Brasil e Turquia unem esforços para expandir a cooperação em tecnologia nuclear e negócios
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Brasil e Turquia unem esforços para expandir a cooperação em tecnologia nuclear e negócios

A Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Atividade Nuclear (ABDAN) e a Associação da Indústria Nuclear da Turquia (NIATR) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) voltado para o desenvolvimento, implementação e uso civil da energia nuclear.

Este acordo, válido por três anos, visa aproximar as cadeias de suprimentos de ambos os países, estimular o comércio bilateral e criar oportunidades para investimentos conjuntos. A parceria também prevê a realização de eventos setoriais e potenciais futuras joint ventures industriais relacionadas à medicina nuclear.

A gestão deste acordo será realizada através de um grupo de coordenação (steering group) e planos de ação que devem transformar iniciativas de troca de conhecimento e comunicação institucional em resultados práticos para empresas dos dois países.

O presidente da ABDAN, Celso Cunha, afirmou que a cooperação com a Turquia conecta mercados e abre canais diretos para novas oportunidades de negócios, fortalecimento da cadeia produtiva e troca de inovações. Ele enfatizou que a integração do Brasil neste ecossistema internacional é necessária para transformar o potencial tecnológico em oportunidades reais para a indústria nacional.

O plano brasileiro também inclui o aumento da capacidade nuclear. No Plano Nacional de Energia, o acréscimo previsto de fontes foi elevado para 14 GW até 2055, em comparação com os 8–10 GW considerados no plano até 2050. A ABDAN defende que essa expansão seja acompanhada pelo fortalecimento da indústria e da cadeia de suprimentos nacionais.

Por sua vez, a Turquia também estabeleceu metas ambiciosas para aumentar sua geração nuclear. O país pretende atingir uma capacidade de 20 GW até 2050, incluindo novos projetos além da usina Akкую em operação. O governo turco também planeja desenvolver uma capacidade de 5 GW utilizando reatores modulares pequenos (SMR).

Detalhes do projeto Akкую e planos da Turquia

A usina Akкую, localizada na província de Mersin, é o primeiro grande projeto nuclear da Turquia. Este complexo será composto por quatro reatores do tipo VVER-1200 com uma capacidade total de cerca de 4,4 GW. O governo turco espera que a primeira eletricidade do Bloco 1 seja gerada ainda em 2026.

O país também planeja novas instalações em Sinop e na região da Trácia, além de estudar tecnologias SMR. A estratégia inclui aumentar a participação da indústria nacional e promover a transferência de tecnologia e a formação de pessoal qualificado. Este cenário explica o interesse na expansão da cooperação com parceiros estrangeiros, pois para a Turquia, a expansão do setor nuclear está ligada não apenas à produção de eletricidade, mas também ao desenvolvimento de fornecedores, tecnologias e competências industriais.

No caso brasileiro, a expansão da energia nuclear também abre oportunidades para empresas que atuam nas cadeias de combustível, engenharia, equipamentos, serviços e tecnologias. Por exemplo, as Empresas Nucleares Industriais Brasileiras (INB) discutem a expansão de parcerias internacionais à luz das perspectivas de crescimento do setor. Em maio, a estatal declarou que o cumprimento das metas previstas para a expansão nuclear brasileira exigirá um aumento significativo da produção nacional de urânio e a expansão do ciclo de combustível no país.

A cooperação entre ABDAN e NIATR pode servir como ponte entre duas indústrias que buscam aumentar suas capacidades e participação no crescente mercado nuclear internacional. A assinatura do memorando faz parte de uma série de missões internacionais organizadas pela ABDAN neste mês em fóruns europeus. A delegação reúne figuras de autoridade, especialistas e representantes de empresas e operadores para discutir temas como reatores modulares pequenos, segurança energética, mineração e o papel das tecnologias nucleares na descarbonização.

A parceria com a NIATR ocorre também em um contexto de coordenação internacional mais ampla no setor nuclear. Em março, ABDAN e NIATR estiveram entre as organizações participantes da mobilização da indústria nuclear mundial em torno do aumento da capacidade nuclear global até 2050.

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