Os eventos de 11 de setembro de 2001 na América não apenas ceifaram milhares de vidas, mas também mudaram para sempre a indústria cinematográfica de Hollywood, transformando imagens e enredos. Anteriormente, os arranha-céus de Nova York serviam como um símbolo reconhecível em filmes, séries e publicidade, mas após os ataques, esses edifícios passaram a ser associados à tragédia, cuja dor permanece na memória dos espectadores.
Embora houvesse estereótipos em relação a personagens árabes e muçulmanos em Hollywood antes de 11/09, o terrorismo se tornou o maior medo da sociedade americana após o ataque, e isso se refletiu na tela. A imagem desse medo era frequentemente representada como um homem barbudo, falando árabe, às vezes com vestimenta religiosa e armado.
Como resultado dessa tendência, as oportunidades de elenco para atores muçulmanos e árabes diminuíram; eles passaram a ser vistos não tanto como atores, mas como a personificação de um determinado arquétipo. Embora o número de personagens árabes tenha aumentado após 11/09, isso nem sempre resultou em uma melhoria na situação dos atores árabe-americanos, pois eram frequentemente limitados pelos mesmos papéis estereotipados.
O ator Ali Momen, que tinha 20 anos durante os ataques, relatou que, após 11/09, seu agente lhe ofereceu um papel no filme 'Suicide Bomber 3'. Ele aceitou o papel sendo um jovem buscando construir uma carreira na indústria. O filme se chamava 'Traitor', e ele ainda não esquece essa experiência.
Mesa Khouri compartilhou uma experiência semelhante. Ela começou a trabalhar em Hollywood após o nascimento de sua primeira filha. Antes de 11/09, ela frequentemente interpretava papéis de mãe ou mulher desesperada. Após os ataques, começaram a lhe oferecer mais papéis de refugiada, e ela teve que atuar cenas com hijab, embora na vida real nunca o tivesse usado.
Ali Momen também recorda um episódio de audição onde lhe pediram para recitar falas em árabe, pois o filme exigia atores que falassem árabe. Sendo originário do Irã, ele fala persa. Quando o diretor de elenco exigiu que ele recitasse em árabe, ele explicou que não sabia árabe. Diante da insistência, ele gentilmente argumentou que persa e árabe não são a mesma língua.
A experiência do ator Maz Joberani ilustra vividamente essas mudanças. Ele inicialmente se via como um ator versátil, capaz de interpretar qualquer papel. No entanto, após chegar a Hollywood, ele rapidamente percebeu que havia um roteiro diferente para ele. Assim que soube de sua origem da Ásia Ocidental, lhe ofereciam diálogos contendo ameaças de assassinato em nome de Alá. Quando perguntou se poderia interpretar um médico, foi-lhe dito que poderia, mas somente se o médico invadisse o hospital.
Joberani percebeu que o problema não era sua habilidade de atuação, mas sim a imagem que a indústria criou para ele. Mais tarde, ele recusou papéis relacionados ao terrorismo, mas isso não foi fácil, pois a profissão de ator depende do que lhe é oferecido, e perder essa oportunidade devido à sua identidade coloca-o diante de uma escolha difícil. Posteriormente, ele se concentrou na comédia, usando essa experiência em seu trabalho.
Muitos de seus colegas estavam em situações ainda mais difíceis. Syed Badreya relatou em uma entrevista em 2007 que, por muito tempo, Hollywood lhe ofereceu quase exclusivamente papéis de terrorista. Ele observou que por cerca de dez anos, seu personagem ameaçou constantemente pessoas em nome de Alá. Paradoxalmente, ele era frequentemente convidado a morrer na tela: em 'O Homem de Ferro', seu personagem morre; em 'Ordem Executiva', ele é morto; em 'Três Reis', ele é morto por George Clooney, e em 'A Verdade', ele é destruído por Arnold Schwarzenegger. Badreya enfatizou que encontrar o arquétipo de terrorista devido à barba era comum, refletindo um padrão de elenco pelo qual figuras muçulmanas da Ásia Ocidental frequentemente se tornavam vilões na trama, cujo desfecho inevitavelmente ocorria através de um tiro, explosão ou bomba.
Um aspecto ainda mais preocupante era que muitos atores eram considerados suspeitos simplesmente por sua aparência — muçulmana ou do Oriente Médio. O ator Walid Zwaiter relatou que, após 11/09, também lhe ofereceram um papel relacionado a uma célula adormecida.
