Moradores da Cidade do Cabo e grupos civis afirmam que o aumento do custo imobiliário, das taxas municipais e dos custos de habitação está a deteriorar a acessibilidade à vida. Uma organização cívica alertou que os contribuintes na Cidade do Cabo podem enfrentar um aumento médio de cerca de 10% por ano devido aos crescentes gastos da Câmara Municipal, o que aumenta o fardo das famílias.
Este aviso surgiu enquanto os moradores enfrentam o aumento das avaliações imobiliárias. A cidade tem se gabado há muito tempo de ser a primeira no ranking de prestação de serviços entre os municípios urbanos, de acordo com o Índice de Desempenho de Governança de 2024 da Good Governance Africa. Embora o município insista que tem o conjunto de despesas municipais mais baixo entre as grandes metrópoles sul-africanas, organizações civis alertam que o rápido aumento do custo imobiliário e o aumento das tarifas criam um fardo financeiro insustentável para os agregados familiares.
O aumento médio supera significativamente a média municipal
Bas Zuidenberg, presidente da Associação de Contribuintes da Cidade do Cabo (CTCRA), afirmou que a crise de acessibilidade dos pagamentos está a aproximar-se rapidamente. Ele observou que a situação é agravada pelos resultados do Registo Municipal de Avaliação, que causam séria preocupação em áreas onde o aumento médio excede significativamente a média municipal.
Segundo ele, dados não oficiais indicam que, após a entrada em vigor das taxas para o novo ano fiscal, em 1 de julho, muitos moradores não conseguem pagar as contas de imposto predial devido ao aumento das avaliações dos imóveis. Zuidenberg também expressou a opinião de que a cidade não está a dar atenção suficiente à questão da acessibilidade.
Ele cita o facto de que os gastos totais planeiam aumentar em 20% nos próximos três anos, sendo que a percentagem financiada pelos contribuintes também aumentará de 68% para 72%. Como espera-se que o número de agregados familiares aumente em não mais de 5%, isto significa efetivamente que os contribuintes devem esperar um aumento médio de cerca de 10% por ano, sem contar o efeito de mais uma ronda de avaliação prevista para 2029. Zuidenberg concluiu que o mecanismo pelo qual a cidade avança no planeamento de despesas e depois procura formas de cobrir esses custos — cada vez mais através dos contribuintes — é insustentável.
A Associação e a AfriForum apresentaram recentemente um processo contra a cidade para contestar o uso do valor imobiliário para determinar as taxas municipais fixas por serviços. Em abril, o Tribunal Superior do Cabo Ocidental decidiu que as taxas fixas da cidade para 2025/26 de água, saneamento e limpeza urbana são ilegais e nulas, pois considerou inconstitucional vincular as tarifas ao valor do imóvel, em vez do consumo real.
Zuidenberg acrescentou que gostaria de ver a cidade a fazer muito mais esforços visíveis para reduzir os seus custos e transferir o fardo dos contribuintes. Só assim Cidade do Cabo poderá tornar-se verdadeiramente uma 'cidade para todos'.
O fardo sobre os agregados familiares de classe média
Confirmando estas preocupações, Donald Lewis, residente de Ersten River e proprietário do seu imóvel há 10 anos, relatou que o aumento dos impostos está a criar uma pressão crescente sobre os agregados familiares. Ele salientou que o problema afeta não apenas ele, mas também os pobres e a classe média, influenciando o custo de vida e o planeamento orçamental. Lewis afirmou que os seus impostos e taxas aumentaram tanto que representam quase 50% do pagamento da hipoteca, e ele acredita que a cidade está a contribuir para a pobreza e a criar uma situação em que os agregados familiares não podem pagar os impostos e taxas.
Siseko Mbandezi, membro do Comité Municipal (Mayco) de Finanças, defendeu a estrutura tarifária da Cidade do Cabo, afirmando que ela oferece 'a maior redução de tarifas e os maiores benefícios para reformados e pessoas de baixos rendimentos' entre as cinco maiores metrópoles do país. Ele especificou que os agregados familiares de baixos rendimentos podem ter direito a um desconto de 100% nos impostos, bem como água e saneamento básicos gratuitos, enquanto os reformados que recebem até 27.000 randes por mês podem obter descontos de até 100% nos impostos e benefícios de eletricidade. Mbandezi também observou que a conta municipal total da cidade era a mais baixa quando comparada com diferentes valores de propriedade, considerando as taxas de impostos, água, eletricidade e recolha de lixo. Com base em suas próprias comparações, a cidade afirmou que os agregados familiares podem poupar entre 264 e 903 randes por mês numa casa de 800.000 randes e até 9.657 randes por mês num imóvel de 15 milhões de randes. Ele concluiu o argumento afirmando que Cidade do Cabo oferece os impostos prediais mais baixos com uma fórmula de cálculo muito mais baixa (taxa por rand) em comparação com outras cidades, o que significa que, mesmo com um custo imobiliário mais alto na Cidade do Cabo, os residentes provavelmente pagarão menos vivendo numa cidade funcional.

