Casa Sassi / Galeria 733: Arquitetura moderna em condomínio na Serra Gaúcha
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

Casa Sassi / Galeria 733: Arquitetura moderna em condomínio na Serra Gaúcha

A Casa Sassi, localizada em um condomínio residencial em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, ocupa um terreno duplo cercado, ao fundo, por uma área de mata nativa. O tamanho considerável do lote possibilitou que a residência fosse implantada de forma centralizada, mantendo-a afastada dos limites laterais, e direcionando as aberturas principais para a paisagem natural.

O projeto arquitetônico se estrutura como um bloco de perímetro quadrado que integra um pátio interno. Este design mescla referências da arquitetura moderna e tradicional, apresentando-as em uma linguagem contemporânea. A influência moderna é notável no rigor compositivo, na forte horizontalidade, na ausência de adornos aplicados e na clara organização dos componentes arquitetônicos.

As referências tradicionais, embora sutis, incluem o pátio interno, que evoca a domus romana e funciona como um átrio de boas-vindas, adjacente a um vestíbulo externo que guia o acesso e precede as áreas sociais. Além disso, o nível subterrâneo, cujas paredes são revestidas com pedra rústica, faz alusão aos porões das antigas moradias dos imigrantes italianos, honrando a origem familiar dos proprietários ligada à história da cidade.

A organização dos espaços segue a mesma intenção de clareza compositiva: as áreas sociais estão localizadas na parte central da casa, conectando o átrio de chegada à espaçosa varanda traseira, voltada para a mata. A ala privada, composta pelos dormitórios, está posicionada a leste, enquanto a área de serviço, a oeste, inclui a cozinha, que se relaciona com as salas através de um núcleo que define, mas não isola, esse espaço.

Essa distribuição garante uma separação nítida entre os diferentes setores da casa, sem prejudicar a fluidez dos espaços de convívio ou a interação entre o interior e o exterior. O processo de chegada evita a exposição imediata da porta, conduzindo o visitante por uma sucessão de ambientes até o átrio e as zonas sociais. Da varanda posterior, há uma transição para o jardim e a mata, enquanto o setor íntimo mantém uma posição mais reservada.

A orientação das aberturas primárias para o interior do lote assegura a privacidade dos residentes sem limitar a amplitude da conexão visual com o cenário circundante. Essa característica é particularmente relevante nos espaços sociais, onde uma grande abertura zenital permite que a vegetação seja vista além dos limites horizontais.

Do ponto de vista construtivo, foram priorizados materiais em seu estado natural, destacando-se o concreto aparente nas lajes e o aço corten nas fachadas frontal e posterior. Devido às baixas temperaturas locais, houve atenção especial ao conforto térmico, implementando paredes duplas, caixilhos com vidros isolantes e isolamento térmico nas lajes.

Na Casa Sassi, a interação com a paisagem é definida menos pela transparência total e mais pela maneira como as aberturas, os caminhos e os enquadramentos visuais são organizados. A mata é um elemento constante nos principais espaços sociais, e a disposição dos cômodos e os variados níveis de abertura conseguem preservar tanto a privacidade quanto o bem-estar dos moradores. Assim, a ampla conexão com o exterior não anula os limites inerentes à habitação, mas sim contribui para estabelecer seu caráter doméstico.

Histórias semelhantes

Projeto arquitetônico da Maison Bellon Camprubi e R2A Architectes em vila com foco em sustentabilidade
Leia mais
archdaily.com.br

Projeto arquitetônico da Maison Bellon Camprubi e R2A Architectes em vila com foco em sustentabilidade

A equipe de projeto descreveu o conceito da Maison Bellon Camprubi / R2A Architectes como uma residência adaptável situada em um pequeno vilarejo localizado em uma encosta. O lote, estreito e inclinado, aproveita um antigo vinhedo voltado para o Sul, especificamente em direção ao Vale de Anniviers.

Este projeto foi concebido para ser uma casa familiar flexível, com potencial para se transformar em uma moradia multigeneracional, acomodando tanto uma família quanto um casal de aposentados. Um aspecto central do design é o uso da madeira como material construtivo sustentável.

O acesso à propriedade ocorre pela parte superior. De uma perspectiva aérea, a casa apresenta-se como um bloco discreto e silencioso, revestido em madeira escura, evitando qualquer projeção ou detalhe supérfluo. A entrada é marcada por uma passarela, conferindo à casa uma autonomia em relação ao terreno, parecendo um monólito sóbrio e quase fechado.

A articulação do projeto acontece no corte do terreno, que funciona como a matriz principal. A edificação não rejeita a topografia, mas sim se integra a ela, esculpindo patamares internamente e desdobrando-se no corte. Os diferentes níveis são sucessivos, e os espaços de convívio e acessos estão organizados em estratos, criando uma paisagem interna composta por patamares que oferecem distintas relações com o solo, a iluminação e a vista.

O projeto adota uma dimensão piranesiana, movendo-se por sequências em vez de meros cômodos. As alturas variam, transformando os patamares em mirantes internos, e o enquadramento visual se altera a cada mudança de nível. Embora as aberturas possuam formatos genéricos, cada uma é específica em sua função, servindo para enquadrar, direcionar e selecionar a visão. A disposição das fachadas é uma decorrência direta dessa complexidade interna, e não uma imposição externa.

O trajeto culmina em um pátio localizado no telhado, que funciona como um ponto de observação privilegiado, proporcionando tanto privacidade quanto vistas espetaculares voltadas para o sul e para o oeste. A escada transcende a função de simples circulação, sendo o elemento arquitetônico essencial que permite à residência evoluir, facilitando a transição de uma casa de um quarto para uma de dois, conforme as necessidades familiares mudam.

O espaço multifuncional no piso térreo, que possui acesso independente ao exterior, foi planejado para se tornar, quando necessário, a área social de um apartamento autônomo. A concepção geral da casa visa garantir sua durabilidade ao longo do tempo.

O projeto implementa integralmente sua lógica estrutural. Uma estrutura autoportante de madeira está firmemente assentada sobre uma base de concreto que se adapta à topografia, assegurando a estabilidade de todo o conjunto. A madeira não é apenas um revestimento; ela constitui o próprio sistema estrutural. As seções foram calculadas sem excessos, mantendo as juntas claramente visíveis, revelando a estrutura sempre que é possível, sem artificiosidade.

A base mineral tem a função de absorver a umidade do solo e armazenar inércia térmica. Em contraste, a estrutura superior, mais leve, prioriza a rapidez de construção e a reversibilidade. Internamente, o concreto aparente define o espaço, enquanto a madeira clara introduz calor e tato. Os pisos de concreto polido unem a qualidade mineral da base com a suavidade da madeira, estabelecendo uma coerência entre dois materiais e dois tempos distintos.

A casa foi desenhada com uma estrita economia de materiais, eliminando camadas desnecessárias: as superfícies são mantidas brutas ou semiacabadas, a madeira permanece exposta e o concreto é lixado. O exterior revestido e escurecido foi escolhido para desenvolver pátina com o passar do tempo, dispensando manutenção constante. A água pluvial é infiltrada diretamente no lote, retornando ao solo de origem.

Os ganhos solares passivos, aliados ao volume compacto e à massa térmica da base, minimizam drasticamente a demanda por aquecimento. Adicionalmente, a estrutura de madeira é amplamente desmontável, utiliza materiais não compostos e resulta em uma pegada de carbono reduzida, considerando desde o início as condições para sua própria evolução e reversibilidade.

Popular