As organizações não governamentais (ONGs) Acesso à Justiça (OJ), Observatório Venezuelano de Fake News (OVFN), Justiça, Encontro e Perdão (JEP) e Observatório de Universidades (OU) anunciaram a criação de uma plataforma conjunta por videoconferência na sexta-feira.
A coordenadora do JEP explicou que esta plataforma visa ser um antídoto técnico e uma resposta coordenada e rigorosa à pressão institucional e à criminalização da defesa dos direitos humanos no país.
A advogada Marta Tineo esclareceu que a plataforma surgiu em meio à 'opacidade', que é uma 'política estatal' na Venezuela. Ela funcionará como um centro de dados unificado e um painel interativo, destinados à coleta, processamento e integração de informações sobre a situação dos direitos humanos e do espaço cívico no país, dada a ausência de informações públicas oficiais.
Laura Luza, da Acesso à Justiça, observou que 'os padrões governamentais permanecem os mesmos após 3 de janeiro de 2026', data em que os Estados Unidos detiveram o então presidente da República, Nicolás Maduro, em Caracas. Ela enfatizou que a situação estruturalmente não mudou, mantendo-se a opacidade, a falta de responsabilidade e a completa ausência de Estado de direito.
Durante a apresentação, o advogado Ali Daniels, codiretor da Acesso à Justiça, afirmou que na Venezuela surge diariamente uma nova onda de desinformação disfarçada de informação. Ele ressaltou que a nova plataforma lutará contra tais fenômenos. Daniels acrescentou que suas organizações possuem mecanismos rigorosos para publicar informações com seriedade e meticulosidade, o que as torna uma fonte confiável.
A plataforma Pulso Venezuela está disponível em espanhol e inglês e contém alertas informativos e gráficos com dados atualizados sobre violações de direitos econômicos, políticos, civis, sociais e culturais. Entre os dados apresentados, consta que há 452 presos políticos no país, incluindo 38 gravemente enfermos, dos quais 44 são mulheres e 44 são estrangeiros com dupla cidadania.
O site também aponta que a prisão política destrói a estrutura familiar muito além das paredes da prisão. Quando o pai está preso por anos, a casa passa por um colapso silencioso, forçando a mãe a carregar sozinha o fardo econômico, o esgotamento físico e a ansiedade constante na espera, colocando sua própria vida em pausa. Na opinião dos idealizadores, o portal é uma ferramenta indispensável para consultas e atualização contínua de informações para jornalistas, pesquisadores, ativistas e o público em geral.
