A França registrou o verão mais quente desde o início dos registros históricos, conforme anunciado durante uma coletiva de imprensa sobre a análise climática dos meses de junho, julho e setembro. Virginie Schwarz, diretora do Météo France, classificou o volume de dias quentes como algo «realmente excecional».
O recorde anterior de dias quentes havia sido estabelecido em 2022, com um total de 33 dias. A agência meteorológica define as ondas de calor como o período em que o indicador térmico nacional (média das estações meteorológicas de referência) ultrapassa 25,3 graus Celsius e só termina quando esse indicador cai abaixo de 23,4 °C por mais de dois dias seguidos.
Schwarz também apontou que a frequência com que as estações do Météo France superaram os 40 °C aumentou significativamente neste ano comparado a um verão padrão, resultando em um número inédito de dias de onda de calor em França. Monique Barbut, ministra da Ecologia de França, presente no evento, confirmou que se trata do «verão mais quente alguma vez registado desde o início das medições em 1900».
Os picos de calor mais intensos ocorreram no final de junho (entre os dias 17 e 30), seguidos por períodos em julho (de 04 a 19) e outro em agosto (de 28 de julho a 19 de agosto).
O calor extremo provocou um número preliminar superior a 7.300 mortes adicionais em França, um valor inferior aos 15.000 registrados no verão histórico de 2003. Além disso, o país enfrentou incêndios severos, como o que atingiu partes da Gironda. Monique Barbut informou que, no final de agosto, os focos de incêndio florestal haviam queimado seis vezes mais área do que a média dos últimos vinte anos.
A ministra levantou questões sobre o futuro climático, questionando se este verão será o início de uma série de recordes ou um momento crucial para implementar estratégias de adaptação e mitigação, como a redução das emissões de gases de efeito estufa, pedindo um «eletrochoque». Ela afirmou que a França estava entre as mais preparadas na Europa, apesar das críticas de oposição e ONGs sobre a inação governamental desde o início do verão.
Os efeitos do calor foram variados, incluindo perturbações nos exames escolares, o encerramento de reatores nucleares e ameaças às colheitas. Roland Lescure, ministro da Economia, reconheceu o «impacto absolutamente aterrador» das sucessivas ondas de calor.
No final de julho, Sébastien Lecornu, primeiro-ministro, incumbiu Monique Barbut de apresentar novas ações para acelerar a implementação do Plano Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas. A ministra comprometeu-se a entregar conclusões até o fim de setembro, juntamente com um plano de financiamento de cinco anos.
Barbut enfatizou a necessidade de proatividade, declarando que «não vamos sofrer acontecimentos, esperar que aconteçam para tomar decisões», e instou a preparar o próximo verão como se fosse igual. Ela admitiu que nem todas as escolas seriam renovadas até o próximo verão, mas mencionou a possibilidade de instalar coberturas e ventiladores. Da mesma forma, embora a diversificação das espécies florestais não fosse concluída antes da próxima onda de calor, ela sugeriu soluções rápidas para melhorar o acesso dos bombeiros.