Entradas irregulares na UE caem 35% nos primeiros oito meses, exceto na rota do Mediterrâneo Ocidental
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Entradas irregulares na UE caem 35% nos primeiros oito meses, exceto na rota do Mediterrâneo Ocidental

A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) divulgou um comunicado indicando que, durante os primeiros oito meses do ano, foram registadas aproximadamente 75 mil deteções de entradas irregulares na União Europeia (UE), o que representa uma redução de 35% em comparação com o ano anterior.

A agência observou uma diminuição em praticamente todas as principais rotas migratórias, com exceção da rota do Mediterrâneo Ocidental, que abrange o sul da Espanha.

Embora os dados apresentados pela Frontex não contemplem a entrada de milhares de migrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho — estimativa do Governo espanhol em pelo menos 72 mil —, a agência aponta que houve um aumento de 34% nesta rota específica, totalizando 15.909 deteções.

Nesta rota do Mediterrâneo Ocidental, a Argélia foi identificada como o principal ponto de partida, sendo as ilhas Baleares e o território continental espanhol os destinos mais frequentes, conforme relatado pela Frontex.

A agência salientou que a pressão aumentou consideravelmente em julho, atingindo o nível mensal mais alto dos últimos três anos, antes de apresentar uma descida em agosto. Este crescimento na região sugere uma alteração nas rotas utilizadas pelos traficantes.

A Frontex atribui este movimento ao reforço dos controlos implementados em Marrocos e nas vias adjacentes da África Ocidental e do Mediterrâneo Central, o que teria desviado mais partidas para as costas argelinas.

Em contraste, todas as outras rotas migratórias analisadas pela Frontex mostraram uma queda notável quando comparadas com os números de 2025.

O Mediterrâneo Oriental permanece como a principal porta de entrada na UE, abrangendo a costa da Grécia, com 24.239 entradas detetadas, o que constitui uma redução de 25% face a 2025.

A maior redução foi observada na rota da África Ocidental em direção às Canárias, registando 5.070 deteções, uma queda de 58% em relação a 2025. Similarmente, no Mediterrâneo Central, que inclui o sul da Itália, foram detetadas 19.411 entradas, representando uma diminuição de 55% em comparação com 2025.

Relativamente à rota do Mediterrâneo Central, a Líbia é o ponto de origem para cerca de dois terços dos migrantes, embora a Frontex reconheça que as operações de fiscalização, as campanhas de deteção e os retornos efetuados pelas autoridades locais têm contribuído para a redução destes números.

A Frontex também sublinhou que, apesar da tendência de redução nas entradas irregulares na UE, o impacto humano dessas travessias permanece muito elevado.

Citando a Organização Internacional para as Migrações, a agência ressaltou que mais de 1.800 pessoas perderam a vida no Mediterrâneo desde o início do ano, enfatizando os perigos enfrentados pelos indivíduos, visto que as redes de tráfico empregam embarcações superlotadas e inadequadas para navegação.

Hans Leijtens, diretor executivo da Frontex, citado no comunicado, afirmou que, embora haja menos pessoas a tentar entrar na Europa, a situação em Ceuta demonstrou que «uma fronteira tranquila pode mudar em apenas algumas horas». Ele acrescentou que as redes de tráfico não desaparecem com a queda dos números, mas sim adaptam-se, aguardando uma oportunidade para explorar, e que o papel da agência é estar preparada para esse momento.

A agência justificou a não inclusão dos dados de Ceuta em julho, pois considera improvável estabelecer um «total definitivo» do número de pessoas que entraram no enclave, dado que a maioria regressou a Marrocos sem ter sido registada.

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