Presidente do Irã Pezeshkian fortalece laços econômicos e busca alternativas financeiras na cúpula do BRICS
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Presidente do Irã Pezeshkian fortalece laços econômicos e busca alternativas financeiras na cúpula do BRICS

Durante sua participação na cúpula do BRICS em Nova Deli, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, intensificou a diplomacia bilateral com membros chave do grupo. Ele realizou uma série de encontros com líderes da Índia, Malásia, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. O objetivo do Irã é expandir os laços comerciais e promover mecanismos financeiros menos suscetíveis à pressão ocidental.

Pezeshkian se reuniu com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi na sexta-feira e, no sábado, conduziu negociações adicionais com o primeiro-ministro da Malásia Anwar Ibrahim, o primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali, a presidente da Índia Droupadi Murmu e o Sheikh Khaled bin Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi.

Em conjunto, esses encontros demonstram as prioridades econômicas e diplomáticas do Irã dentro do BRICS: expansão do comércio bilateral, fortalecimento dos laços com economias em desenvolvimento e países vizinhos, aumento do uso de moedas nacionais no comércio e desenvolvimento de canais de pagamento alternativos, o que pode reduzir a dependência de sanções e instituições financeiras controladas pelo Ocidente.

Essa abordagem está alinhada com a direção das discussões do BRICS em Nova Deli. A última declaração do grupo enfatiza mais o alívio dos pagamentos transfronteiriços e liquidações em moedas nacionais, mas não apela para a criação imediata de uma moeda comum do BRICS.

Índia: Expansão do Comércio e Cooperação Econômica Estratégica

O encontro de Pezeshkian com Modi na sexta-feira concentrou-se no fortalecimento da cooperação bilateral e multilateral. O presidente do Irã enfatizou a importância da interação econômica e financeira entre os membros do BRICS, bem como a necessidade de continuar a implementação de acordos estratégicos entre Irã e Índia.

Pezeshkian observou que as numerosas semelhanças históricas e econômicas entre Irã e Índia podem servir como uma base sólida para a expansão das relações bilaterais, e apelou para um uso mais ativo do potencial econômico de ambos os países.

Este encontro ocorreu em um momento em que a Índia busca equilibrar seus relacionamentos com Irã, Rússia, países do Golfo Pérsico e potências ocidentais. Modi assegurou a Pezeshkian o compromisso da Índia com o diálogo e a diplomacia na resolução de disputas regionais, além de sublinhar a importância de manter a paz e a estabilidade na Ásia Ocidental, incluindo a segurança da navegação e do comércio.

No sábado, Pezeshkian também se reuniu com a presidente Droupadi Murmu, destacando a necessidade de planejamento estratégico para aprofundar as relações e utilizar de forma mais eficaz o potencial econômico dos dois países. Por sua vez, Murmu declarou que a Índia valoriza muito o fortalecimento dos laços com o Irã e considerou a visita de Pezeshkian significativa, notando que esta era sua primeira viagem à Índia em oito anos.

Para Teerã, a Índia é importante não apenas como uma grande economia do BRICS, mas também como um antigo parceiro econômico com quem o Irã tentou desenvolver comércio, transporte e conexões, apesar das sanções.

Malásia: Fortalecimento dos Laços Comerciais e Econômicos

Durante o encontro com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, Pezeshkian enfatizou a necessidade de fortalecer as relações entre Irã e Malásia, discutindo laços bilaterais, eventos regionais e questões de interesse mútuo.

Pezeshkian apresentou o conflito regional mais amplo como um obstáculo à cooperação entre países muçulmanos e vizinhos, afirmando que o Irã busca a paz, o respeito aos seus direitos e a remoção de «sanções injustas». Anwar expressou apoio a relações mais estreitas com o Irã, especialmente nas áreas de comércio, economia e educação. Ele também elogiou a resiliência do governo e do povo iraniano e reiterou a posição da Malásia contra ataques à integridade territorial e soberania do Irã.

Do ponto de vista econômico, este encontro é de grande importância, pois a Malásia oferece ao Irã um caminho adicional para expandir as relações comerciais com uma grande economia muçulmana asiática fora de seu círculo imediato.

EAU: Canal de Alto Nível com Vizinho Chave do Golfo Pérsico

O encontro de Pezeshkian com o Sheikh Khaled bin Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, foi um dos encontros bilaterais mais politicamente significativos de Pezeshkian em Nova Deli. Este encontro reuniu altos funcionários iranianos e emiradenses em um período em que as relações entre Teerã e Abu Dhabi estavam afetadas por tensões regionais mais amplas.

Apesar disso, ambas as partes mantiveram interesse no diálogo, na estabilidade regional e na interação econômica. Este encontro também tem um significado mais amplo no âmbito do BRICS, visto que Irã e EAU são membros deste grupo, apesar das divergências sobre segurança regional e suas relações com os Estados Unidos.

