Reabilitação de casa rural em Perucho transforma depósito em ateliê com foco em sustentabilidade
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Reabilitação de casa rural em Perucho transforma depósito em ateliê com foco em sustentabilidade

A casa original, localizada na área rural de Perucho, a 35 km de Quito, era uma estrutura simples construída com blocos de concreto e inicialmente servia como depósito. Com o tempo, o local começou a ser habitado, recebendo diversos reparos improvisados, o que tornou necessária uma reabilitação completa para revitalizar e valorizar o espaço.

Os problemas centrais da edificação incluíam a escassez de iluminação natural e a pouca conexão visual com o entorno, tanto próximo quanto distante. O interior era caracterizado por ser frio e apresentar umidade nas paredes. Adicionalmente, a cobertura original estava em estado precário, correndo risco de colapso devido à sua estrutura sobrecarregada e às peças quebradas das telhas de barro.

Diante desses desafios e com um orçamento limitado, a decisão foi aproveitar a infraestrutura já existente, promovendo a reciclagem dos espaços. O projeto foi concebido como uma casa-ateliê, priorizando uma arquitetura que fosse acessível e funcional.

O projeto arquitetônico focou em reimaginar o telhado como uma oportunidade de melhoria. Foi implementada uma cobertura mais leve, utilizando telha metálica, estrutura de eucalipto roliço (escolhida por ser econômica e de fácil acesso), isolamento térmico feito com fibra de coco, isolamento acústico com caixas de ovos e bambu trançado para cobrir grandes superfícies rapidamente.

Com a alteração da cobertura, houve ganho de altura suficiente para acomodar duas novas áreas de descanso sob o teto, denominadas «dois ninhos», aproveitando as vigas pré-existentes. A casa, antes um espaço fechado, passou a se conectar com a árvore vizinha (o Cholán, espécie nativa), os campos e as montanhas distantes, através da abertura de duas fachadas envidraçadas. Essa elevação do telhado, sem alterar as paredes originais, possibilitou a entrada de luz durante o dia e a circulação de ar.

Na base da construção, foram criadas soluções para drenagem, simulando o uso de botas de borracha para combater a umidade. Também foi instalada uma estação de tratamento de águas cinzas e as paredes de bloco existentes receberam reforços estruturais para consolidar o sistema.

Mantendo a configuração original da casa, o projeto buscou dialogar com o que já existia e integrar os recursos disponíveis. No piso térreo, uma parede foi removida, unificando todo o ambiente para formar um amplo espaço de convívio. Este espaço mantém uma distinção de dinâmicas, definida pelas funções que ocorrem no andar superior.

Durante o desmonte do telhado antigo, vigas e tábuas de madeira foram reutilizadas para construir um contrapiso e nivelar a cozinha e a sala, que agora estão integradas ao jardim. Além disso, o ateliê foi posicionado ao lado da entrada e também adjacente ao banheiro. A modificação do volume espacial resultou em um enriquecimento significativo da vivência dos moradores.

Em suma, trata-se de uma construção artesanal que visa solucionar necessidades de maneira eficiente e econômica, empregando materiais de rápida instalação que, simultaneamente, oferecem conforto aos seus ocupantes. É uma casa-ateliê que concretiza aspirações e reformula novos desafios em termos de sua organização espacial e potencialidades.

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Era fundamental manter intactas as construções originais, visto que elas possuem um grande valor sentimental para a família. Estas estruturas foram adaptadas para abrigar espaços mais privados, como quartos, banheiros e um escritório com sala de televisão particular.

Para estabelecer um local de convívio familiar, a equipe de arquitetura incorporou um novo bloco caracterizado por belas fachadas de tijolos em arco. Este novo volume se abre para a paisagem ao redor, oferecendo ambientes arejados e abertos durante o verão, mas aconchegantes e aquecidos no inverno.

No centro deste novo espaço encontra-se a ilha da cozinha, que divide a área em dois setores distintos: um dedicado às refeições, conversas, jogos de tabuleiro ou ao tempo de tela com as crianças, e outro destinado ao descanso junto à lareira, ideal para leitura e relaxamento.

O produto final é um projeto extremamente detalhado, resultado de um empenho sincero, constituindo uma obra que honra seu ambiente e consegue reunir diversas gerações da família sob o mesmo teto.

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Essa hesitação levou à decisão de preservar a antiga construção, o que acabou integrando duas facetas da vida dos proprietários: a moradia e a prática da arquitetura. Dessa forma, a edificação histórica foi transformada em seu lar e serviu como palco para testar suas próprias crenças sobre o campo da arquitetura.

Galeria do Projeto

O projeto foi apresentado pela equipe de projeto e está disponível para visualização na galeria.

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Os proprietários buscavam transformar o espaço em um local bem iluminado, arejado e adequado para receber familiares. O projeto, que levou aproximadamente um ano e meio para ser finalizado, teve como objetivo principal manter as características originais da edificação, ao mesmo tempo em que atualizava o layout para suprir as necessidades atuais.

Para atender aos pedidos dos moradores por melhor iluminação natural e ventilação cruzada, foram implementadas modificações estratégicas no interior. No pavimento térreo, a cozinha foi integrada à sala de jantar, e novas passagens foram criadas para ligar a sala de TV ao hall de entrada.

A área externa, que totaliza 80 m², passou por grandes mudanças: o revestimento do piso foi trocado por cerâmica rústica em tom terracota, as jardineiras foram redesenhadas, e o espaço foi complementado com uma piscina e uma área de churrasqueira.

Nos fundos do terreno, a edícula foi reorganizada para funcionar como escritório no andar superior, e foi destinado um espaço multifuncional para os netos no nível térreo.

A concepção visual do projeto harmonizou os acabamentos originais restaurados com novos materiais, utilizando uma paleta neutra composta por tons de bege e madeira. Os pisos originais de taco em peroba-do-campo e os degraus da escada foram recuperados, criando contraste com o piso de granilite rosado, feito especificamente para a cozinha, e os tijolos aparentes da sala de jantar.

As fachadas conservaram seu estilo da época, pintadas em creme, enquanto as janelas restauradas e as novas ferragens receberam um acabamento em azul-claro. Essa cor também foi repetida na cobertura metálica da área externa. A decoração foi minimalista, misturando peças clássicas do acervo dos clientes com itens de design brasileiros, incluindo móveis de Fernando Jaeger, Lider Interiores e do designer Cabiúna.

Apesar da modernização, a execução demandou grande precisão técnica da equipe. O maior obstáculo do projeto residiu em adaptar o projeto original da década de 1950 — uma construção típica daquele período, feita sem um planejamento arquitetônico detalhado — às novas exigências, tudo isso sem a necessidade de realizar reforços estruturais.

A solução encontrada foi focar em intervenções mínimas, evitando demolições extensivas e dando prioridade à criação de novas aberturas e ampliações em pontos específicos.

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