Irã consulta membros do BRICS para simplificar adesão ao Novo Banco de Desenvolvimento
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Irã consulta membros do BRICS para simplificar adesão ao Novo Banco de Desenvolvimento

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que Teerã está realizando consultas com outros países do BRICS com o objetivo de remover obstáculos e facilitar sua adesão ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Isso ocorre no âmbito da busca de Teerã por um acesso mais amplo a financiamento multilateral e canais financeiros alternativos através deste bloco de economias em desenvolvimento.

Durante uma reunião com seus colegas em Nova Delhi na sexta-feira, Araghchi declarou que o Irã está negociando com os membros do BRICS para promover seu pedido de adesão a este banco de desenvolvimento. De acordo com relatos dessa reunião, Araghchi mencionou a existência de alguns obstáculos criados por certos países e informou que as consultas estão sendo realizadas para resolver questões acumuladas e auxiliar no processo de adesão do Irã.

A tentativa do Irã de ingressar no NBD coincide com o reforço da ênfase de Teerã no BRICS como plataforma para expandir o comércio, os investimentos e a cooperação financeira fora das instituições tradicionais dominadas pelo Ocidente. Araghchi também destacou a importância da cúpula dos líderes do BRICS e dos debates econômicos que ocorrem paralelamente a ela. Ele mencionou que o Conselho de Negócios do BRICS foi estabelecido na sexta-feira e comentou sobre os discursos do presidente russo Vladimir Putin e do primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Além disso, Araghchi relatou que os comentários do presidente iraniano Masoud Pezeshkian sobre a expansão do uso de moedas nacionais e locais no comércio entre os membros do BRICS atraíram grande atenção. Atualmente, Araghchi está em Nova Delhi junto com o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro da Economia Ali Madanizadeh para participar da cúpula dos líderes do BRICS e reuniões relacionadas.

A promoção ativa do uso de moedas nacionais tornou-se um elemento cada vez mais importante da diplomacia econômica do Irã, à medida que o país busca reduzir sua vulnerabilidade a restrições financeiras e canais de pagamento suscetíveis a sanções.

O que é o Novo Banco de Desenvolvimento?

O Novo Banco de Desenvolvimento é um banco de desenvolvimento multilateral fundado por cinco membros originais do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — em 2015. Sua missão é mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em mercados emergentes e países em desenvolvimento, complementando as instituições de desenvolvimento regionais e multilaterais existentes.

A sede do NBD está localizada em Xangai, e ele ultrapassou os cinco fundadores. Entre os membros atuais do banco, além dos cinco países fundadores, estão Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia e Uzbequistão. O Uzbequistão se tornou o décimo membro do banco em junho de 2026 e o primeiro país da Ásia Central a aderir a esta organização.

O banco financia projetos em áreas como transporte, energia limpa, abastecimento de água e saneamento, infraestrutura digital, habitação e outras formas de infraestrutura social e econômica. Seu objetivo declarado é suprir o déficit de financiamento nas economias em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que apoia o desenvolvimento econômico sustentável. De acordo com dados do banco, o NBD possui classificações de crédito internacionais AA+ pela S&P, AA pela Fitch e AAA pela JCR.

Para o Irã, a adesão pode proporcionar acesso a uma fonte adicional de financiamento para o desenvolvimento, bem como criar oportunidades para uma participação mais estreita nos mecanismos financeiros do BRICS. Isso também está alinhado com a aspiração mais ampla de Teerã de expandir laços econômicos com parceiros não ocidentais e desenvolver alternativas aos canais financeiros afetados pelas sanções dos EUA e da Europa.

Um Bloco Econômico em Crescimento

O BRICS transformou-se de um grupo inicial composto por Brasil, Rússia, Índia e China em um fórum mais amplo do Sul Global. A África do Sul juntou-se em 2011, e em 2024, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se juntaram ao grupo. A Indonésia se tornou oficialmente um membro pleno em janeiro de 2025, elevando o número total de participantes do BRICS para 11.

O grupo funciona como uma plataforma de coordenação política e diplomática, e não como uma organização internacional tradicional com tratado constitutivo, orçamento próprio ou secretariado permanente. As decisões entre os membros plenos são tomadas com base no consenso. O peso econômico do bloco aumentou significativamente: de acordo com fontes do BRICS, os países membros representam cerca de metade da população mundial e aproximadamente 39% do PIB mundial.

