O MASP inaugurou na sexta-feira, dia 11, uma nova passagem subterrânea que liga os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, localizados na Avenida Paulista. Este túnel possui 50 metros de comprimento e abriga uma obra nunca antes vista de Beatriz Milhazes, criada especificamente para este novo espaço. O museu informou que esta é a primeira construção subterrânea desta dimensão em uma instituição artística na América Latina.
A nova passagem oferece aos visitantes a possibilidade de percorrer toda a programação do museu de maneira ininterrupta e também servirá para o transporte de equipamentos e obras de arte. O espaço mede 5 metros de largura por 2,5 metros de altura e dispõe de claraboias que permitem aos transeuntes na Avenida Paulista observar quem passa por ali.
A Obra Pietrolina
É nesta passagem que se encontra a peça Pietrolina, uma pintura imersiva de Milhazes. A curadoria deste trabalho ficou a cargo de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Amanda Carneiro, curadora do museu. A obra totaliza 98 metros, sendo composta por 60 metros lineares de pintura complementados por elementos reflexivos dispostos em uma parede de 38 metros.
O título Pietrolina é uma homenagem ao casal fundador do MASP, Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, cujos nomes batizam os dois prédios do complexo. A concepção da composição baseou-se no ritmo e na sequência de elementos observados nos desfiles de Carnaval, utilizando diversas formas que se conectam conforme o público avança.
O processo criativo da obra iniciou-se com um esboço e evoluiu para um estudo cromático que definiu uma paleta composta por 33 tintas acrílicas. A fase de planejamento ultrapassou dois anos, enquanto a execução da pintura dentro da passagem consumiu três meses.
Em Pietrolina, são visíveis características marcantes da produção de Milhazes, tais como arabescos, listras, formas orgânicas e motivos florais. Além disso, o mural estabelece um diálogo com a obra Avenida Paulista (2020), também da artista, que foi incorporada ao acervo do MASP durante a mostra dedicada a ela, em 2020.
A pintura no túnel resgata o tom de azul que foi proeminente na exposição de Milhazes ocorrida seis anos antes. Segundo Amanda Carneiro, essa cor passou a ser denominada internamente como «Azul Beatriz» após cobrir o piso e as paredes do museu, e agora esse mesmo tom aparece no teto e em uma das paredes da passagem subterrânea.
Desenvolvimento e Construção do Projeto
O desenvolvimento do projeto da passagem teve início em 2019, e sua construção foi segmentada em seis fases distintas. Os trabalhos começaram em 2023 e exigiram estudos técnicos e aprovações de diversos órgãos, incluindo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Metrô de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb).
A obra sob a Avenida Paulista implicou o realocamento das redes de esgoto e água, assim como das infraestruturas de energia elétrica e telefonia. Foram executadas também escavações e a subsequente recomposição da calçada.
Para garantir que a circulação de pedestres não fosse interrompida, foi empregada uma metodologia de construção invertida: primeiramente, construiu-se o teto do túnel, e só depois a escavação foi realizada sob a estrutura existente. Durante todo o período das obras, a calçada sofreu apenas interdições parciais.
Sobre Beatriz Milhazes
Nascida no Rio de Janeiro em 1960, Beatriz Milhazes atua como pintora, gravadora e ilustradora. Sua produção artística é notável pelo uso intenso da cor, pela incorporação de estruturas geométricas, arabescos, elementos florais e outros detalhes decorativos, estendendo-se a técnicas como colagem, gravura, tapeçaria e escultura.
As criações de Milhazes fazem parte das coleções de instituições renomadas como o MoMA, nos Estados Unidos; a Tate Modern, no Reino Unido; e o Centro Georges Pompidou, na França. No Brasil, seus trabalhos podem ser vistos no MASP, na Pinacoteca de São Paulo e no MAM. Ela é reconhecida como uma das artistas brasileiras vivas mais valorizadas no cenário internacional de arte.
No MASP, a artista já realizou duas exposições individuais: «Beatriz Milhazes: Avenida Paulista», em 2020, e «Gabinete Beatriz Milhazes», em 2021. Ela também participou de edições das bienais de Sydney, São Paulo, Xangai e Veneza, além do Carnegie International.
