A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires está celebrando seu 40º aniversário, marcando 20 edições de história. Como um dos eventos de arquitetura mais importantes da América Latina, a celebração deste marco contará com uma edição que reunirá aproximadamente 100 escritórios de arquitetura, 15 exposições, 50 conferências, 40 convidados internacionais e representantes de mais de 55 cidades globais, tudo isso em uma programação gratuita e aberta que se estenderá por cinco semanas.
O evento ocorrerá a partir de 22 de setembro e durante todo o mês de outubro, integrando o Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires. Durante esse período, haverá a realização de conferências, exposições abertas, inauguração de instalações e promoção de atividades em diversos locais da cidade. Sob o conceito central de HABITAR, a Bienal também sediará um fórum de seis dias com o vencedor do Prêmio Pritzker 2026, Smiljan Radić, que culminará na cerimônia de entrega dos prêmios da edição.
Desde 1985, a Bienal de Arquitetura de Buenos Aires tem acompanhado as mudanças culturais, urbanas e sociais. Foi fundada pelo ensaísta e promotor cultural argentino Jorge Glusberg. Funcionando como uma plataforma internacional, o evento serve para reunir arquitetos, designers, urbanistas, artistas, pesquisadores, estudantes e entusiastas da arquitetura, permitindo que compartilhem projetos, vivências e novas visões sobre a produção e análise espacial contemporânea.
O tema escolhido para esta edição comemorativa é HABITAR, que funciona como um conceito abrangente para diversas abordagens na prática arquitetônica. Através de projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo vindos de variadas regiões e contextos, a Bienal visa proporcionar uma perspectiva ampla e transversal sobre a experiência de morar e sua dimensão comunitária. A visão curatorial propõe um convite à reflexão sobre as múltiplas formas como as pessoas estabelecem sua conexão com o planeta, as cidades, os territórios e as comunidades.
A seleção de projetos e atividades cobre realidades que variam desde grandes centros urbanos até áreas mais remotas e extremas, englobando desde ambientes residenciais até infraestruturas essenciais para a vida coletiva. A Exposição Central, batizada com o tema principal, será apresentada no Museo Nacional de Bellas Artes, exibindo obras notáveis de mais de 100 escritórios de arquitetura, tanto nacionais quanto internacionais.
Esta mostra é complementada por exposições específicas, como Habitar lo Extremo (sobre a Antártica), criada pelo coletivo 6044 Sur, além das mostras Iberá e Habitar la Naturaleza (Habitar a Natureza). No Centro Cultural Recoleta, será recebido o Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia / Prêmios Mies van der Rohe 2026, juntamente com a exposição Form Follows Fiction: Six Inquiries, sob curadoria de Vladimir Belogolovsky, e uma instalação site-specific oriunda da convocatória aberta Architexture, organizada pelo Institut Français d'Argentine.
A programação se desenvolverá pelo bairro da Recoleta, incluindo exposições como César Pelli e Diana Balmori. Arquitetura de uma Biblioteca Compartilhada, no Museo del Libro y de la Lengua da Biblioteca Nacional; Bustillo 1929-1939. Tiempos de modernidad (Tempos de Modernidade), na Casa Victoria Ocampo; e Madera: Mirando al Futuro del Habitar (Madeira: Olhando para o Futuro do Habitar), com curadoria de Galia Solomonoff, Jeannette Plaut e Marcelo Sarovic no Museo Nacional de Arte Decorativo. Além disso, o MARQ apresentará exposições especiais da Argentina, Bélgica, Geórgia, Itália, Suécia e Venezuela.
O circuito cultural funcionará durante todo o Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires, constituindo um trajeto a pé por 15 exposições, somado a dez programas adicionais realizados em outras instituições da cidade.
O Fórum Internacional da Bienal acontecerá de segunda-feira, 5 de outubro, a sábado, 10 de outubro, contando com a presença do arquiteto chileno Smiljan Radić. Ao longo de seis dias consecutivos, mais de 50 conferências gratuitas serão disponibilizadas no Auditorio Amigos del Bellas Artes, visando fomentar a troca de conhecimentos e experiências em nível internacional. O Fórum será concluído com a entrega de prêmios que reconhecem as contribuições culturais de profissionais, escritórios e instituições.
Nesta edição, o Premio Bienal a la Trayectoria (Prêmio à Trajetória) será concedido a Marta Minujín por suas intervenções urbanas. Os demais Prêmios da Bienal 2026 serão decididos por um júri internacional, homenageando os projetos e escritórios participantes da exposição central HABITAR, assim como os palestrantes do Fórum Internacional de Conferências. A agenda também incluirá a entrega do Premio Hydro XX Bienal a la Mejor Fachada en Aluminio e do Premio Tersuave al Color en la Arquitectura, além de sediar a cerimônia de premiação da sexta edição do Prêmio Oscar Niemeyer de Arquitetura Latino-Americana (Prêmio ON), que terá uma conferência especial com seu vencedor.
Outras novidades recentes na arquitetura latino-americana incluem a finalização do Centro Cultural Lola Mora em San Salvador de Jujuy, que representa o primeiro projeto cultural da Pelli Clarke & Partners na América do Sul e o último concebido por César Pelli. Também foi selecionada a proposta vencedora para o Museo Nacional (MuNA), liderada pelo escritório SANAA em parceria com Estudio A0, Caá Porá Arquitectura, Jerome Haferd Studio e Taller Capita. Em um contexto menos positivo, foram registrados recentemente dois terremotos na Colômbia e na Venezuela, chamando a atenção e mobilizando colaboração internacional para os esforços de reconstrução.