A crescente influência econômica do BRICS, combinada com a concentração de grandes produtores de energia, exportadores de matérias-primas, fabricantes e algumas das economias de crescimento mais rápido do mundo, tornou o BRICS uma plataforma cada vez mais importante para discutir questões de comércio, investimento, financiamento do desenvolvimento e sistema monetário internacional. Para o Irã, obter um lugar no NBD significará mais do que apenas acesso a mais um credor de desenvolvimento; isso aprofundará a participação institucional do país na arquitetura financeira em formação em torno do BRICS, enquanto Teerã procura maneiras de diversificar suas fontes de capital, expandir o comércio em moedas nacionais e reduzir a vulnerabilidade de suas relações econômicas externas às restrições financeiras ocidentais.

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O presidente do Irã, Masoud Pejeschyan, que chegou à Índia para participar da cúpula do BRICS, deu uma entrevista exclusiva ao veículo 'Aaj Tak'. Na conversa com Gita Mohan, editora de assuntos externos do India Today Group, ele criticou duramente a política dos Estados Unidos.

Pejeschyan afirmou que um dos objetivos do BRICS é combater a tendência iniciada pela América, que lhe permite impor sanções unilateralmente contra quaisquer países. Em sua opinião, o objetivo desta cúpula com a participação de grandes potências mundiais como China, Índia e Rússia é eliminar essa abordagem unilateral.

O presidente iraniano enfatizou que a missão do BRICS é resistir ao arbítrio e às decisões unilaterais da América. Ele observou que os países membros do BRICS podem apoiar uns aos outros em diversas questões, incluindo investimentos conjuntos e ajuda mútua.

Pejeschyan também indicou que atualmente a América mantém todos os países dependentes do dólar americano. Portanto, estão sendo feitos esforços constantes para reduzir e eliminar gradualmente essa dependência do dólar americano, embora tenha esclarecido que alcançar o estado ideal exigirá tempo. Ele acrescentou que uma das tarefas da cúpula do BRICS é prevenir que o mundo se torne unipolar.

Sobre os laços com a Índia, Masoud Pejeschyan notou sua melhoria contínua e mencionou os antigos laços culturais entre Irã e Índia. Esta viagem à Índia foi a primeira participação de Pejeschyan na cúpula do BRICS após assumir o cargo de presidente. A visita ocorre em meio à retomada dos ataques entre EUA e Irã após uma breve pausa nos combates que duraram a maior parte de agosto.

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um apelo aos membros do BRICS no Fórum Empresarial de Nova Deli na sexta-feira. Ele recomendou enfaticamente aumentar a aplicação de moedas nacionais nas operações comerciais, fortalecer a interação financeira e construir laços econômicos mais resilientes entre os estados participantes. Ao mesmo tempo, alertou que a segurança econômica é inseparável da segurança nacional e regional.

Ao discursar no fórum, Pezeshkian enfatizou que o verdadeiro poder da união só se manifestará quando o potencial econômico de seus membros for transformado em redes práticas de comércio, investimento e financiamento. Ele salientou a necessidade de passar 'da cooperação potencial para a cooperação operacional'.

O presidente observou que a estabilidade econômica não é possível sem a diversificação das fontes de financiamento, parceiros comerciais e mecanismos de pagamento. Ele lembrou que o Irã tem enfrentado amplas sanções por muitos anos, que nos últimos meses entraram em uma 'fase muito difícil e perigosa' devido à agressão militar dos EUA e Israel contra a República Islâmica.

Pezeshkian acrescentou que essa agressão, juntamente com seus custos humanos e materiais, demonstrou novamente uma verdade fundamental: 'A segurança econômica não está separada da segurança nacional e regional. Quando o sistema comercial, energético, de infraestrutura ou financeiro de um país é submetido a pressão político-militar, suas consequências vão além desse país e afetam a região e até a economia mundial'.

O presidente iraniano declarou que o crescente uso de instrumentos econômicos para exercer pressão política, bem como a incerteza geopolítica e as interrupções nas cadeias de suprimentos, complicaram o cenário econômico global. Ele pediu que o BRICS desenvolva mecanismos que impeçam qualquer país de violar o comércio legítimo através da monopolização de instrumentos financeiros ou tecnológicos.

