Médicos dos Emirados Árabes Unidos (EAU) observam que as doenças renais podem danificar o organismo silenciosamente por longos períodos antes que apareçam sinais evidentes. Os especialistas alertam que alguns pacientes só recebem o diagnóstico quando a condição já atingiu um estágio avançado.
Os especialistas explicam esse problema pelo fato de os rins poderem continuar funcionando mesmo após a perda de uma parte significativa de sua capacidade. No momento em que o paciente nota alguma alteração, o dano pode ser grave.
O Dr. John Cheryan, nefrologista do Aster Hospital em Mankhool, afirmou que 'os rins funcionam em silêncio'. Ele enfatizou que a doença renal crônica geralmente se desenvolve lentamente, e seus sintomas iniciais podem ser tão insignificantes que são ignorados tanto pelos próprios pacientes quanto durante exames de rotina. Segundo ele, eles ainda enfrentam um grande número de pessoas diagnosticadas em estágios tardios da doença renal.
Os médicos indicam que os maiores riscos para o desenvolvimento de doença renal crônica são as pessoas que sofrem de diabetes, pressão alta e obesidade.
O Dr. Cheryan observou que o diabetes tipo 2 permanece como a principal causa entre os pacientes que ele acompanha, seguido pela hipertensão. Outras causas mencionadas incluem glomerulonefrite, doença renal policística e infecções renais crônicas.
O Dr. Omar Makbul, especialista em cirurgia geral e serviços de transplante no Burjeel Medical City, também relatou que diabetes e hipertensão são causas comuns de doença renal crônica nos EAU, e a obesidade é outro fator de risco significativo.
As preocupações não se limitam apenas aos idosos. O Dr. Cheryan acrescentou que tradicionalmente a doença renal era associada a grupos etários mais velhos, mas cada vez mais jovens pacientes são diagnosticados com essa enfermidade porque o diabetes e a obesidade estão se tornando mais comuns em idades mais precoces.
Jovens também podem desenvolver problemas renais devido a distúrbios autoimunes, condições genéticas e processos inflamatórios que afetam os rins.
O Dr. Makbul lembrou a existência de sinais de alerta que não devem ser ignorados. Estes incluem urina espumosa, inchaço no rosto ou corpo, sangue na urina, espasmos musculares e falta de ar.
No entanto, os médicos recomendam enfaticamente não esperar o aparecimento de sintomas, pois alguns pacientes podem desenvolver danos renais graves antes que sinais óbvios apareçam.
Portanto, o rastreamento torna-se especialmente importante para pessoas que já têm diabetes, pressão alta, doenças cardíacas ou obesidade.
O Dr. Cheryan observou que a conscientização melhorou, e agora mais pessoas procuram triagem renal, e pacientes com diabetes e hipertensão passam por monitoramento regular da saúde renal.
Os médicos informaram que os problemas renais podem frequentemente ser detectados com dois exames relativamente simples. O primeiro é a taxa de filtração glomerular (TFG), que ajuda os médicos a avaliar a eficácia da filtragem de sangue pelos rins. O segundo exame é a relação albumina-creatinina na urina (ACR), que verifica o vazamento de proteína na urina.
O Dr. Cheryan enfatizou que ambos os testes são amplamente disponíveis e relativamente baratos. A detecção precoce permite que os médicos iniciem o tratamento antes de uma progressão adicional da doença e potencialmente adiem ou previnam a insuficiência renal.
O Dr. Makbul aconselhou os moradores a se concentrarem no controle de condições que danificam os rins ao longo do tempo. Isso inclui manter um estilo de vida saudável, exercícios físicos regulares, seguir uma dieta equilibrada e realizar exames médicos preventivos.
Ele também pediu que pessoas com diabetes ou pressão alta garantam o tratamento e controle adequados dessas condições. Além disso, alertou contra automedicação desnecessária, em particular o uso frequente de analgésicos, o que pode afetar negativamente a saúde renal de alguns pacientes.
Para os médicos, a conclusão é simples: a doença renal não deve ser considerada uma condição que sempre vem acompanhada de sinais óbvios. Quando os sintomas se tornam difíceis de ignorar, alguns pacientes podem já ter desenvolvido uma forma avançada da doença. O rastreamento regular, especialmente para pessoas com diabetes, hipertensão ou obesidade, pode ajudar a detectar danos renais muito mais cedo, antes que seja necessária diálise ou transplante.
