Um ex-colaborador da Anthropic renunciou nesta terça-feira, dia 08/09, utilizando a oportunidade para criticar a irresponsabilidade da empresa e de outras grandes corporações de tecnologia no campo do desenvolvimento de inteligência artificial. Jacob Coxon divulgou uma carta aberta detalhando sua vivência nos últimos três anos, tanto na companhia criadora do Claude quanto na OpenAI, responsável pelo ChatGPT.
Coxon expressou a crença de que os profissionais envolvidos no desenvolvimento de IA 'sinceramente acreditam que a tecnologia pode matar todos nós até o final da década'. Ele aponta que o risco reside na criação de uma superinteligência com capacidade de autoaperfeiçoamento, ou seja, de identificar falhas e aprimorar-se autonomamente.
Segundo Jacob, as IAs em breve terão a capacidade de acessar qualquer tipo de dado, dominar qualquer assunto e possuir autonomia. Este tema gerou grande debate, e outros especialistas validaram os riscos mencionados, embora tenham destacado os esforços existentes para mitigá-los.
Embora exista uma percepção de risco dentro da Anthropic, Jacob observou que o objetivo principal da empresa é atingir a superinteligência antes dos concorrentes, independentemente dos custos. Isso implica o desenvolvimento de uma IA autossuficiente, apta a tomar decisões e melhorar suas capacidades sem intervenção humana.
Para sustentar essa tese, ele mencionou sinais recentes que demonstram o caráter arriscado do ritmo de progresso das IAs, citando o incidente no Hugging Face. Em julho, um ataque utilizando modelos da OpenAI conseguiu burlar os mecanismos de segurança e comprometer os sistemas do site e da própria desenvolvedora.
Em relação a este episódio, a OpenAI reconheceu que se trata de um sinal de alerta e que é necessário investir em salvaguardas. A empresa chegou a mencionar a intenção de 'controlar o ritmo' do desenvolvimento, uma preocupação que tem sido levantada pela rival Anthropic. É relevante notar que os lançamentos dos modelos GPT-5.6 e Mythos 5 foram adiados, justificadamente por serem considerados excessivamente avançados para o público em geral.
Jacob sugeriu que uma 'ação coordenada' seria um método eficaz para moderar o avanço acelerado entre as empresas americanas, mas manifestou apreensão com a competição em escala mundial. Atualmente, as duas maiores empresas deste setor são as gigantes de tecnologia dos Estados Unidos, mas a China também demonstra um avanço rápido.
O alerta de Jacob ganhou destaque por abordar riscos diretos à vida humana, reforçando que os responsáveis pelas IAs 'sinceramente' têm essa convicção. Outros especialistas que trabalham no desenvolvimento dos modelos atuais também compartilharam esse temor.
Evan Hubinger, líder do departamento de alinhamento científico da Anthropic, confirmou a possibilidade desses riscos, afirmando que a empresa já se posicionou sobre eles. Anna Wang, ex-pesquisadora do Google DeepMind e atualmente na Anthropic, endossou as alegações de Jacob, declarando que não existem planos viáveis para frear os processos de autoaperfeiçoamento recursivo das IAs.
Certos aspectos levantados pela Anthropic dão substância à preocupação, como a habilidade das IAs atuais de operar sozinhas para contornar proteções de segurança, agir de maneira maliciosa e até mesmo criar armas biológicas e químicas.
Jacob propôs que uma colaboração entre empresas de IA seria o caminho ideal para negociar acordos que desacelerem o desenvolvimento tecnológico nos EUA. Sua proposta ecoa o Project Glasswing, iniciativa da Anthropic que reuniu parceiros para estudar e criar ferramentas de segurança antes do lançamento público do Claude Mythos. A participação do governo dos Estados Unidos neste grupo restrito estava prevista, visto que a administração Trump suspendeu temporariamente o lançamento dos modelos mais recentes da empresa. Contudo, não há informações sobre o envolvimento de outros governos neste projeto.
Iniciativas similares estão ocorrendo com outro ator proeminente em IA: a China. Recentemente, Brasil, Rússia e outros países do Sul Global estabeleceram a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO). O objetivo é promover uma atuação conjunta para discutir o desenvolvimento das IAs, garantindo uma perspectiva humana para essa tecnologia.