Segundo a Reuters, ambas as partes apoiaram a declaração do BRICS, que apela pela máxima contenção na Ásia Ocidental, e o encontro entre Pezeshkian e Khaled foi o contato de mais alto nível entre Irã e EAU desde o início do conflito atual. Para Teerã, manter canais de comunicação com os vizinhos do Golfo Pérsico é um elemento importante de seus esforços mais amplos para fortalecer os laços econômicos regionais e prevenir que divergências políticas se tornem barreiras permanentes para o comércio e investimento.

Etiópia: Expansão da Presença Econômica Africana do Irã

Pezeshkian também se reuniu com o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, que elogiou a resistência, a resiliência e o patriotismo do povo iraniano e expressou o interesse da Etiópia em estudar a experiência do Irã. Ambos os líderes discutiram a expansão das relações bilaterais, incluindo intercâmbio econômico e cultural. Abiy observou que a Etiópia já mantém laços econômicos e culturais extensos com países vizinhos do Irã e expressou o desejo de desenvolver uma interação semelhante diretamente com Teerã.

Entretanto, Pezeshkian enfatizou a importância de relações econômicas mais fortes entre os membros do BRICS, afirmando que uma cooperação financeira e econômica mais profunda pode contribuir para o desenvolvimento de todos os países membros. Este encontro se encaixa nos esforços mais amplos do Irã para usar o BRICS como plataforma para expandir laços econômicos com países da Ásia, África e Sul Global em geral.

BRICS como Plataforma Econômica e Financeira

A intensa diplomacia bilateral de Pezeshkian em Nova Deli vai além de uma série de encontros políticos isolados. Ela reflete o desejo de transformar a participação do Irã no BRICS em parcerias econômicas práticas. Para Teerã, este grupo oferece uma base para expandir o comércio com grandes economias em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que explora maneiras de reduzir a vulnerabilidade do comércio externo a sanções, restrições de canais bancários tradicionais e dependência da infraestrutura financeira ocidental.

O Irã defendeu repetidamente o uso mais amplo de moedas nacionais no comércio entre os membros do BRICS, bem como mecanismos de pagamento diversificados. Na cúpula, Pezeshkian afirmou que a expansão do uso de moedas nacionais é um dos passos mais importantes para o grupo. A AP relatou que o Irã também insiste em mecanismos destinados a diminuir a dependência do bloco dos sistemas financeiros ocidentais.

A importância desta agenda vai além do Irã. Os países do BRICS representam uma parcela substancial da população e do volume econômico mundial, e seus membros possuem grandes capacidades energéticas, de produção, agrícolas, tecnológicas e financeiras. Sua capacidade de aumentar o comércio em moedas locais e criar acordos de pagamento transfronteiriço mais eficientes pode reduzir gradualmente os custos de transação e limitar a influência das restrições financeiras unilaterais.

No entanto, a abordagem atual do BRICS é gradual, e não uma tentativa repentina de substituir o dólar. As discussões em Nova Deli concentraram-se na simplificação, aceleração e redução de custos das liquidações em moeda local, bem como na melhoria da compatibilidade dos sistemas de pagamento e de mensagens dos membros.

Para o Irã, que enfrenta amplas restrições de acesso aos canais financeiros internacionais, tais mecanismos têm um valor estratégico adicional. Eles podem proporcionar mais oportunidades de comércio e investimento com países dispostos a fazer negócios fora dos canais financeiros ocidentais tradicionais.

De Contatos Diplomáticos à Arquitetura Econômica

Os encontros de Pezeshkian em Nova Deli são, portanto, parte de uma estratégia iraniana mais ampla: fortalecer as relações bilaterais, expandir o comércio com economias em desenvolvimento, aprofundar a integração econômica regional e apoiar mecanismos financeiros que concedem maior autonomia aos países em desenvolvimento.

O foco não está necessariamente em substituir o dólar imediatamente, mas em criar opções adicionais para comércio e investimento — por meio de moedas nacionais, canais de pagamento alternativos, conectividade regional e instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS. A cúpula em Nova Deli proporcionou ao Irã a oportunidade de realizar todos esses objetivos simultaneamente: interagindo com grandes economias asiáticas, como Índia e Malásia, mantendo o diálogo com um vizinho chave do Golfo Pérsico, como os EAU, expandindo sua presença africana através da Etiópia e trabalhando no âmbito do BRICS para promover um sistema econômico internacional mais diversificado.

Neste sentido, a diplomacia bilateral de Pezeshkian durante a cúpula representa um esforço para transformar a participação do Irã no BRICS de uma afiliação política em uma plataforma prática para comércio, investimento e maior resiliência financeira.

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