Fundo da ONU apoia 1,2 milhão de pessoas em Moçambique em 2025, segundo relatório
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Fundo da ONU apoia 1,2 milhão de pessoas em Moçambique em 2025, segundo relatório

O Fundo Humanitário de Moçambique, operado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) sob o guarda-chuva do Eastern and Southern Africa Humanitarian Fund (ESAHF), divulgou seu relatório anual. Este documento aponta que aproximadamente 1,3 milhão de indivíduos necessitaram de auxílio humanitário em Moçambique ao longo de 2025.

As necessidades de assistência surgiram em um cenário complexo, caracterizado pela insurgência na província de Cabo Delgado, ocorrência de ciclones, surtos de doenças e diversas vulnerabilidades crônicas. O fundo direcionou financiamento para operações de assistência multifacetada nos distritos de Macomia e Quissanga, em Cabo Delgado, além de estabelecer mecanismos de resposta rápida para lidar com inundações, ciclones e surtos de cólera em várias áreas do país.

Catherine Sozi, coordenadora humanitária das Nações Unidas em Moçambique, ressaltou que 2025 marcou o primeiro ano completo de funcionamento deste mecanismo. Ela enfatizou o valor de uma abordagem humanitária que se apoie em organizações locais. A responsável declarou que a descentralização não é apenas um desejo político, mas sim uma prática operacional consolidada.

Sozi sublinhou o papel crucial das entidades nacionais nas regiões de Cabo Delgado, consideradas de difícil acesso, no norte de Moçambique, uma área rica em gás e que tem sido alvo de ataques extremistas desde 2017.

Conforme detalhado no relatório, 96% dos 2,3 milhões de dólares (equivalente a 1,9 milhão de euros) destinados pelo fundo em 2025 foram repassados diretamente a Organizações Não-Governamentais locais e nacionais. Essa estratégia é vista pela ONU como essencial para assegurar respostas mais ágeis e próximas às populações afetadas.

A situação humanitária manteve-se extremamente delicada no norte de Moçambique, onde a instabilidade causada por grupos armados continuou a gerar deslocamentos, riscos de proteção e demandas por ajuda em Cabo Delgado e em partes das províncias de Nampula e Niassa.

Adicionalmente, a intensificação da violência em Cabo Delgado impactou mais de 134 mil pessoas durante o ano, e houve relatos de cerca de 300 sequestros realizados por grupos armados não estatais desde janeiro de 2025.

Em paralelo, os ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que atingiram Moçambique entre dezembro de 2024 e março de 2025, causaram severos prejuízos em moradias, infraestruturas e meios de subsistência, o que agravou as necessidades humanitárias em diversas províncias do centro e norte do país.

Embora focado em Moçambique, o fundo faz parte de um mecanismo humanitário regional para África Oriental e Austral. Em 2025, ele recebeu contribuições de quatro nações: Reino Unido, Irlanda, Noruega e Estónia, totalizando 3,3 milhões de dólares (2,8 milhões de euros).

Catherine Sozi reiterou que a experiência do último ano comprovou que uma resposta alicerçada em parceiros nacionais possibilita que os recursos alcancem «aqueles que mais precisam de forma rápida e eficaz», abrangendo comunidades isoladas por conflitos ou calamidades naturais.

Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que resultou em mais de 6.600 mortes e mais de 1,2 milhão de deslocados, com incursões esporádicas registradas em 2025 nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Além disso, Moçambique é classificado como um dos países mais suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas, apresentando regularmente inundações, ciclones tropicais e outros eventos extremos durante a estação chuvosa. Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que a última temporada de chuvas resultou em 311 óbitos e afetou cerca de 1,07 milhão de pessoas em diferentes regiões do país.

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