Cidades na Europa podem em breve obter mais ferramentas para restringir o aluguel turístico de curta duração se essa prática estiver exercendo pressão sobre o mercado imobiliário local.
A Comissão Europeia apresentou um projeto de Lei de Habitação Acessível (Affordable Housing Act), que inclui disposições permitindo às autoridades identificar áreas sob estresse habitacional e implementar medidas direcionadas para proteger a acessibilidade da moradia. O aluguel de curta duração é um elemento chave desta proposta.
Esta medida ocorre enquanto destinos populares europeus enfrentam o aumento do custo da habitação e preocupações de que as casas estejam sendo cada vez mais usadas para acomodação turística em vez de residência de longo prazo.
De acordo com o sistema proposto, as autoridades poderão impor restrições em zonas reconhecidas como sob pressão habitacional. As decisões serão baseadas em fatores como acessibilidade à moradia, tendências populacionais e o equilíbrio entre oferta e procura de habitação. As medidas devem ser proporcionais e não discriminatórias.
É importante notar que estas propostas não significam uma proibição pan-europeia do Airbnb ou de outros tipos de aluguel de curta duração. Em vez disso, visam dar mais liberdade de ação às cidades e outras autoridades onde a acomodação turística é considerada a causa da pressão habitacional local. A Comissão Europeia enfatiza que o aluguel de curta duração também traz benefícios econômicos às comunidades e ao turismo, portanto, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre turistas, anfitriões e residentes.
Anteriormente, a UE já introduziu novas regras de transparência para o aluguel de curta duração. A partir de 20 de maio de 2026, as novas normas exigem uma coleta e troca de dados mais rigorosas por parte dos anfitriões e plataformas online, fornecendo às autoridades informações melhores sobre este setor.
A questão da regulamentação não se limita à Europa. Cidade do Cabo também está considerando o endurecimento das regras de aluguel de curta duração. A lei municipal proposta para Cidade do Cabo em 2026 exige o registro dos imóveis afetados e pode potencialmente classificá-los como habitação comercial se forem usados para aluguel de curta duração por mais da metade do ano. O objetivo desta iniciativa é, entre outras coisas, estimular o retorno dos imóveis ao mercado de aluguel de longo prazo.
A Associação de Contribuintes da Cidade do Cabo saudou o princípio da regulamentação, mas questionou se as medidas propostas são suficientes para aumentar a oferta de moradias de longo prazo.
Para os viajantes, as mudanças podem, em última análise, resultar em regras diferentes dependendo do destino, especialmente em cidades onde a escassez de habitação e a procura turística pressionam os bairros residenciais.
A proposta da Comissão Europeia faz parte de esforços mais amplos para resolver a crise habitacional no continente. Espera-se que a Lei de Habitação Acessível crie uma base para a resposta das autoridades aos problemas habitacionais locais, mantendo os benefícios econômicos do turismo.
