O aumento dos rendimentos dos títulos do governo nos EUA, Japão e outros países desenvolvidos leva ao aumento do custo global do capital. Em setembro de 2026, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos está em cerca de 4,8%, e o rendimento dos títulos do governo japonês com vencimento em 10 anos ultrapassou 3% pela primeira vez em três décadas em setembro.
As razões para este fenômeno são semelhantes: existem riscos de inflação, altos preços do petróleo, grandes volumes de endividamento governamental e expectativas de aperto na política dos bancos centrais. No Japão, um fator adicional é a normalização da política monetária do Banco do Japão.
Consequências para os mercados globais de dívida
Para os mercados globais de dívida, isso significa a necessidade de reavaliar os riscos. Como os títulos praticamente sem risco dos EUA ou do Japão oferecem um rendimento mais alto, os investidores começarão a exigir um prêmio maior por títulos de mercados emergentes. Como resultado, novos tomadores de empréstimos são forçados a oferecer taxas de juros mais altas, e o valor dos títulos já negociados pode diminuir.
Ao mesmo tempo, parte do capital pode começar a retornar dos mercados emergentes para os desenvolvidos. O Japão desempenha um papel especial aqui: o aumento das taxas internas torna os ativos estrangeiros menos atraentes para bancos, seguradoras e outros grandes investidores japoneses. A agência de classificação de risco Fitch já apontou a probabilidade de que mais capital japonês permaneça no mercado interno.
Riscos para os países da Ásia Central
O principal risco para os países da Ásia Central é o encarecimento do financiamento externo. Quanto mais tempo as taxas de juros permanecerem altas nos EUA e no mundo, mais difícil será emitir novos Eurobonds e refinanciar dívidas de mercado. Os tomadores de empréstimos mais vulneráveis serão aqueles que necessitam de empréstimos novos significativos, que possuem dívida externa em moeda estrangeira considerável e baixos ratings de crédito.
Além disso, as altas taxas globais podem exercer pressão sobre as moedas regionais devido à saída de capital de portfólio e ao aumento da demanda pelo dólar americano. No entanto, a situação no Uzbequistão parece relativamente estável e não causa preocupação. Uma parcela significativa da dívida pública externa do país é devida a credores oficiais e possui prazos de vencimento longos, o que sustenta um baixo nível de risco de refinanciamento.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia o risco de crise da dívida no país como baixo. A média do prêmio em Eurobonds em dólar do Uzbequistão em 2026 era de cerca de 159 pontos base. Um ponto positivo também é a inclusão dos títulos soberanos em somanios do Uzbequistão no índice J.P. Morgan GBI-EM a partir de 30 de setembro, o que expande a base potencial de investidores estrangeiros e pode compensar parcialmente o agravamento do cenário global.
Assim, o autor considera que este não é o início de uma crise no mercado de títulos da Ásia Central, mas sim uma transição da região para um período de capital mais caro e maior seletividade dos investidores. Os mercados permanecerão acessíveis para países com orçamentos sólidos, nível moderado de dívida e rendimento real atraente, embora o custo do financiamento possa aumentar.
