Embora seja frequentemente observado que crianças pequenas choram na primeira visita à escola, especialistas observam que, às vezes, a causa das lágrimas são os próprios pais. Seema, uma mãe de Dubai, inicialmente considerou o processo de levar à escola simples; seu filho mais velho não chorou no primeiro dia, e ela também estava calma. No entanto, ao voltar para o carro com o marido, seu estado mudou drasticamente. Ela recorda: «Senti meu peito apertar e não conseguia respirar». Embora ela tenha conseguido lidar no momento da despedida, assim que sentou no carro, foi tomada pela emoção.
Ela sobreviveu ao primeiro dia com a ajuda do marido, que lhe deu água e ajudou a usar técnicas de respiração. Mas durante os dez dias seguintes, cada despedida terminava da mesma forma: Seema ficava no carro chorando. Isso aconteceu há dez anos. Atualmente, sua filha está se desenvolvendo bem, e outras duas crianças já foram para a escola sem causar essa reação.
Dra. Nada Omer, psicoterapeuta consultora no Hospital Burjeel em Abu Dhabi, explica que essa ansiedade parental é mais comum do que os pais estão dispostos a admitir. Segundo ela, geralmente está relacionada à ansiedade de separação em ambas as direções, e não apenas na criança. Para muitos pais, isso pode provocar um sentimento de luto associado ao fato de uma fase importante do desenvolvimento estar passando, como a percepção de que 'meu bebê está crescendo'.
Ela também aponta que isso pode ser consequência de padrões de apego não resolvidos ou um reflexo de exaustão emocional e sobrecarga durante uma transição de vida séria. Na maioria dos casos, observa a Dra. Omer, é uma reação normal à adaptação, desde que não se torne constante ou atrapalhe a vida diária.
Asra Sawar, psicóloga clínica da Clínica Aster, afirma que a preparação deve começar no nível emocional, e não apenas no prático. Ela aconselha os pais não apenas a apresentar as crianças à escola, professor e rotina diária, mas também a discutir abertamente quais podem ser os sentimentos na separação.
A Dra. Nada sugeriu visitar a sala de aula previamente, iniciar a rotina de sono uma ou duas semanas antes do início das aulas e praticar curtos períodos de separação através de jogos conjuntos ou tempo passado com avós. Ela também aconselhou os pais a trabalharem em suas próprias emoções, como manter um diário ou conversar com outros pais, para lidar com esses sentimentos antes que cheguem aos portões da escola.
Ambas as especialistas concordam que as crianças são muito sensíveis às emoções dos pais. A Dra. Nada enfatizou que um pai ansioso pode inadvertidamente aumentar a ansiedade da criança durante a despedida. Seu conselho simples aos pais é: «Vá embora como se estivesse confiante, mesmo que você mesmo não esteja». Asra recomendou realizar um ritual de despedida curto e previsível — um abraço, uma frase encorajadora, uma despedida clara. Ela também insistiu no reconhecimento dos sentimentos tanto das crianças quanto dos pais. Em vez de dizer: «Não há nada a temer», os pais podem dizer: «Eu sei que você está nervoso e pode sentir saudades de mim, mas você está seguro e seu professor vai ajudar». Este detalhe é importante porque permite reconhecer a emoção sem confirmar o medo como motivo para evitar a escola. Com o tempo, a criança aprende: «Eu posso me sentir nervoso e ainda assim fazer isso».
