A inflação no Irã transformou-se em um problema econômico complexo e multifacetado, que não pode ser resolvido com uma única ferramenta ou solução política simples. Economistas entrevistados pela IRNA afirmam que reprimir os preços, restringir a demanda ou focar exclusivamente em instrumentos monetários, como controle de liquidez ou taxas de juros, não levará à ruptura do ciclo inflacionário.
O controle da inflação só é possível quando o regulador gerencia simultaneamente o mecanismo de criação de dinheiro, direciona recursos financeiros para a produção, previne choques de oferta e protege o poder de compra dos grupos vulneráveis, evitando ao mesmo tempo o surgimento de uma nova onda de inflação.
Após décadas de inflação que acompanharam a economia iraniana, este problema não pode ser explicado apenas pelo aumento da massa monetária ou da demanda. Além dos fatores políticos, sanções e condições de bloqueio, a combinação de desequilíbrios nos setores monetário, cambial, fiscal, comercial e na oferta tornou o aumento dos preços um dos problemas mais persistentes e dolorosos para os domicílios.
Neste cenário, o regulador não enfrenta uma escolha simples entre aumentar as taxas ou controlar a liquidez; ele precisa gerenciar simultaneamente o comportamento dos bancos, o déficit orçamentário, os fluxos cambiais, a repatriação das receitas de exportação, a fuga de capitais, o fornecimento de bens essenciais e o poder de compra da população.
O artigo enfatiza que o sucesso da política antiinflacionária se torna evidente quando o 'cavalo indomável' da inflação está sob controle. No entanto, conter a inflação não significa uma queda imediata nos preços; significa que o regulador assumiu o controle do processo de geração de inflação e desacelerou seu ritmo. A recente desaceleração da inflação em dois meses, refletida nas estatísticas do Banco Central, gerou esperança de melhorias nos próximos meses. Contudo, esse sucesso foi alcançado através do gerenciamento da liquidez e da política rigorosa do Banco Central, que exige que os bancos cumpram a disciplina monetária e evitem a criação de dinheiro.
A análise das opiniões dos economistas mostra que a receita para conter a inflação reside na combinação de disciplina fiscal e monetária, controle dos balanços bancários, gestão das taxas de juros interbancárias, direcionamento de crédito para setores produtivos, fortalecimento da oferta, estabilização da política cambial e comercial, bem como apoio direcionado aos segmentos menos abastados da população.
A implementação de tal pacote requer ações coordenadas entre o governo e o Banco Central, bem como a exclusão de medidas temporárias e contraditórias.
Os especialistas concordam que a inflação no Irã nos últimos anos está mais enraizada em choques de oferta causados por guerras, sanções e escassez de recursos produtivos, e não na impressão de dinheiro ou no aumento da liquidez. Kamran Naderi, professor universitário, afirma que o choque de oferta causado pela guerra não pode ser contido pela política monetária. Quando o bloqueio marítimo interrompe o comércio, as matérias-primas não podem ser importadas e os bens essenciais e o petróleo não podem ser vendidos, o que inevitavelmente leva ao aumento dos preços. Mesmo que o Banco Central controle as taxas de juros, essa inflação estrutural persiste.
O analista econômico Majid Shakeri compartilha o mesmo ponto de vista. Por exemplo, no setor de abastecimento alimentar, é necessário considerar tanto a importação quanto a pressão do bloqueio e das sanções. Portanto, ter uma resposta ao bloqueio — seja econômica ou militar — é, por si só, uma resposta correta à inflação. Essas opiniões demonstram que as políticas monetárias, incluindo o controle dos balanços bancários ou das taxas de juros, são apenas parcialmente eficazes; outras medidas econômicas devem ser aplicadas.
O especialista econômico Hassan Hassan-Hani, enfatizando os choques de oferta, observa que a economia enfrenta uma recessão e capacidade produtiva ociosa, enquanto muitas unidades de produção operam abaixo da capacidade real. Na sua opinião, a principal fonte de inflação são os choques. Os problemas que impedem o fornecimento de recursos produtivos e bens têm um impacto significativo na inflação. O professor universitário Morteza Ezati adverte que, se a política for conduzida incorretamente e os bens se tornarem escassos no mercado, a inflação aumentará drasticamente novamente.
A inflação no Irã transcendeu há muitos anos um fenômeno puramente monetário; hoje é um problema multifacetado. A primeira questão no desenvolvimento da política é se uma ferramenta específica — como o aumento das taxas de juros ou a restrição ao crescimento dos balanços bancários — pode combater a inflação e parar o aumento dos preços. Majid Shakeri insiste que, para conter a inflação, é preciso primeiro entender seus componentes. A inflação não é eliminada simplesmente reprimindo a demanda, pois a economia necessita simultaneamente de recuperação, crescimento da produção e alívio da pressão dos fatores de oferta.
Kamran Naderi também enfatiza a necessidade de usar vários instrumentos simultaneamente. Entre os instrumentos monetários, a taxa de juros é particularmente importante, seguida pelo controle dos balanços bancários e pelas normas de reservas obrigatórias. Se o Banco Central conseguir controlar a taxa de juros interbancária, o crescimento da base monetária também será controlado em certa medida automaticamente. Assim, o consenso geral dos especialistas é que conter a inflação exige um conjunto coordenado de políticas. O principal desacordo diz respeito ao peso que cada uma dessas medidas deve ter nas condições atuais do Irã.
