Foram apresentados esta semana o Apple Watch Series 12 e o Apple Watch Ultra 4. Embora as mudanças externas sejam mínimas, os dispositivos trazem funcionalidades notáveis, incluindo o recurso Siri Recap, que escuta diálogos no ambiente do usuário para criar resumos.
Diante da questão sobre a segurança de um relógio com capacidade de escuta ativa, John Ternus, que assumiu a presidência executiva da Apple no início do mês, ofereceu garantias. Em entrevistas concedidas ao TechRadar e ao Tom’s Guide, o executivo enfatizou que a empresa mantém o foco na segurança e na privacidade em todas as suas ações.
Entre as inovações do Apple Watch Series 12 e do Apple Watch Ultra 4, destaca-se o Audio Intelligence, um conjunto de ferramentas que engloba a função Live Rewind. Esta última permite recuperar os últimos quinze segundos de uma fala próxima e gerar sua respectiva transcrição.
O Siri Recap funciona permitindo que os smartwatches monitorem conversas ambientais para que, auxiliados por inteligência artificial, possam produzir notas ou resumos dessas interações. Contudo, levanta-se a dúvida sobre o conforto do usuário ou de terceiros saberem que o relógio está gravando.
Em resposta, John Ternus e Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing da Apple, esclareceram que o Siri Recap não realiza gravação nem transcrição completa das conversas. Por essa razão, os conteúdos não podem ser acessados por hackers ou compartilhados com terceiros.
Adicionalmente, a tecnologia não executa atribuição de locutor, o que significa que ela não identifica diretamente quem falou ou quais pessoas estão próximas nos resumos gerados, impedindo que os relógios apontem quem proferiu determinada declaração.
Para reforçar a proteção, o Siri Recap filtra falas que possam ser sensíveis ou prejudiciais, tais como aquelas que contêm discurso de ódio, informações financeiras ou dados de identificação pessoal, como números de documentos.
Uma outra preocupação levantada diz respeito ao tratamento dos dados das conversas através do Private Cloud Compute, a infraestrutura de nuvem da Apple utilizada para processar tarefas de IA. A companhia assegura que esta solução foi desenvolvida para proporcionar um nível de segurança e privacidade equivalente ao processamento realizado localmente.
A Apple detalha ainda que o processamento inicial das conversas ocorre diretamente no Apple Watch, utilizando o Secure Exclave, um compartimento de segurança ligado ao chip do dispositivo, especificamente o novo S11. O áudio processado nesse local é imediatamente descartado, sendo enviado apenas um texto sintetizado ao Private Cloud Compute para a geração do resumo.
É importante notar que a Apple continuará defendendo suas práticas. Portanto, aguardar testes independentes é crucial para confirmar se os recursos do Audio Intelligence são efetivamente funcionais e seguros. No entanto, usuários mais cautelosos possuem a opção de desativar essas novas funcionalidades.


