Banco de Desenvolvimento do BRICS aumenta o financiamento de projetos em moedas locais para o Sul Global
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Banco de Desenvolvimento do BRICS aumenta o financiamento de projetos em moedas locais para o Sul Global

O Ministro das Finanças da Rússia e presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento (New Development Bank, NDB), Anton Siluanov, informou em maio que, até 2031, a participação de projetos do NDB financiados em moedas locais excederá 45%. Na reunião anual do banco, ele observou que esse indicador atualmente é de 30%.

Este curso está alinhado com a missão principal do banco. O NDB, sediado em Xangai, foi estabelecido em 2015 pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul com o objetivo de mobilizar recursos para apoiar o desenvolvimento sustentável e os projetos de infraestrutura nos países do Sul Global.

Um exemplo recente é a REC Limited, uma empresa estatal indiana, que recebeu um empréstimo do NDB para construir usinas de energia renovável, o que está de acordo com a estratégia do país de abandonar os combustíveis fósseis e desenvolver energia limpa.

O pesquisador Wang Yuimin, do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, sugeriu que o uso mais ativo de moedas locais no comércio, investimentos e reservas pode reduzir a dependência dos países em desenvolvimento pelo dólar americano. Além disso, isso pode proteger as economias contra choques externos, fortalecer a autonomia financeira e mitigar as consequências de sanções politicamente motivadas.

Até junho de 2026, o NDB aprovou 139 projetos no valor total de cerca de 42,9 bilhões de dólares. De acordo com o credor, esses projetos contribuíram para o aumento da capacidade de energia limpa em 2400 megawatts, a redução das emissões de dióxido de carbono em 14,7 milhões de toneladas por ano, e apoiaram a construção de 35.000 unidades habitacionais, 43 escolas, 1400 quilômetros de túneis e canais, e 40.400 quilômetros de estradas.

No Brasil, um projeto de desenvolvimento de abastecimento de água e saneamento no estado do Pará visa proteger a água potável, reduzir a poluição e restaurar ecossistemas. Na Índia, o projeto de sistema de transporte rápido regional Delhi-Ghaziabad-Meerut visa melhorar o transporte público, reduzir a superlotação e promover a mobilidade de baixo carbono.

Além dos projetos de infraestrutura verde, o NDB está desenvolvendo novos instrumentos de financiamento para resolver problemas antigos, como acesso limitado a capital e vulnerabilidade às flutuações cambiais.

O NDB não é o único mecanismo do BRICS que fortalece a estabilidade financeira. O Mecanismo de Acordo de Reservas do BRICS (BRICS Contingent Reserve Arrangement, CRA), criado em 2015 com um fundo de reserva inicial de 100 bilhões de dólares, serve como um colchão de segurança financeira para os membros que enfrentam pressão de curto prazo na balança de pagamentos. A China fornece 41% dos recursos deste mecanismo, complementando os sistemas globais de segurança existentes com uma ferramenta adicional de resposta a crises para os países do BRICS.

O NDB também está expandindo suas atividades além da infraestrutura física. Em junho, o Uzbequistão tornou-se o décimo membro do NDB. Roman Sherov, vice-presidente do NDB, afirmou que o banco integrará digitalização e inteligência artificial em seus investimentos, com foco especial em finanças digitais baseadas em IA nos próximos cinco anos.

Antes da 18ª Cúpula do BRICS em Nova Deli neste fim de semana, Lucas Henriques Rocha, coordenador do Grupo de Pesquisa do BRICS na Universidade de São Paulo, destacou em entrevista à TV BRICS que o evento pode servir como um fórum para troca de ideias e criação de novas parcerias em áreas como proteção de IA, financiamento verde e infraestrutura de pagamentos digitais.

Desde empréstimos em moeda local até IA, o NDB aposta que o futuro do desenvolvimento está nas mãos dos próprios países do Sul Global.

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