Ashok Lahiri, vice-presidente do NITI Aayog, observou que os dados transacionais gerados através do sistema UPI são capazes de melhorar o processo de avaliação de crédito e determinar riscos com mais precisão, contribuindo assim para a inclusão de pequenas, médias e microempresas (PMEs) no sistema de crédito oficial da Índia.
Ao participar do Global Fintech Festival (GFF), Lahiri enfatizou que a Índia precisa fortalecer a profundidade de seu mercado de crédito, utilizando os ricos dados provenientes do UPI para integrar o setor informal ao setor financeiro. Ele afirmou que esses dados ajudarão os bancos a aperfeiçoar a avaliação de empréstimos, calcular riscos de forma mais correta e conceder empréstimos a pequenas empresas que antes estavam fora do sistema de crédito formal.
Lahiri acrescentou que, embora a avaliação de crédito seja uma função chave do gerente bancário, a maior disponibilidade de dados financeiros pode tornar esse processo mais eficiente. Uma maior transparência no comportamento financeiro do mutuário permitirá aos credores avaliar os riscos com mais precisão e estabelecer condições de crédito adequadas.
Além disso, Lahiri apontou que, para se tornar uma economia desenvolvida, a Índia deve aumentar o nível de investimento. Embora o indicador atual seja de cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), no primeiro trimestre atingiu aproximadamente 34%. Ele comparou isso com a China e a Coreia, onde a participação dos investimentos no PIB excede o indicador indiano em pelo menos 10 pontos percentuais.
Apesar de os investimentos estrangeiros poderem trazer capital, tecnologia, acesso a cadeias globais de valor e conhecimento em produção em larga escala, Lahiri observou que a maior parte dos investimentos na Índia deve ser sustentada pelas poupanças internas. No entanto, a curto prazo, o fluxo de capital estrangeiro pode permanecer instável devido à incerteza na economia mundial, incluindo a militarização das tarifas, o colapso do sistema da Organização Mundial do Comércio (OMC) e interrupções causadas por inteligência artificial e tecnologias digitais.
Neste cenário, os investidores tornam-se mais propensos a evitar riscos. Lahiri também salientou que os investimentos, por si só, criam demanda, e as exportações fornecem uma fonte adicional dessa demanda.
O especialista apelou para o fortalecimento da cooperação entre o governo e a indústria no desenvolvimento de habilidades. A indústria deve participar na definição das competências necessárias e desempenhar um papel maior no desenvolvimento de currículos e programas de aprendizagem. A eficácia dos programas de treinamento deve ser medida pelo número de pessoas treinadas que encontram emprego na indústria.
Em relação à infraestrutura, Lahiri viu um potencial significativo para parcerias público-privadas (PPP), sendo o setor financeiro crucial na mobilização de capital de longo prazo e de risco. Ele observou que alguns projetos de infraestrutura podem ser implementados sob o modelo PPP, pois o setor financeiro sabe onde os fundos estão disponíveis e quem procura oportunidades de investimento de longo prazo e arriscado, enquanto os riscos podem ser minimizados graças a um acordo cuidadosamente elaborado entre o governo e o concessionário.
A monetização de ativos também pode ajudar a resolver as necessidades de infraestrutura da Índia, embora diferentes modelos de financiamento sejam necessários para diferentes projetos. O setor de manufatura está vendo um aumento nos investimentos em energia renovável e infraestrutura, e os centros de processamento de dados, semicondutores e fabricação eletrônica atraem o interesse de empresas indianas e estrangeiras.
O NITI Aayog identificou 14 setores com potencial futuro, mas Lahiri aconselhou os políticos a abordarem tais estudos com alguma cautela, em vez de tentar prever quais indústrias terão sucesso no final, comparando essa abordagem com o capital de risco, onde alguns investimentos falham e apenas poucos são extremamente bem-sucedidos.
Lahiri também abordou a antiga tendência da Índia de preferir ouro, ligando o acúmulo de metal precioso ao longo de gerações aos superávits comerciais históricos do país. No entanto, ele questionou se o ouro necessariamente traz um retorno de longo prazo maior, observando que seus dados sugerem que, em um período de 100 anos, o ouro pode ter gerado menor lucro do que depósitos bancários, sem mencionar o mercado de ações.
