O avanço dos Houthis representa uma ameaça direta ao Mar Vermelho, ao Canal de Suez e ao comércio marítimo global, conforme alertou Rashad al-Alimi. Ele enfatizou que qualquer ação militar próxima a Bab al-Mandeb não deve ser vista apenas como um assunto interno do Iêmen, dado o impacto direto nas vias navegáveis internacionais cruciais.
Em um comunicado emitido após reunião com o embaixador egípcio Ihab Abu Saree, o líder do Governo iemenita internacionalmente reconhecido acusou os Houthis de estarem progredindo pela costa ocidental com o apoio de especialistas vinculados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e grupos aliados.
Essas alegações surgem em um momento de intensificação dos confrontos na costa ocidental do Iêmen e do avanço dos rebeldes iemenitas, apoiados pelo Irã, em direção a pontos estratégicos no Mar Vermelho. Os Houthis tomaram o controle da cidade de Mocha hoje, um avanço significativo rumo ao estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Os eventos atuais são consequência do reinício do conflito no Iêmen em julho, embora este tenha sido iniciado em 2014 e mantido sob uma trégua desde 2022, tudo isso ocorrendo sob o contexto da guerra no Oriente Médio.
Rashad al-Alimi declarou que o Irã busca capacitar os Houthis para influenciar o estreito de Bab al-Mandeb e o Mar Vermelho, visando desviar a pressão sobre Teerão para a região, o comércio internacional e os mercados globais.
O estreito de Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e funciona como uma passagem marítima essencial entre a Europa e a Ásia, servindo como rota alternativa ao bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, lançada em 28 de fevereiro.
Por sua vez, os Houthis afirmaram hoje que a navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab al-Mandeb está 'segura' e ocorre normalmente após seus avanços na costa oeste do Iêmen. Mohamed Abdulsalam, porta-voz e principal negociador dos rebeldes, declarou na rede social X que as operações atuais possuem metas específicas e são de natureza defensiva, prometendo cessar quando a agressão contra o Iêmen terminar e o bloqueio for suspenso.
O 'bloqueio' mencionado pelos Houthis refere-se às restrições impostas desde 2015 pela coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita, que apoia o Governo iemenita reconhecido internacionalmente, em áreas controladas pelos rebeldes, principalmente portos e aeroportos.
Contudo, Abdulsalam também ressaltou que a 'paz real, justa e honrosa' permanece como opção estratégica dos Houthis, defendendo relações baseadas na boa vizinhança, no respeito mútuo e em interesses compartilhados. O porta-voz acrescentou que os rebeldes não possuem 'nenhuma ambição territorial em relação aos países vizinhos, árabes, islâmicos ou de qualquer outra natureza' e que 'não iniciaram qualquer agressão contra qualquer nação'.
Após seus avanços na costa oeste do Iêmen, os Houthis reportaram dezenas de ataques aéreos sauditas nas últimas 24 horas. Yahya Saree, porta-voz do grupo iemenita e citado pela agência Saba, informou que aeronaves sauditas realizaram 64 ataques aéreos nas províncias de Taiz, Hodeida, Marib e al-Jawf, utilizando caças F-15 e Typhoon, lançados a partir de bases na Arábia Saudita.
Os Houthis fazem parte do chamado eixo da resistência, composto por grupos políticos e armados apoiados pelo Irã, juntamente com o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque. Desde julho, eles decretaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e atacaram diversos navios do reino árabe.