Da cooperação fragmentada à infraestrutura comercial integrada

Pezeshkian apelou por uma mudança de paradigma 'da cooperação fragmentada para a integração gradual da infraestrutura comercial' dentro do BRICS. Ele propôs reforçar a digitalização e a integração dos procedimentos alfandegários, eliminar barreiras administrativas e regulatórias, expandir os mercados transfronteiriços e facilitar os investimentos privados conjuntos.

Além disso, defendeu uma cooperação mais estreita em padronização, para que o BRICS possa passar do comércio de commodities para a criação de cadeias de valor integradas e produção industrial conjunta. Caracterizando a segurança alimentar e energética como 'dois pilares fundamentais da segurança econômica', Pezeshkian afirmou que o Irã, com suas vastas reservas de energia e posição geográfica estratégica, está pronto para atuar como parceiro estratégico nas cadeias de suprimentos de energia, alimentos e transporte do BRICS.

Moedas nacionais e o fortalecimento do 'Novo Banco de Desenvolvimento'

Pezeshkian classificou a expansão do uso de moedas nacionais no comércio intra-bloco como um dos passos mais importantes. Ele enfatizou que isso deve ser acompanhado por mecanismos de gestão de riscos cambiais, pois 'o sistema financeiro atual, devido à concentração em um número limitado de moedas, é vulnerável a turbulências políticas'.

Para transformar a cooperação comercial em investimentos reais, ele sugeriu que o Novo Banco de Desenvolvimento se torne a principal fonte de financiamento para projetos de infraestrutura e energia por meio de linhas de crédito especiais, financiamento em moeda local e garantias para atrair investimentos privados.

Em uma das propostas mais concretas, Pezeshkian iniciou a criação de uma empresa de resseguro conjunta do BRICS com capital inicial de 10 bilhões de dólares americanos. Esta empresa deverá cobrir os riscos associados a grandes projetos de energia e infraestrutura, aumentando assim a confiança do setor privado.

Inteligência Artificial e Economia Digital

Ao abordar novas tecnologias, Pezeshkian afirmou que o BRICS 'não deve ser apenas um consumidor de tecnologia', mas deve participar da criação de conhecimento e do desenvolvimento de padrões da economia digital. Além disso, é necessário fortalecer a cibersegurança da infraestrutura crítica em meio à 'transformação fundamental da economia mundial impulsionada pela inteligência artificial'.

De fórum de diálogo a mecanismo executivo

Ele pediu que o Conselho de Negócios do BRICS se transforme de um palco de diálogo em um mecanismo executivo de interação econômica. Os grupos de trabalho devem desenvolver projetos concretos e mensuráveis, baseados em indicadores como o crescimento do comércio intra-bloco, a participação de moedas nacionais no comércio e o volume de investimentos privados.

Pezeshkian concluiu seu discurso expressando a disposição do Irã em se tornar um elo econômico importante na estrutura do BRICS, graças à sua localização estratégica e recursos energéticos, e a vontade de trabalhar com todos os membros por uma economia mundial mais aberta, sustentável e justa. Ele concluiu que 'acreditamos que o BRICS se tornará uma força real na economia mundial quando nossa cooperação for visível em contratos, fábricas, portos e na vida econômica das pessoas dos países membros'.

Antes de viajar para Nova Deli para participar da 18ª Cúpula do BRICS, Pezeshkian descreveu o bloco como uma plataforma vital para o diálogo com as grandes potências e para a expansão da cooperação econômica, comercial, industrial e científica entre os estados-membros. Ele enfatizou que o BRICS serve como uma ferramenta importante para fortalecer o multilateralismo nas relações internacionais, fornecendo valiosas oportunidades para consultas bilaterais e multilaterais com a participação da China, Rússia, Brasil, Índia e outros países regionais.

Pezeshkian observou que atualmente o BRICS conta com 21 membros — 11 membros plenos e 10 parceiros oficiais, conhecidos como BRICS Plus. Esses países representam mais de 45% da população mundial e cerca de 35% do território mundial. Ele definiu a oposição à abordagem unilateral e a garantia da manutenção da independência dos países ao expandir as ligações comerciais como um dos principais objetivos do bloco, acrescentando que a cúpula deste ano se concentra na solidariedade, sustentabilidade, resiliência e inovação.

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