Um grupo da sociedade civil e de organizações de direitos humanos expressou sua condenação pela morte de Chongtam Vikram, professor e cantor de Manipur, que, segundo relatos, foi morto por uma multidão em Delhi na segunda-feira. Esses grupos exigiram uma investigação minuciosa sobre um possível motivo racial por trás do ataque.
A declaração conjunta foi preparada após uma reunião de representantes da Manipur Students’ Association Delhi (MSAD), Manipur International Youth Centre (MIYC), People’s Progressive Alliance Manipur (PPAM), Karwan-e-Mohabbat (KeM), North East India Support Centre and Helpline (NEISCH) e Human Rights Alert (HRA). A reunião ocorreu em 8 de setembro no Centro de Estudos de Justiça em Sarvodaya Enclave, Nova Delhi.
As organizações enfatizaram que o assassinato de Vikram não deve ser considerado um incidente criminal isolado. Elas insistiram que seu caso deve ser examinado no contexto mais amplo do preconceito racial e da violência enfrentados pelos moradores do Nordeste da Índia.
O comunicado informa que um Boletim de Ocorrência (FIR) sob o número 0296 foi registrado na delegacia de Sunlight Colony, de acordo com os artigos 103(2) e 3(5) do Bharatiya Nyaya Sanhita, 2023. O Artigo 103(2) trata de homicídio cometido por um grupo de cinco ou mais pessoas conjuntamente, motivado por raça, casta, comunidade, gênero, local de nascimento, idioma ou crenças pessoais. O Artigo 3(5) prevê responsabilidade solidária se várias pessoas cometerem um crime dentro de um objetivo comum.
As organizações observaram que a investigação policial atual parece insuficiente para resolver o problema que elas descrevem como um padrão mais amplo de crimes raciais contra os moradores do Nordeste da Índia. Elas também chamaram a atenção para as recomendações do Comitê MP Bezarua, criado pelo Ministério do Interior da União, que apresentou seu relatório em 2014. Este comitê recomendou medidas para combater a discriminação, a violência e as vulnerabilidades enfrentadas pelas pessoas do Nordeste da Índia.
Os grupos afirmaram que a maioria dessas recomendações, incluindo a proposta de criminalização especial de atos raciais, permanece sem implementação. Além disso, apontaram a ausência de uma base legal abrangente que regulamente especificamente a discriminação racial. O comunicado observa que o Artigo 15 da Constituição proíbe a discriminação por vários motivos, mas não lista explicitamente cor de pele, origem, nacionalidade ou etnia.
As organizações também citaram as recomendações emitidas pelo Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) em 25 de agosto de 2026. Elas pediram enfaticamente ao Centro que adote legislação antidiscriminação abrangente com uma definição clara de discriminação racial, cobrindo formas diretas e interseccionais de discriminação no setor público e privado.
Os grupos exigiram uma investigação imparcial e transparente da morte de Vikram, incluindo a análise de qualquer motivo racial com base em evidências. Eles também pediram a identificação e o processamento de todos os culpados, incluindo aqueles que possam ter participado, facilitado ou encorajado o ataque. As organizações solicitaram urgentemente às autoridades que o caso não seja investigado apenas como uma infração criminal comum, ignorando seus supostos aspectos raciais.
Além disso, eles exigiram medidas imediatas para prevenir mais violência racial contra os moradores do Nordeste da Índia, bem como mecanismos institucionais para combater a discriminação racial e a violência de ódio. Os grupos pediram apoio, proteção e compensação à família de Vikram, bem como a garantia de proteção à família contra intimidação, perseguição ou vitimização adicional.
O comunicado afirmou: «Justiça para Chongtam Vikram não é apenas uma exigência de responsabilização por um único assassinato. É uma exigência de dignidade, igualdade, segurança e direito fundamental de viver livre de violência racial para todos os moradores do Nordeste da Índia».
A reunião terminou com um minuto de silêncio em memória de Vikram e em solidariedade com sua família enlutada.
