A instabilidade do fornecimento de eletricidade nas fazendas acarreta sérios problemas: paralisação de bombas de irrigação, aquecimento de câmaras frigoríficas, exposição de aves ao frio ou calor e aumento de custos devido à perda de produção. Para os agricultores sul-africanos, que já enfrentam o aumento dos custos de recursos, eletricidade não confiável e mudanças climáticas, a questão energética torna-se criticamente importante.
Nesse sentido, cada vez mais agricultores estão considerando alternativas à rede nacional, prestando atenção aos painéis solares, baterias de armazenamento e até ao uso de resíduos agrícolas como fontes de energia.
A transição para fontes de energia renováveis também faz parte da resposta da agricultura às mudanças climáticas. Além de procurar uma energia mais acessível e confiável, o abandono dos combustíveis fósseis ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor.
Lerato Aliu, criadora comercial de aves sediada em Katabooshfontein, diretora geral da Roadgrass Investments, está integrando a energia renovável nos planos de sua fazenda para aumentar a sustentabilidade e reduzir custos. Embora a fazenda ainda não tenha feito a transição completa para o fornecimento de energia autônomo, Aliu está em processo de aprovação de um plano para implementar a energia solar.
Sua abordagem baseia-se no uso de recursos já existentes na fazenda, em vez de criar um sistema do zero. Aliu observou que o objetivo da transição é reduzir os custos de eletricidade em pelo menos 20% nos próximos meses.
Além da economia, este passo visa aumentar a resiliência contra interrupções de energia e falhas repentinas no fornecimento. Para ela, a confiabilidade da energia tornou-se tão importante quanto o seu custo. Uma das principais lições foi o estudo de recursos disponíveis, como o pó de esterco de galinhas, que pode se tornar uma fonte de energia subutilizada.
Aliu enfatizou que a escolha de um sistema solar adequado requer um plano cuidadoso, que deve levar em conta os custos iniciais, a necessidade real de energia e a compatibilidade do sistema com os equipamentos existentes. Seu conselho a outros agricultores é não apressar o planejamento e estudar cuidadosamente os resíduos ou subprodutos que podem ser convertidos em energia.
O economista agrícola de Gauteng, Dr. Sifwe Zantsi, acredita que a energia já representa uma parte significativa dos custos de produção dos agricultores, e o aumento dos preços dos combustíveis e da eletricidade intensifica a pressão sobre os lucros já limitados. Para os agricultores capazes de cobrir os investimentos iniciais em sistemas solares e outras fontes renováveis, a economia a longo prazo pode influenciar significativamente o resultado financeiro.
Após o retorno do investimento no equipamento, grande parte dos fundos anteriormente gastos em energia permanece no negócio, embora existam custos de manutenção. Isso é especialmente relevante para pequenos agricultores com margens mais estreitas. No entanto, o principal problema são os custos iniciais. Zantsi sugere que proprietários rurais pequenos unam forças para cobrir conjuntamente os custos de instalação de sistemas renováveis.
Ele também alerta que a redução do custo da energia para os agricultores não necessariamente levará à diminuição dos preços dos alimentos, pois os agricultores são em grande parte tomadores de preços, e os preços são determinados por forças de mercado. Ele acrescentou que a redução dos preços dos alimentos pode ocorrer se as fontes renováveis forem utilizadas por processadores e distribuidores.
A ativista ambiental de Cidade do Cabo e fundadora da Blackgirls Rising, Soli Fuyani, afirma que a energia renovável ajudará a agricultura sul-africana a responder à crescente pressão das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, melhorará a segurança energética nas fazendas. A agricultura está na intersecção dos problemas do país em energia, abastecimento de água e clima, e os agricultores já lutam contra secas, chuvas imprevisíveis, inundações e aumento da temperatura.
Para Fuyani, o valor da energia renovável vai além da simples redução das contas de eletricidade. A energia solar pode sustentar a irrigação, refrigeração e processamento, diminuindo a dependência das fazendas da eletricidade gerada a partir do carvão. Ela acredita que isso deve fazer parte de um movimento mais amplo em direção à agricultura climaticamente inteligente, juntamente com a melhoria da gestão de recursos hídricos, a recuperação do solo e a proteção da biodiversidade. Ao mesmo tempo, ela insiste que 'renovável não significa automaticamente ausência de impacto'.
Fuyani também aponta a necessidade de considerar o local da infraestrutura solar, seu impacto nas terras produtivas e ecossistemas, bem como o destino dos painéis solares e baterias no final de sua vida útil. Ela acredita que a transição deve abranger pequenos e novos agricultores através de financiamento acessível, suporte técnico e infraestrutura comum, como sistemas solares, de refrigeração e de irrigação comunitários.
O Professor Samson Mampheveli, chefe do Secretariado de Energia do DSTI no Instituto Nacional de Desenvolvimento de Energia da África do Sul (SANEDI), observa que a decisão de abandonar a dependência total da rede nacional é em grande parte impulsionada por questões de segurança energética e pelo aumento do custo da eletricidade. Para os agricultores, o fornecimento de eletricidade não confiável pode ter consequências que vão muito além da conta de luz. O roubo de cabos, cortes e desligamentos programados podem interromper a irrigação, refrigeração, processamento e pecuária, levando potencialmente a perdas diretas na produção.
Mampheveli afirma que os sistemas solares e outras fontes renováveis podem oferecer aos agricultores uma alternativa mais barata e confiável com um período de retorno relativamente curto. Ele enfatiza que o tamanho da fazenda não é um fator decisivo no projeto de um sistema de energia renovável; o mais importante é a avaliação da demanda específica de energia da fazenda, que deve ser realizada por um engenheiro ou eletricista qualificado.
Além da economia, um fornecimento de eletricidade estável protege a produção. Por exemplo, uma interrupção de energia em uma granja de aves no inverno pode levar à morte das aves por frio, e uma interrupção em uma fazenda de leite pode colocar em risco o leite armazenado em câmaras frigoríficas. Mampheveli conclui que o cálculo correto do tamanho do sistema é a chave para garantir o retorno esperado do investimento, enfatizando: 'O sistema deve ser devidamente dimensionado por um engenheiro qualificado.'
