricidade traria benefícios desproporcionais aos agregados familiares de maior rendimento, pois consomem mais energia e, portanto, obteriam a maior parte da poupança fiscal.
Uma comissão independente que estudou a cesta de taxa zero chegou a uma conclusão praticamente semelhante em 2018, após receber propostas para incluir a eletricidade. O governo continua a depender do programa «Eletricidade Básica Gratuita» para ajudar agregados familiares carenciados. Os agregados familiares necessitados correspondentes recebem 50 kWh por mês, para o qual foram alocados 21,6 mil milhões de randes no orçamento para 2026/27 para energia básica. No entanto, o Ministério das Finanças adverte que um grupo de trabalho intergovernamental está a analisar se a alocação de 50 kWh continua a ser suficiente.