Um dos instrumentos mais importantes propostos pelos especialistas é o controle da rede bancária e a prevenção da criação de dinheiro pelos bancos. O crescimento descontrolado dos balanços bancários pode intensificar a criação de dinheiro e agravar a pressão inflacionária. Naderi acredita que o Banco Central deve seguir duas direções simultaneamente: gestão da taxa de juros interbancária e controle quantitativo dos balanços bancários.
Nas condições atuais, o aumento direto das taxas de depósito e empréstimo não é necessariamente apropriado. Em vez de focar nas taxas transmitidas diretamente às pessoas e produtores, o Banco Central deve gerenciar a taxa interbancária. Ao controlar os balanços, ele pode ordenar as atividades bancárias e direcionar fundos para as necessidades mais importantes do país.
Shakeri apoia o controle do Banco Central sobre os balanços, afirmando que isso ajudou a reduzir o crescimento da liquidez nos últimos meses. O Banco Central até pode usar a desqualificação de executivos bancários como um fator de contenção importante para a disciplina monetária. Além do controle da liquidez, o regulador monetário deve determinar quais setores devem receber recursos financeiros limitados ou fortalecer o lado da oferta. Por exemplo, se o preço dos bens essenciais aumentou, o regulador não deve simplesmente reduzir a demanda; ele deve planejar o aumento da produção ou importação desses bens. Essa abordagem liga a política monetária à política industrial, para que os recursos limitados exerçam o mínimo de pressão sobre a produção. A política de crédito deve se tornar uma ferramenta direcionada para resolver problemas econômicos específicos, e não uma política geral sem prioridades.
Os especialistas enfatizam que parte da inflação é causada pelo lado da oferta, e a política monetária por si só não pode combatê-la. Naderi vê isso como uma consequência das sanções e do bloqueio econômico. Quando o comércio é interrompido ou as receitas cambiais caem, a economia enfrenta um choque de oferta. A escassez de bens aumenta naturalmente os preços, e taxas de juros mais altas ou liquidez limitada não podem colocar no mercado um bem que não existe. Se a fonte do aumento dos preços é a escassez ou a interrupção da cadeia de suprimentos, a solução deve ser procurada no lado da oferta.
Shakeri argumenta que, nas condições atuais, a resposta econômica às restrições comerciais e ao fornecimento de bens faz parte da política antiinflacionária, para que a demanda e a oferta possam se equilibrar e a inflação não cresça nessa área. Conter a inflação não deve significar suprimir a demanda. Mesmo em tempos de guerra, a economia precisa de crescimento da produção e recuperação. O regulador deve escolher as medidas que trazem o maior resultado. O apoio à produção não deve se transformar em distribuição ampla de recursos ou exceções não direcionadas. Os recursos devem fluir para os setores capazes de aumentar a oferta e eliminar gargalos inflacionários.
A taxa de câmbio é um dos canais mais importantes de transmissão de choques para os preços. Portanto, a estabilidade da taxa de câmbio é inseparável da política antiinflacionária. Hassan-Hani acredita que a principal causa da inflação reside na política econômica equivocada. Conter a inflação exige estabilidade simultânea nas políticas cambial, monetária, fiscal e comercial. Sem coordenação e um plano claro de apoio aos domicílios, a confiança pública não pode ser formada. A questão da taxa de câmbio não se limita às reservas do Banco Central. Mesmo que as receitas de exportação não retornem ao ciclo econômico oficial, o mercado cambial permanecerá instável. A repatriação das receitas de exportação e a prevenção da fuga de capitais devem ser elementos centrais da política cambial. Enquanto a inflação não for controlada, não se pode esperar que as pessoas desistam da especulação e se dediquem à produção.
Em conclusão, o artigo afirma que é necessária uma divisão de trabalho. O Banco Central deve continuar a controlar os balanços bancários, gerenciar a taxa de juros interbancária e prevenir a criação irresponsável de crédito. A restrição ao crédito não deve ser cega; os recursos limitados devem ser direcionados a setores que aumentam a oferta e reduzem os gargalos inflacionários. A organização do planejamento e orçamento não deve permitir que o déficit orçamentário seja transferido para os bancos e para o Banco Central, pois o financiamento inflacionário pode anular todos os esforços do Banco Central. No que diz respeito à frente cambial, as prioridades são a estabilidade política, a repatriação das receitas de exportação, a prevenção da fuga de capitais e o fortalecimento da confiança nos investimentos internos. No lado da oferta, parte do programa antiinflacionário deve ser a importação direcionada, matérias-primas, eliminação de gargalos de produção, fortalecimento do comércio e manutenção do fluxo de bens essenciais. Vales eletrônicos podem servir como apoio temporário e direcionado, mas apenas se utilizados com recursos não inflacionários e com cuidadoso planejamento.
No geral, a economia do Irã necessita de uma política antiinflacionária multifacetada que trate simultaneamente de dinheiro e taxas de juros, bem como câmbio, orçamento, bancos, produção, comércio e bem-estar dos domicílios.
