Nova companhia nacional de resseguro do Uzbequistão conclui seu primeiro ano de operação com resultados positivos
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Nova companhia nacional de resseguro do Uzbequistão conclui seu primeiro ano de operação com resultados positivos

Há pouco mais de um ano, o Uzbequistão iniciou a resolução de um antigo problema em seu sistema financeiro: a ausência de uma instituição nacional especializada capaz de auxiliar as seguradoras a gerenciar riscos grandes e complexos. Essa situação mudou após a assinatura do Decreto Presidencial nº PP-191 em 23 de maio de 2025, que previa a criação da JSC 'Companhia de Resseguro do Uzbequistão' – a primeira organização nacional de resseguro do país. Após um ano, os resultados merecem estudo atento, pois falam não apenas sobre a própria companhia, mas também sobre a direção do desenvolvimento do mercado de seguros do Uzbequistão.

Significado do Resseguro

Em essência, o resseguro é o seguro para seguradoras. Quando uma companhia assume uma apólice com risco grande ou incomumente alto – por exemplo, um grande objeto industrial, uma ponte ou um parque de aviação – ela geralmente não deseja assumir todo o risco sozinha. Parte desse risco é transferida ao ressegurador, o que libera capital e protege a companhia contra perdas potencialmente graves. Em nível global, este mecanismo, muitas vezes subestimado, sustenta a estabilidade dos mercados de seguros, promove a diversificação internacional de riscos e garante o potencial financeiro necessário para a implementação de grandes projetos de investimento.

Países que desenvolvem um forte potencial interno de resseguro obtêm várias vantagens: redução da dependência dos mercados internacionais de resseguro, aumento da resiliência do setor de seguros e maior capacidade de suportar riscos internos significativos. Pesquisadores do setor defenderam essa posição por décadas. Cientistas como Emmett J. Vaughan e Theresa M. Vaughan descreveram o resseguro como uma ferramenta importante de gestão de riscos financeiros, especialmente porque reduz a pressão sobre o capital próprio da seguradora. Outros, incluindo George E. Reid e Michael McNamara, enfatizaram o papel mais amplo do resseguro na absorção de grandes perdas, no apoio à concorrência nos mercados de seguros e na capacidade das seguradoras de introduzir novos produtos sem reter todos os riscos em seus balanços.

David Cummins, cujas pesquisas são frequentemente citadas nesta área, estudou a relação entre os mercados de resseguro e a estabilidade financeira geral. As companhias de resseguro desempenham um papel importante na gestão de riscos catastróficos, e sua eficácia depende cada vez mais da capacidade de utilizar tecnologias e dados de forma eficiente. Esta ligação entre digitalização e desempenho do resseguro é refletida em pesquisas setoriais recentes. Os relatórios anuais do Swiss Re Institute Sigma destacam a inteligência artificial, os big data e outras novas tecnologias como forças que transformam a avaliação de riscos e a cadeia de valor no seguro, enquanto os crescentes riscos catastróficos impõem exigências elevadas ao modelamento de riscos e ao capital. Os relatórios da Munich Re acentuam de forma semelhante a crescente importância da avaliação de riscos climáticos e dos princípios ESG na indústria de seguros e resseguros.

Organizações internacionais chegaram a conclusões semelhantes do ponto de vista político. A Associação Internacional de Supervisores de Seguradoras (International Association of Insurance Supervisors) enfatiza a importância da avaliação eficaz de riscos, transparência e mecanismos confiáveis de transferência de riscos em mercados de seguros bem funcionais. A OCDE também reconhece os seguros e o resseguro como mecanismos importantes para diversificação de riscos e distribuição eficiente de capital entre mercados. Estudos sobre o desenvolvimento do setor financeiro também destacaram a importância de fortalecer as instituições financeiras internas e a capacidade de assumir riscos em mercados emergentes.

Essa experiência internacional mais ampla fornece um contexto importante para as reformas no Uzbequistão. A criação de uma instituição nacional de resseguro, de acordo com o Decreto Presidencial nº PP-191, reflete o objetivo do governo de fortalecer a capacidade interna de assumir riscos, apoiar o desenvolvimento do mercado de seguros e criar uma ligação mais forte entre a economia crescente do Uzbequistão e os mercados internacionais de resseguro.

