Pesquisadores da empresa de segurança Calif desenvolveram uma ferramenta usando inteligência artificial que é capaz de penetrar em telefones móveis sem a necessidade de o usuário clicar em links ou arquivos. Este sistema foi criado em menos de uma semana.
O ataque, denominado WeWorm, explorou uma vulnerabilidade que permitia sequestrar contas e se espalhar entre contatos. Especialistas entrevistados pelo The New York Times alertaram que centenas de milhões de dispositivos poderiam ser afetados em questão de horas.
A ameaça utiliza um método conhecido como zero-click. Diferentemente do phishing, que exige a abertura de um link ou arquivo, este ataque não necessita de interação do usuário. De acordo com informações da Calif, basta atender ou deixar tocar uma chamada recebida para garantir a invasão.
Para prevenir o ataque, é necessário rejeitar a chamada alguns segundos após o primeiro sinal. Após assumir o controle da conta, o invasor pode ler e enviar mensagens, fazer chamadas e gerenciar o perfil. Sob certas condições, o acesso pode levar à completa compromatação do telefone.
O worm explorava o mecanismo de concessão de privilégios adicionais de aplicativos para números salvos como amigos. Assim que um contato era comprometido, essa relação de confiança ajudava a ameaça a atingir outros números na lista de contatos.
Características de rápida propagação
O ataque possuía várias características que contribuíram para sua rápida disseminação. Vinh Nguyen, ex-especialista sênior de dados da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), classificou este worm como uma das ameaças mais preocupantes que ele analisou. Ele afirmou que 'centenas de milhões de dispositivos' podem ser afetados em apenas algumas horas.
A Calif informou que combinou modelos de IA de código aberto com sistemas avançados desenvolvidos nos Estados Unidos. No entanto, a empresa não divulgou quais modelos foram utilizados.
Este caso chama a atenção para a rapidez com que a tecnologia pode ajudar na descoberta e exploração de vulnerabilidades. No entanto, a IA não fez todo o trabalho sozinha; os pesquisadores integraram as capacidades dos modelos com a experiência humana.
Informações adicionais
Durante um encontro com outros líderes em IA, Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou: 'Algumas coisas vão correr muito mal com a cibersegurança se algumas pessoas não agirem com grande urgência.'
A vulnerabilidade foi corrigida depois que a Calif entrou em contato com a empresa responsável pelo aplicativo afetado. A empresa declarou não ver motivos para acreditar que a vulnerabilidade colocou em risco a segurança ou afetou usuários, e também informou que nenhuma atualização do aplicativo é necessária.
Tai Duong, CEO da Calif, explicou que foi necessário rastrear o processo para transformar a vulnerabilidade em um worm. Este incidente demonstra como a combinação de IA e conhecimento especializado pode acelerar a transformação de uma vulnerabilidade em uma ameaça em larga escala.
