As mudanças demográficas no Irã estão acelerando devido à queda nas taxas de natalidade, e os idosos já representam 13% da população do país. De acordo com as projeções atuais, em 25 anos, quase um terço da população iraniana terá mais de 60 anos.
Esta mudança demográfica exercerá uma pressão significativa sobre a economia nacional, fundos de pensão, sistemas de assistência social e saúde. Para prevenir as consequências negativas do envelhecimento populacional, o país está implementando políticas voltadas para estimular a natalidade e aumentar a participação da juventude.
O envelhecimento é uma fase natural do ciclo de vida, mas a abordagem da sociedade a esta fase determinará as condições de vida das gerações futuras. O aumento do número de cidadãos idosos implica não apenas uma maior demanda por serviços médicos, mas também uma crescente necessidade de cuidados, reabilitação, assistência domiciliar, adaptação ambiental e bem-estar social, o que afetará seriamente o sistema de pensões.
A necessidade de tomar medidas torna-se cada vez mais urgente, pois existe um intervalo de tempo entre a situação atual e o início do envelhecimento profundo, o que oferece uma oportunidade para reformas estruturais e desenvolvimento de políticas. A inação levará a problemas que serão muito mais difíceis de resolver.
Medidas tomadas para apoiar os idosos
Segundo Marzieh Vahid-Dashtjerdi, secretária do Quartel-General Nacional de Assuntos Populacionais, deve-se dar atenção à população jovem, definida como a parcela da população com menos de 15 anos. Atualmente, este grupo representa 21,5% do total de habitantes do Irã, mas sua proporção está diminuindo devido à queda na natalidade.
Apesar disso, o Irã encontra-se em uma janela demográfica de oportunidades favoráveis, visto que a maior parte da população está em idade ativa, e resta apenas 15 a 20 anos para o fechamento dessa janela. Alireza Raesi, funcionário do Ministério da Saúde, observa que a diminuição da população é uma consequência e não uma causa, portanto, para reverter as tendências, é necessário identificar, analisar e eliminar vários fatores econômicos, sociais, culturais e familiares que contribuem para a queda da fertilidade. Ele enfatiza, contudo, que o envelhecimento populacional é inevitável, mesmo com o aumento da população.
Seyed Javad Hosseini, chefe da Organização de Bem-Estar, afirma que o envelhecimento é um problema social. Ele adverte que, sem resolver esse problema hoje, a sociedade enfrentará crises sociais complexas no futuro. No entanto, com planejamento estratégico, o envelhecimento pode abrir novas oportunidades para a economia e o emprego.
Referindo-se ao conceito de 'economia prateada' — um sistema de produção, distribuição e consumo de bens e serviços orientados para satisfazer as necessidades dos idosos —, Hosseini acrescentou que o crescimento da população idosa aumenta a demanda por cuidados de saúde, tornando o cuidado aos idosos uma das oportunidades globais mais rápidas e sustentáveis para empregabilidade. O Irã também deve aproveitar esse potencial para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos idosos e desenvolver a economia.
A Organização de Bem-Estar planeja treinar consultores e especialistas em cuidados a idosos. Foram lançados projetos de reabilitação em nível comunitário em áreas menos favorecidas e remotas, onde o acesso a serviços sociais é limitado. Assistentes sociais recebem treinamento de 20 horas para trabalhar nesses centros como facilitadores. O projeto abrangeu 95% das áreas rurais e planeja expandir-se para 30% das áreas urbanas.
De acordo com Hosseini, a Organização de Bem-Estar, em conjunto com a organização nacional de padronização, credenciou cerca de 300 centros de dia para idosos e planeja criar novos centros de serviços, como vilas para idosos e centros de saúde urbana para idosos. Entre outros programas da organização estão a prevenção de incapacidades na velhice, reabilitação domiciliar, serviços de cuidados domiciliares e assistência à vida para idosos com deficiências graves.
O Conselho Nacional de Idosos aprovou 18 planos estratégicos de envelhecimento para melhorar a condição dos cidadãos idosos. Esses planos incluem o desenvolvimento de comunidades amigáveis à idade, apoio a cuidadores formais e informais, programas de assistência social em nível distrital, um projeto de lei sobre a proteção dos direitos dos idosos, alteração de disposições executivas sobre a organização de assuntos de idosos, treinamento de especialistas em envelhecimento, uso de bancos de tempo, criação de painéis de dados sobre idosos, centros modernos de envelhecimento, turismo para idosos, emprego de idosos, um documento sobre a economia do envelhecimento, expansão da ciência e tecnologia no campo do envelhecimento, aumento da literacia sobre envelhecimento, empoderamento de mulheres idosas solteiras, seguro de cuidados de longo prazo e realização de um censo nacional.
O objetivo desses planos é melhorar a saúde física e mental, o apoio social, elevar a qualidade dos serviços de cuidado, prevenir danos, educar e desenvolver a cultura e a infraestrutura, bem como aumentar a participação dos idosos. Além disso, 19 cidades do país já adotaram medidas necessárias para criar comunidades amigáveis à idade.