O que mudou no primeiro ano

A mudança mais notável foi a digitalização. Antes da reforma, os processos de resseguro no Uzbequistão eram em grande parte fragmentados e exigiam uma grande quantidade de documentação em papel, sendo que os contratos eram celebrados e assinados através de vários canais manuais, e não existia uma plataforma centralizada única para gerenciar propostas e dados relacionados. A organização nacional de resseguro ajudou a mover o mercado em direção a uma abordagem eletrônica unificada.

As diferenças se manifestam em todos os aspectos: o processamento de documentos passou de procedimentos em papel para um sistema totalmente eletrônico; propostas e pedidos agora podem ser enviados e analisados online em vez de serem processados exclusivamente manualmente; os dados são armazenados em um banco de dados centralizado em vez de estarem espalhados por registros individuais; a relatoria está se tornando cada vez mais automatizada, em vez de ser feita manualmente. De acordo com a avaliação interna da empresa, a transparência melhorou de 'moderada' para 'alta'.

A plataforma faz mais do que apenas acelerar o processamento de papéis. Ao trazer propostas de resseguro para um ambiente eletrônico comum, ela cria um processo mais consistente para os participantes do mercado e fortalece a rastreabilidade de decisões e transações. Isso pode ajudar a reduzir as oportunidades de influência informal, bem como aumentar a responsabilidade e a transparência. Além disso, isso reduz a probabilidade de erros humanos rotineiros: menos números são inseridos manualmente, menos documentos são movidos entre departamentos, e reguladores e auditores podem seguir um rastro de auditoria mais claro.

Para um mercado que anteriormente operava sem uma estrutura digital centralizada, isso é mais do que uma atualização cosmética. Tem o potencial de mudar a velocidade com que as seguradoras locais podem colocar riscos grandes, quão eficientemente os resseguradores internacionais podem avaliar as oportunidades apresentadas a eles e quão eficientemente os reguladores podem monitorar os riscos agregados do mercado e identificar ameaças emergentes.

Estabelecimento de laços internacionais

O ressegurador nacional só é eficaz se puder fornecer oportunidades para riscos grandes e complexos, o que exige relações sólidas com os mercados internacionais. Durante o primeiro ano, a empresa estabeleceu parcerias com resseguradoras na Europa e Ásia, bem como com seguradoras nos países da CEI. Também estabeleceu colaborações com corretores internacionais de resseguro, promovendo a expansão do acesso aos mercados mundiais, o fortalecimento das práticas de subscrição e a oferta de oportunidades de treinamento e intercâmbio de conhecimento para especialistas uzbeques. Durante o ano, foram organizados vários seminários internacionais e iniciativas de treinamento para fortalecer a experiência interna – um reconhecimento de que apenas a tecnologia não é suficiente para garantir a competitividade do mercado de resseguro; profissionais qualificados são igualmente importantes.

De acordo com os dados da empresa, o resultado alcançado é perceptível: capacidade aumentada de colocar riscos grandes em nível internacional, capacidades reforçadas de transferência de riscos para o mercado de seguros interno e redução da dependência dos mercados internacionais, onde agora pode se desenvolver a capacidade interna. A empresa também começou a criar condições para que uma grande parte do negócio de resseguro permaneça dentro do país, dando aos seguradores locais mais espaço para assumir riscos maiores e mais complexos com o apoio da instituição nacional de resseguro especializada.

Visão honesta dos pontos fortes e lacunas

A empresa não apresenta seu primeiro ano como um caminho impecável. Uma avaliação estilo SWOT destaca tanto o progresso alcançado quanto os problemas remanescentes. Entre os pontos positivos estão o forte apoio governamental, os processos totalmente digitalizados, a plataforma unificada em funcionamento e a criação de uma instituição nacional de resseguro especializada. Por outro lado, a empresa ainda não possui um rating de sustentabilidade financeira internacional, há escassez de especialistas com experiência profissional em resseguro, a base científico-analítica interna permanece limitada e, como a capacidade das seguradoras locais de reter riscos depende de restrições regulatórias, alguns dos riscos mais grandes e complexos ainda precisam ser colocados em mercados internacionais.

