O governador da província de Sud-Ubangui, Jean-René Galekwa, anunciou oficialmente a epidemia na região, após a análise de um caso suspeito. Esta declaração foi feita num comunicado oficial.
De acordo com Galekwa, um indivíduo que morreu de Ebola em Sud-Ubangui havia realizado uma extensa viagem por diversas províncias da RDCongo, algumas das quais ainda não haviam sido afetadas pela doença.
O paciente em questão começou a manifestar sintomas em Kisangani, que é a capital da província de Tshopo (localizada no nordeste), onde já existiam registros de casos de Ebola. Antes disso, ele viajou por Ruanda e Uganda, e posteriormente chegou à província de Ituri (também no nordeste).
Além disso, o doente transitou por Lisala, uma área ribeirinha situada na província de Mongala (no noroeste). Até o momento, as autoridades informaram que trinta e oito pessoas foram identificadas como tendo tido contato com o doente e estão sob quarentena.
A RDCongo havia declarado sua décima sétima epidemia de Ebola em meados de maio, com um atraso de várias semanas. Esta doença, conhecida por ser extremamente letal, já resultou na morte de mais de 15 mil pessoas em todo o continente africano nos últimos cinquenta anos.
No contexto da epidemia atual no país africano, os dados mais recentes divulgados pelas autoridades congolesas indicam um total de 3.310 óbitos e 6.843 casos confirmados desde o início do surto.
O surto teve origem na província de Ituri (nordeste) e se espalhou para áreas remotas e instáveis no leste e norte da RDCongo, onde a capacidade de resposta está sendo superada pelo rápido aumento dos casos.
A cepa Bundibugyo do Ebola, responsável por esta epidemia, não possui tratamentos específicos disponíveis. Contudo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está desenvolvendo duas vacinas que entraram na fase um de testes em seres humanos, apresentando resultados promissores até agora, embora o processo de desenvolvimento possa levar vários meses.
Esta epidemia configura-se como a segunda mais fatal da história da doença, superando o surto ocorrido na mesma região entre 2018 e 2020. No entanto, ela ainda fica aquém da epidemia mais grave registrada, que causou aproximadamente 11.000 mortes e 28.000 infecções na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Adicionalmente, a epidemia se propagou para o vizinho Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto em 26 de agosto, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos importados da RDCongo, dos quais duas mortes foram contabilizadas.
