Mercúrio, o menor planeta do Sistema Solar, está apresentando sinais de encolhimento mais acentuados do que o previsto, conforme aponta um novo estudo divulgado na revista Geophysical Research Letters nesta quinta-feira (10).
Embora fosse sabido que o interior do planeta tem diminuído desde sua formação há 4,5 bilhões de anos, devido ao resfriamento, a surpresa reside na intensidade desse encolhimento, que superou as expectativas dos pesquisadores.
No planeta, os indícios desse encolhimento manifestam-se através de elevações e cristas conhecidas como estruturas de encurtamento, distribuídas pela sua superfície. Com o avanço do tempo e a diminuição do planeta, novas cristas surgem; o artigo demonstra que muitas dessas estruturas permaneceram ocultas até agora, soterradas por crateras e detritos, o que sugere um encolhimento maior do que se acreditava.
A dificuldade em estimar o tamanho exato do planeta deve-se aos desafios inerentes à sua pesquisa. Por ser o corpo celeste mais próximo do Sol, o envio de sondas espaciais é complicado, e nenhuma missão conseguiu investigar o subsolo de Mercúrio até o momento. Além disso, a luz solar intensa impede a observação eficaz do planeta a partir da Terra.
Por isso, os cientistas dependem de dados obtidos por satélites remotos para obter uma visão das camadas internas. Neste caso específico, os dados utilizados foram fornecidos pela sonda espacial Messenger.
Essa nave-robô foi lançada em agosto de 2004, alcançou Mercúrio em março de 2011 e realizou 4.105 órbitas antes de esgotar seu combustível e colidir com a superfície em 2015. Contudo, durante seus mais de quatro anos de operação, a Messenger conseguiu coletar uma vasta quantidade de informações.
Foi a partir do conjunto de dados reunidos pela Messenger que os pesquisadores chegaram a esta nova avaliação sobre o encolhimento de Mercúrio. Uma equipe liderada por Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), cruzou dois mapas pré-existentes do planeta: um detalhando a distribuição das cristas e escarpas criadas pela contração, e outro que mapeava a aspereza da superfície. Este segundo mapa foi construído a partir de medições a laser e imagens da sonda capturadas em diferentes ângulos, permitindo a reconstrução tridimensional do relevo. Foi a comparação entre estes dois mapas que revelou um padrão previamente ignorado.
A análise concentrou-se na rugosidade superficial, que é majoritariamente causada por crateras de impacto e pelos detritos dispersos por elas. Essa rugosidade pode cobrir as cristas e escarpas resultantes da contração, dificultando sua identificação. Considerando esse fator, os pesquisadores calculam que Mercúrio provavelmente encolheu entre 10% e 30% mais do que se supunha anteriormente.
Os próprios autores do estudo alertam que esses valores podem ainda estar aquém da realidade, visto que os dados superficiais disponíveis podem ser incompletos.
A causa desse fenômeno está ligada à origem do planeta. Tal como todos os planetas rochosos do Sistema Solar, Mercúrio se formou há 4,5 bilhões de anos, em um período de grande agitação cósmica, quando rochas e asteroides colidiam e, posteriormente, se uniam. Esse processo de impacto gerou calor intenso, que o planeta tem perdido desde então.
Atualmente, Mercúrio ostenta as temperaturas mais extremas do Sistema Solar, com variações térmicas que vão de -184°C a 427°C, pois carece de uma atmosfera capaz de regular o calor. Conforme seu interior esfria, o planeta desenvolve sulcos geológicos na forma de escarpas e cristas, servindo como indicadores para que os pesquisadores possam identificar seu processo de encolhimento.
Com aproximadamente 4.879 quilômetros de diâmetro, Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar. Ele possui apenas um terço do tamanho da Terra e é tão reduzido que algumas luas, como Ganimedes de Júpiter e Titã de Saturno, são maiores que ele.

