Crescimento da aviação na Índia enfrenta problemas devido a preocupações com segurança
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Crescimento da aviação na Índia enfrenta problemas devido a preocupações com segurança

Apesar do rápido crescimento do setor aéreo indiano, que antes era visto como um símbolo de uma nação em ascensão, ele agora enfrenta sérias dificuldades relacionadas a questões de segurança e lacunas regulatórias.

Uma série de crises que afetaram as duas maiores transportadoras do país — Air India e IndiGo — expôs deficiências na segurança e regulamentação no terceiro maior mercado de aviação doméstica do mundo. A situação é complicada por turbulências geopolíticas que reduziram os lucros e forçaram as companhias aéreas a reavaliar seus planos de expansão.

A concentração do mercado também é um problema: Air India e IndiGo juntas detêm nove das dez vagas no mercado doméstico de transporte aéreo. Mark Martin, da Martin Consulting, observou que os últimos dois anos, 2025 e 2026, foram os mais sombrios para a reputação e confiança globais da Índia.

O último incidente ocorreu no início deste mês, quando um voo da Air India de Phuket (Tailândia) para Nova Delhi sofreu uma queda brusca de 300 pés, resultando em ferimentos para 24 passageiros. Este caso atraiu grande atenção após relatos de teste positivo de maconha do capitão na chegada, levando a Air India a realizar um rastreio único de todos os pilotos por drogas. Os resultados iniciais da investigação são esperados nas próximas semanas.

Para muitos observadores, este episódio faz parte de uma tendência mais ampla que mantém a Air India sob escrutínio desde o acidente do Boeing 787 Dreamliner em direção a Londres no ano passado, que vitimou 241 pessoas. Uma auditoria independente da Air India identificou cerca de 100 violações de segurança, incluindo sete que exigem 'ações corretivas urgentes' e 'lacunas de treinamento repetidas' para pilotos dos Boeing 787 e 777, de acordo com o relatório da comissão parlamentar.

Shakti Lumba, ex-chefe de operações da companhia aérea, afirmou que a cultura de segurança na Air India é 'fraca', enfatizando que apenas declarar preocupação com a segurança não é suficiente para criá-la. Jitender Bhargava, ex-diretor executivo da Air India, também expressou dúvidas sobre a supervisão da liderança em relação ao relato de drogas, acreditando que a comunidade de pilotos teria descoberto o uso de substâncias pelo colega.

Os problemas de segurança se agravam em meio à crescente pressão financeira. As transportadoras indianas enfrentaram o fechamento do espaço aéreo do Paquistão após a escalada de tensões entre Nova Delhi e Islamabad no ano passado, o que forçou o uso de rotas mais longas e caras. O aumento dos preços do combustível de aviação, ligado à guerra no Oriente Médio, agravou esse fardo. A agência de classificação de risco ICRA prevê que as companhias aéreas indianas perderão quase 4 bilhões de dólares no ano fiscal atual. Enquanto isso, os prejuízos da Air India dobraram no último ano fiscal para 2,3 bilhões de dólares, e a IndiGo relatou prejuízos por dois trimestres consecutivos.

As dificuldades financeiras também afetam os planos de expansão: a IndiGo suspendeu operações de fuselagem larga no mês passado, e a Air India estaria considerando atrasar entregas de até 500 aeronaves. Esses problemas marcam um ponto de viragem para um setor que era frequentemente considerado uma das maiores histórias de sucesso da Índia.

No ano passado, as companhias aéreas indianas transportaram cerca de 167 milhões de passageiros, mais do dobro do número de uma década atrás. Mais de 70 aeroportos foram adicionados na última década, e as transportadoras encomendaram cerca de 1500 aeronaves. Harsh Vardhan, presidente da Starair Consulting, acredita que o problema não é a falta de crescimento, mas sim que outras partes do ecossistema não conseguiram gerenciar adequadamente esse crescimento.

Essas preocupações surgiram no ano passado, quando a IndiGo cancelou um grande número de voos devido à falta de preparação para novas regras de fadiga de pilotos. Especialistas do setor observaram que a suspensão temporária de algumas novas regras de descanso reflete uma falha regulatória mais ampla. Lumba, ex-chefe de operações, declarou que a DGCA funciona mais como facilitadora do que como reguladora. O domínio da Air India e da IndiGo complica ainda mais a tarefa do regulador, pois sete grandes companhias aéreas faliram ou foram vendidas nas últimas duas décadas, dificultando a punição dos dois gigantes restantes.

Martin acrescentou que o duopólio só funciona sob condições de maturidade, responsabilidade e maturidade dos operadores, enquanto na Índia isso se assemelha mais a um 'grupo de gangues territoriais'. No ano passado, o governo declarou a necessidade de 'cinco grandes companhias aéreas', e os reguladores desde então aprovaram planos para duas novas transportadoras. O governo também está estudando uma proposta para flexibilizar as regras que proíbem que operadores de aeroportos possuam companhias aéreas, o que potencialmente pode abrir portas para conglomerados como o Adani Group. No entanto, Vardhan enfatizou que atrair investidores por si só não resolverá os problemas do setor, pois a estrutura de custos sempre foi extremamente desfavorável, sendo essa uma das principais razões pelas quais novos operadores não conseguiram romper. Ele concluiu que a contradição reside no cerne das ambições aéreas da Índia: 'Por um lado, eles chamam isso de setor de luz solar. Por outro lado, todos tentam aproveitar o sucesso do setor às custas da lucratividade.'

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