Projeto Casa Florinda por Alvariño & Felipe Arquitetos
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

Projeto Casa Florinda por Alvariño & Felipe Arquitetos

A equipe de projeto da Casa Florinda inicialmente enfrentou um dilema ao adquirir o terreno para construir sua residência: o que fazer com a antiga casa de terra que se encontrava em estado de ruína no local. Apesar de os planos iniciais envolverem a demolição dessa estrutura, houve um sentimento que impedia a remoção, devido à forma como ela parecia pertencer ao ambiente.

Essa hesitação levou à decisão de preservar a antiga construção, o que acabou integrando duas facetas da vida dos proprietários: a moradia e a prática da arquitetura. Dessa forma, a edificação histórica foi transformada em seu lar e serviu como palco para testar suas próprias crenças sobre o campo da arquitetura.

Galeria do Projeto

O projeto foi apresentado pela equipe de projeto e está disponível para visualização na galeria.

Histórias semelhantes

Reforma de casa dos anos 50 em São Paulo: preservação histórica com modernização funcional
Leia mais
archdaily.com.br

Reforma de casa dos anos 50 em São Paulo: preservação histórica com modernização funcional

O escritório Península Arquitetura realizou uma reforma completa em uma casa de vila localizada no bairro de Perdizes, São Paulo. Este imóvel, datado da década de 1950, possui 200 m² de área construída e havia sido adquirido por um casal de empresários e seus avós, que são clientes habituais do escritório.

Os proprietários buscavam transformar o espaço em um local bem iluminado, arejado e adequado para receber familiares. O projeto, que levou aproximadamente um ano e meio para ser finalizado, teve como objetivo principal manter as características originais da edificação, ao mesmo tempo em que atualizava o layout para suprir as necessidades atuais.

Para atender aos pedidos dos moradores por melhor iluminação natural e ventilação cruzada, foram implementadas modificações estratégicas no interior. No pavimento térreo, a cozinha foi integrada à sala de jantar, e novas passagens foram criadas para ligar a sala de TV ao hall de entrada.

A área externa, que totaliza 80 m², passou por grandes mudanças: o revestimento do piso foi trocado por cerâmica rústica em tom terracota, as jardineiras foram redesenhadas, e o espaço foi complementado com uma piscina e uma área de churrasqueira.

Nos fundos do terreno, a edícula foi reorganizada para funcionar como escritório no andar superior, e foi destinado um espaço multifuncional para os netos no nível térreo.

A concepção visual do projeto harmonizou os acabamentos originais restaurados com novos materiais, utilizando uma paleta neutra composta por tons de bege e madeira. Os pisos originais de taco em peroba-do-campo e os degraus da escada foram recuperados, criando contraste com o piso de granilite rosado, feito especificamente para a cozinha, e os tijolos aparentes da sala de jantar.

As fachadas conservaram seu estilo da época, pintadas em creme, enquanto as janelas restauradas e as novas ferragens receberam um acabamento em azul-claro. Essa cor também foi repetida na cobertura metálica da área externa. A decoração foi minimalista, misturando peças clássicas do acervo dos clientes com itens de design brasileiros, incluindo móveis de Fernando Jaeger, Lider Interiores e do designer Cabiúna.

Apesar da modernização, a execução demandou grande precisão técnica da equipe. O maior obstáculo do projeto residiu em adaptar o projeto original da década de 1950 — uma construção típica daquele período, feita sem um planejamento arquitetônico detalhado — às novas exigências, tudo isso sem a necessidade de realizar reforços estruturais.

A solução encontrada foi focar em intervenções mínimas, evitando demolições extensivas e dando prioridade à criação de novas aberturas e ampliações em pontos específicos.

Projeto Casa Galería / Sommet: Arquitetura integrada a terreno de forte declive
Leia mais
archdaily.com.br

Projeto Casa Galería / Sommet: Arquitetura integrada a terreno de forte declive

A Casa Galería, projetada pela equipe de projeto, foi implantada em um terreno caracterizado por um forte declive. A premissa central do projeto consistiu em entender a topografia não como um obstáculo a ser superado, mas sim como o elemento estruturante da obra. O formato natural do terreno ditou a disposição do projeto, organizou o programa funcional e definiu as interconexões entre os ambientes internos, a vegetação circundante e a paisagem.

O acesso tanto para veículos quanto para pedestres ocorre pelo nível inferior, onde se encontra o subsolo. Este nível subterrâneo abriga a garagem, a área técnica, um banheiro e depósitos. A partir deste ponto de entrada, um sistema de circulação vertical, composto por escada e elevador, liga os diversos andares da residência.

No térreo, foram dispostas três suítes juntamente com as áreas de serviço. Já o pavimento superior, situado na cota mais elevada do terreno, concentra os espaços de convívio social, incluindo a cozinha, a sala de jantar, a sala de estar, a área de churrasqueira e a piscina. A suíte principal também está localizada neste andar superior, orientada para aproveitar as vistas e as copas das árvores já existentes no local.

A concepção em corte permitiu que o programa arquitetônico se ajustasse à inclinação sem ignorar sua característica natural. O trajeto vertical conduz progressivamente o usuário por diferentes níveis de interação com o ambiente externo, começando pelos espaços mais fechados na base e avançando para as áreas sociais abertas voltadas para a paisagem. Dessa forma, a casa foi pensada como uma ligação contínua entre o interior e o exterior, transformando a vegetação de um simples cenário em uma parte integrante da vivência doméstica.

A seleção de materiais empregada — concreto aparente, madeira, metal e vidro — estabeleceu uma relação intencional entre a noção de massa e a de transparência. O concreto serve para criar a ligação com o solo e definir a fundação, enquanto grandes painéis de vidro abrem os espaços para o exterior, facilitando a ventilação cruzada e mantendo a continuidade visual entre o interior, o jardim e a paisagem.

Painéis metálicos com microperfurações funcionam como complementos a essa condição, atuando como filtros solares para controlar a entrada de luz sem romper totalmente a conexão visual com o entorno. Sobre esta base, o pavimento superior adquire uma aparência quase suspensa. Um balanço de quase cinco metros foi possibilitado através do uso de uma viga invertida e tirantes diagonais que ficam escondidos atrás dos painéis microperfurados.

Essa abordagem estrutural diminui a visibilidade dos elementos de suporte e intensifica a sensação de uma caixa que se projeta sobre o terreno. Consequentemente, a estrutura não apenas garante o equilíbrio do volume, mas também contribui ativamente para a expressão arquitetônica geral. Assim, a arquitetura alcança um equilíbrio entre peso e leveza: parte da casa se fixa na encosta, enquanto outra parece se desvincular dela. A transparência, nesse meio termo, assegura que a residência mantenha um vínculo constante com a luz, a paisagem e a vegetação, emergindo do declive em vez de apenas repousar sobre ele.

Popular