O filme 'O Último Homem na Torre', baseado no romance de Arvind Adiga, explora a tensão entre ambição, ganância, sentimento de isolamento e as decisões complexas sobre abrir mão de algo. Ele mostra o que acontece quando uma enorme quantia de dinheiro é oferecida por uma casa, e todos os vizinhos estão dispostos a vender, exceto uma pessoa.
Em Mumbai, onde o processo de reurbanização se tornou parte integrante da vida, tal situação pode transformar vizinhos em adversários e amigos em pessoas calculistas. No centro da trama está Yogesh Mishra, um professor aposentado, brilhantemente interpretado por Manoj Bajpayee. Ele vive em uma casa repleta de memórias de sua falecida esposa. Quando um incorporador lhe faz uma oferta muito atraente, a maioria dos vizinhos concorda em vender, mas Yogesh recusa.
Seu argumento é que ele tem o direito legal de dizer 'não' e não deve ser tentado ou forçado a deixar sua casa. O filme não apresenta Yogesh unicamente como herói, nem os outros como gananciosos; cada um tem suas razões para vender. Uma mãe busca garantir uma vida melhor para um filho com necessidades especiais, outra quer enviar a filha estudar no exterior, e outros querem pagar dívidas.
Embora a história comece como uma disputa imobiliária e de princípios, ela gradualmente se transforma em um relato de coerção e pressão. Um casal idoso é forçado a ceder quando é atacado por bandidos misteriosos, enquanto o advogado de Yogesh efetivamente aconselha-os a seguir em frente pelo dinheiro. Outra cena demonstra como trabalhadores, preocupados com a segurança, mudam de ideia ao receber uma grande recompensa em dinheiro. Esta é talvez a ideia mais pungente do filme: em Mumbai, o dinheiro compra não apenas imóveis, mas também silêncio, lealdade e até moralidade.
A própria comunidade torna-se um dos personagens mais interessantes. Discussões sobre reurbanização, fofocas noturnas, grupos e controle moral — tudo parece familiar. Uma mulher solitária se torna alvo de fofocas devido às visitas de vários homens, e o secretário da associação menciona ter encontrado preservativos no lixo dela. Yogesh, usando seu discurso irritadiço, mas juridicamente fundamentado, lembra-lhes que a privacidade é um direito, e ninguém tem o direito de interferir na vida alheia.
Em outra conversa importante, ele aponta que a sociedade era originalmente cristã e não permitia a residência de hindus. Ele argumenta que se a cidade mudou tanto que diferentes comunidades podem viver no mesmo prédio, elas devem aprender a aceitar pessoas solitárias. Esses detalhes aparentemente insignificantes conferem ao filme um amplo contexto social e retratam Mumbai como se realmente houvesse pessoas vivendo lá.
A luta emocional é especialmente revelada por Singita Puri, interpretada pela atriz Divya Datta. Seu personagem cria um filho com necessidades especiais, e a profunda conexão entre ele e Yogesh torna ainda mais complexas as tentativas de convencê-la a vender a casa. Ela lembra-lhe que quando sua esposa teve câncer, todos a apoiaram, e agora ela deve ficar ao lado deles e de seus sonhos. É uma pressão emocional, mas Datta nunca retrata Singita como vilã; sua dor, raiva, inveja, impotência materna e desapontamento são constantemente lidos em seu rosto, muitas vezes sem palavras.
O trabalho de Manoj Bajpayee é excepcional. Yogesh é um idoso, mas Bajpayee nunca interpreta apenas um 'velho'. O leve tremor, a marcha lenta e a linguagem corporal alterada diante do filho parecem incrivelmente realistas. Pessoas cujos pais estão envelhecendo reconhecem nessa teimosia, nos conselhos não solicitados e no desejo de ser reconhecido. Bajpayee transmite facilmente a transição de Yogesh da irritabilidade para a tristeza, depois para a rebelião e solidão. O relacionamento tenso com o filho adiciona outra camada à história. Quando o filho diz a Yogesh que seus conselhos constantes nunca foram agradáveis, isso lembra dolorosamente que estar certo não significa ser amado.
Boman Irani, no papel do incorporador, parece extremamente perigoso e malvado. Ele não é um vilão barulhento e unidimensional; ele é calmo e habilmente alcança seus objetivos, e fica impressionado com quem não pode ser comprado. Durante um diálogo muito bom, o incorporador pondera: se Yogesh não precisa de dinheiro, o que ele quer? Nunca saberemos, e talvez nem Yogesh saiba.
Essa incerteza é a maior força do filme. Quando a sociedade se volta contra ele, cortam eletricidade e água, ninguém ajuda, e até resíduos humanos são jogados em sua porta. Ele é encurralado em uma situação física e mental extremamente difícil, e o filme permite que ele permaneça certo.
