Ministério da Educação analisa endurecimento das regras de comunicação entre professores e alunos via WhatsApp
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Ministério da Educação analisa endurecimento das regras de comunicação entre professores e alunos via WhatsApp

O Departamento de Educação Básica está estudando formas de fortalecer a interação entre professores e alunos por meio do WhatsApp e outras redes sociais. Isso ocorre em um contexto de crescente preocupação com os limites entre o apoio aceitável e o contato inadequado.

Essas medidas são tomadas após o Parlamento ter levantado repetidamente questões sobre conduta sexualmente imprópria envolvendo educadores e alunos. O Comitê de Portfólio de Educação Básica foi informado de que o Conselho de Relações Trabalhistas na Educação registrou 469 casos de conduta sexualmente imprópria envolvendo educadores no período letivo de 2018/19 a 2024/25.

Um professor de Gauteng está sob investigação, suspeito de comunicação inadequada no WhatsApp com um aluno de dezessete anos. Este professor da Minerva Secondary School em Alexandria foi temporariamente afastado como medida preventiva após acusações de que a comunicação com o aluno, iniciada em junho, continha sugestões impróprias.

Essas acusações provocaram um protesto dos alunos na escola em agosto. O Departamento de Educação de Gauteng declarou que o assunto foi encaminhado para investigação. Este caso chamou a atenção para o uso generalizado do WhatsApp por professores para se comunicar com alunos sobre tarefas escolares, trabalhos de casa e outros tópicos fora da sala de aula.

Terrence Hala, diretor executivo de comunicações e pesquisa no Departamento de Educação Básica, informou que o departamento está analisando este problema no contexto de questões mais amplas de proteção aos alunos e de garantia de que a interação entre professores e alunos ocorra dentro de limites profissionais adequados. Ele observou que o problema foi levantado durante reuniões do departamento com o Parlamento sobre estupro criminal e conduta sexualmente imprópria envolvendo alunos, bem como através de relatórios intermediários dos processos Youth20 e Women20.

Hala enfatizou: «Uma das áreas de risco potenciais identificadas foi a comunicação digital direta e em grande parte não regulamentada entre professores individuais e alunos, incluindo plataformas como o WhatsApp». Ele esclareceu que o departamento não afirma que a comunicação via WhatsApp seja inerentemente inaceitável ou que a comunicação inadequada seja amplamente difundida no sistema educacional.

Segundo Hala, «A comunicação digital tornou-se uma parte importante da troca de informações entre escolas, professores, alunos e pais». No entanto, a preocupação reside no fato de que a comunicação individual, realizada fora de um controle institucional adequado, pode criar riscos para a proteção e dificultar às escolas o cumprimento de limites profissionais e responsabilidade.

O departamento está estudando como as ferramentas existentes, incluindo códigos de conduta modelo e outros mecanismos de gestão escolar, podem ajudar as escolas e conselhos escolares a desenvolver políticas sobre comunicação digital no nível da escola. Hala acrescentou que um princípio chave que estão considerando é que a comunicação deve, sempre que possível, ocorrer por canais transparentes e responsáveis, e não por conversas privadas e não controladas individuais.

Ele também observou que «a comunicação em grupos relacionados à escola pode ocorrer através de grupos devidamente formados, onde existem regras claras sobre o objetivo do grupo, conteúdo apropriado, comportamento, participação e responsabilidade».

O departamento lembrou que as escolas não precisam esperar por medidas adicionais para tomar providências contra condutas inadequadas. A legislação existente, padrões profissionais, quadros de emprego e mecanismos de proteção aos alunos já são aplicados aos professores. Foi destacado que a comunicação inadequada, explicitamente sexual, exploratória ou ofensiva com um aluno pode ser considerada uma falta grave e, dependendo das circunstâncias, pode levar a exigências de notificação legal e encaminhamento ao órgão de aplicação da lei ou à autoridade de proteção à criança.

Ryan van den Berg, consultor jurídico da Federação de Órgãos Gestores de Escolas Sul-Africanas (FEDSAS), afirmou que as escolas precisam de regras claras sobre quando e como os professores devem se comunicar diretamente com os alunos. Ele acredita que a comunicação individual após o horário de trabalho deve ser, em geral, limitada, exceto em emergências ou quando o aluno necessita de apoio, proteção ou cuidado. Van den Berg enfatizou que «o tempo de trabalho após o fim do dia deve ser respeitado tanto pelos alunos quanto pelos professores, que também têm famílias e vida pessoal». Ele sugeriu que as escolas considerem estabelecer um horário de término de trabalho, por exemplo, às 16h ou 18h, dependendo de sua situação. Ele também apoiou o uso de sistemas oficiais de comunicação da escola em vez de os professores dependerem de contas pessoais em redes sociais. «Nós apoiamos um canal e plataforma de comunicação formal e oficial, e não uma plataforma de rede social», declarou ele. Ao usar grupos do WhatsApp, ele aconselhou que a comunicação preferencialmente deve ser visível para outros, e não ocorrer em particular entre professor e aluno.

A pesquisadora da Equal Education, Yolisa Piliso, observou que o problema não deve se resumir apenas à tecnologia utilizada. Ela declarou: «Além de focar apenas nas ferramentas digitais, gostaríamos que a discussão deste problema também incluísse um foco no comportamento humano, ética, moral e valores». Piliso apontou que a África do Sul já possui uma base constitucional e legislativa substancial que regula os direitos e deveres de alunos e professores, e o foco deve estar em sua implementação e garantia de conformidade. Ela enfatizou a necessidade de medidas de proteção para os alunos sem restringir injustificadamente as relações educacionais legais. «O objetivo não deve ser criar um ambiente altamente regulamentado onde a interação normal entre alunos e professores seja desnecessariamente limitada. Em vez disso, o objetivo deve ser estabelecer limites claros, responsabilidade e medidas de proteção mantendo relações educacionais saudáveis».

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