A visão de futuro abre oportunidades significativas. O Uzbequistão pode se posicionar como um hub de resseguro para a Ásia Central, buscar um rating internacional de sustentabilidade financeira, expandir o uso de princípios ESG e tecnologias digitais, e aplicar ferramentas de IA e big data para fortalecer a subscrição e a avaliação de riscos. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta riscos comuns à indústria global de resseguro – desastres naturais, abalos econômicos globais, volatilidade cambial e aumento da concorrência por parte de atores internacionais estabelecidos, que possuem décadas de capital acumulado, experiência técnica e histórico de agências de classificação. Essas oportunidades naturalmente exigem tempo para que a nova organização seja construída.

Números em seis meses

Os relatórios financeiros do primeiro semestre de 2026 fornecem uma visão inicial da situação atual da empresa.

Ativos Totais

Alcançaram 131,6 bilhões de som com passivos totais no mesmo valor – uma posição equilibrada, construída sobre um capital autorizado de 80 bilhões de som e investimentos de longo prazo de 88,7 bilhões de som. Os ativos correntes totalizaram 42,3 bilhões de som. O patrimônio líquido atingiu 87,5 bilhões de som, sendo que o lucro retido foi de 7,4 bilhões de som – um começo sólido para uma empresa em seu primeiro ano operacional. Do lado dos passivos, as reservas de seguro totalizaram 12,9 bilhões de som, dos quais 8,1 bilhões de som foram transferidos a resseguradores, deixando reservas de seguro líquidas de 4,7 bilhões de som. Os passivos correntes totalizaram 39,4 bilhões de som.

No geral, esses números indicam que a empresa entrou em seu primeiro ano completo de operação com capital real, e não apenas com obrigações no papel. O fato de a participação dos resseguradores nas reservas totais já exceder 8 bilhões de som em apenas dois trimestres demonstra que a empresa está ativamente colocando riscos em nível internacional, e não apenas acumulando capital enquanto encontra seu lugar.

Próximos passos

A agenda da empresa para os próximos anos concentra-se em transformar o promissor primeiro ano em uma infraestrutura de mercado sustentável. No topo da lista está a obtenção de um rating internacional de sustentabilidade financeira, o que aumentará a confiança na organização por parte de parceiros internos e internacionais e fortalecerá sua posição ao trabalhar com resseguradores globais. Paralelamente, a empresa planeja implementar gradualmente inteligência artificial, big data e aprendizado de máquina em suas operações de resseguro, além de estudar novas ferramentas de transferência de riscos, incluindo títulos de catástrofe, para financiar a proteção contra desastres naturais em larga escala. Tais ferramentas estão se tornando cada vez mais relevantes em mercados sujeitos a terremotos, inundações e outros eventos extremos.

As ambições também vão além do mercado interno. A empresa busca fortalecer a cooperação de resseguro com os países da Ásia Central e posicionar o Uzbequistão como um centro regional de resseguro. Alcançar esse objetivo exigirá investimentos em pessoas na mesma medida que em tecnologia – incluindo um fluxo mais forte de especialistas com qualificações internacionalmente reconhecidas e, possivelmente, uma academia de subscrição especializada ou um centro de treinamento profissional para desenvolver a experiência internamente, em vez de depender predominantemente do treinamento no exterior. Outra prioridade é o desenvolvimento de um banco de dados unificado de análise digital com capacidades de monitoramento em tempo real. Tal sistema permitirá que a empresa e os reguladores acompanhem de forma mais eficaz os riscos agregados do mercado e identifiquem concentrações de riscos emergentes em estágios mais precoces, em vez de depender principalmente da análise retrospectiva. Simultaneamente, a empresa pretende integrar mais profundamente os princípios ESG em suas atividades e no desenvolvimento mais amplo do mercado de resseguro. Isso está se tornando cada vez mais uma questão de conformidade: as práticas ESG podem influenciar a forma como os resseguradores internacionais avaliam contrapartes, gerenciam riscos e estruturam transações.

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