O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um apelo aos membros do BRICS no Fórum Empresarial de Nova Deli na sexta-feira. Ele recomendou enfaticamente aumentar a aplicação de moedas nacionais nas operações comerciais, fortalecer a interação financeira e construir laços econômicos mais resilientes entre os estados participantes. Ao mesmo tempo, alertou que a segurança econômica é inseparável da segurança nacional e regional.
Ao discursar no fórum, Pezeshkian enfatizou que o verdadeiro poder da união só se manifestará quando o potencial econômico de seus membros for transformado em redes práticas de comércio, investimento e financiamento. Ele salientou a necessidade de passar 'da cooperação potencial para a cooperação operacional'.
O presidente observou que a estabilidade econômica não é possível sem a diversificação das fontes de financiamento, parceiros comerciais e mecanismos de pagamento. Ele lembrou que o Irã tem enfrentado amplas sanções por muitos anos, que nos últimos meses entraram em uma 'fase muito difícil e perigosa' devido à agressão militar dos EUA e Israel contra a República Islâmica.
Pezeshkian acrescentou que essa agressão, juntamente com seus custos humanos e materiais, demonstrou novamente uma verdade fundamental: 'A segurança econômica não está separada da segurança nacional e regional. Quando o sistema comercial, energético, de infraestrutura ou financeiro de um país é submetido a pressão político-militar, suas consequências vão além desse país e afetam a região e até a economia mundial'.
O presidente iraniano declarou que o crescente uso de instrumentos econômicos para exercer pressão política, bem como a incerteza geopolítica e as interrupções nas cadeias de suprimentos, complicaram o cenário econômico global. Ele pediu que o BRICS desenvolva mecanismos que impeçam qualquer país de violar o comércio legítimo através da monopolização de instrumentos financeiros ou tecnológicos.
Da cooperação fragmentada à infraestrutura comercial integrada
Pezeshkian apelou por uma mudança de paradigma 'da cooperação fragmentada para a integração gradual da infraestrutura comercial' dentro do BRICS. Ele propôs reforçar a digitalização e a integração dos procedimentos alfandegários, eliminar barreiras administrativas e regulatórias, expandir os mercados transfronteiriços e facilitar os investimentos privados conjuntos.
Além disso, defendeu uma cooperação mais estreita em padronização, para que o BRICS possa passar do comércio de commodities para a criação de cadeias de valor integradas e produção industrial conjunta. Caracterizando a segurança alimentar e energética como 'dois pilares fundamentais da segurança econômica', Pezeshkian afirmou que o Irã, com suas vastas reservas de energia e posição geográfica estratégica, está pronto para atuar como parceiro estratégico nas cadeias de suprimentos de energia, alimentos e transporte do BRICS.
Moedas nacionais e o fortalecimento do 'Novo Banco de Desenvolvimento'
Pezeshkian classificou a expansão do uso de moedas nacionais no comércio intra-bloco como um dos passos mais importantes. Ele enfatizou que isso deve ser acompanhado por mecanismos de gestão de riscos cambiais, pois 'o sistema financeiro atual, devido à concentração em um número limitado de moedas, é vulnerável a turbulências políticas'.
Para transformar a cooperação comercial em investimentos reais, ele sugeriu que o Novo Banco de Desenvolvimento se torne a principal fonte de financiamento para projetos de infraestrutura e energia por meio de linhas de crédito especiais, financiamento em moeda local e garantias para atrair investimentos privados.
Em uma das propostas mais concretas, Pezeshkian iniciou a criação de uma empresa de resseguro conjunta do BRICS com capital inicial de 10 bilhões de dólares americanos. Esta empresa deverá cobrir os riscos associados a grandes projetos de energia e infraestrutura, aumentando assim a confiança do setor privado.
Inteligência Artificial e Economia Digital
Ao abordar novas tecnologias, Pezeshkian afirmou que o BRICS 'não deve ser apenas um consumidor de tecnologia', mas deve participar da criação de conhecimento e do desenvolvimento de padrões da economia digital. Além disso, é necessário fortalecer a cibersegurança da infraestrutura crítica em meio à 'transformação fundamental da economia mundial impulsionada pela inteligência artificial'.
De fórum de diálogo a mecanismo executivo
Ele pediu que o Conselho de Negócios do BRICS se transforme de um palco de diálogo em um mecanismo executivo de interação econômica. Os grupos de trabalho devem desenvolver projetos concretos e mensuráveis, baseados em indicadores como o crescimento do comércio intra-bloco, a participação de moedas nacionais no comércio e o volume de investimentos privados.
Pezeshkian concluiu seu discurso expressando a disposição do Irã em se tornar um elo econômico importante na estrutura do BRICS, graças à sua localização estratégica e recursos energéticos, e a vontade de trabalhar com todos os membros por uma economia mundial mais aberta, sustentável e justa. Ele concluiu que 'acreditamos que o BRICS se tornará uma força real na economia mundial quando nossa cooperação for visível em contratos, fábricas, portos e na vida econômica das pessoas dos países membros'.
Antes de viajar para Nova Deli para participar da 18ª Cúpula do BRICS, Pezeshkian descreveu o bloco como uma plataforma vital para o diálogo com as grandes potências e para a expansão da cooperação econômica, comercial, industrial e científica entre os estados-membros. Ele enfatizou que o BRICS serve como uma ferramenta importante para fortalecer o multilateralismo nas relações internacionais, fornecendo valiosas oportunidades para consultas bilaterais e multilaterais com a participação da China, Rússia, Brasil, Índia e outros países regionais.
Pezeshkian observou que atualmente o BRICS conta com 21 membros — 11 membros plenos e 10 parceiros oficiais, conhecidos como BRICS Plus. Esses países representam mais de 45% da população mundial e cerca de 35% do território mundial. Ele definiu a oposição à abordagem unilateral e a garantia da manutenção da independência dos países ao expandir as ligações comerciais como um dos principais objetivos do bloco, acrescentando que a cúpula deste ano se concentra na solidariedade, sustentabilidade, resiliência e inovação.

