Uma jovem equipe de inovadores no Quênia está aplicando robótica para superar um dos obstáculos enfrentados por alunos com deficiência auditiva: o acesso ao aprendizado em língua de sinais.
Embora esta tecnologia ainda esteja em fase de desenvolvimento, seus criadores acreditam que ela poderá tornar os assuntos técnicos mais acessíveis para estudantes com perda auditiva no futuro.
Em uma sala de aula em Nairóbi, a comunicação ocorre em grande parte através de gestos. No entanto, para estudantes surdos, dominar disciplinas complexas representa um desafio especial, especialmente quando o vocabulário necessário para explicar matemática, ciência ou tecnologia não está presente nos sinais que eles conhecem.
Eva Avino, professora na escola secundária para surdos Kasarani Treeside Secondary School for the Deaf, observou: «Eu leciono física, e na maioria das vezes entendemos que os conceitos que ensinamos e a maneira como posso expressar o conceito se tornam um problema em algum momento devido aos sinais e ao vocabulário necessários para expressar esse conceito».
É exatamente este problema que a startup queniana ZeroBionic tenta resolver. Em seu laboratório em Nairóbi, engenheiros estão ensinando máquinas a se comunicar em língua de sinais.
Para a cofundadora Nora Kimati, a ideia começou com algo muito mais simples. Kimati relatou: «Começamos apenas com braços robóticos básicos. Como a língua de sinais é totalmente baseada nas mãos, decidimos começar pelas mãos e ver como sairia. Depois, recebemos feedback de que muito na língua de sinais depende dela».
Ela continuou: «Por exemplo, fazer isso significa mais de cinco coisas diferentes em uma determinada língua de sinais, dependendo das suas expressões faciais. Foi então que decidimos construir um humanoide completo, incluindo o rosto, incluindo os olhos, tudo para capturar todos os sinais não verbais que estão presentes atualmente».
No entanto, ensinar uma máquina a fazer sinais exige mais do que apenas hardware; são necessários dados. Quando a ZeroBionic começou a procurar conjuntos de dados de línguas de sinais africanas, a equipe relatou que havia muito pouco material para trabalhar.
No laboratório, cada movimento é registrado, gravado e convertido em dados que podem treinar o sistema. A ZeroBionic afirma que o objetivo atual é tornar a tecnologia mais inteligente, precisa e útil no mundo real. Para os estudantes que acompanham o desenvolvimento dessa tecnologia, ela simboliza algo mais do que apenas uma máquina.
