Modum Atelier e SANGO expandem escritório, integrando renovação urbana incremental
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Modum Atelier e SANGO expandem escritório, integrando renovação urbana incremental

Em 2024, o Modum Atelier realizou uma mudança de escritório para o Guochuang Park. Devido ao crescimento da empresa previsto para 2026, tornou-se necessário mais espaço, levando a decisão de ocupar o vão adjacente. Utilizando sua própria sede como local de testes, a equipe experimentou um processo completo de renovação urbana, adotando uma metodologia de transformação incremental e não planejada. A abordagem buscou compreender o espaço sob as óticas tanto de quem projeta quanto de quem o utiliza, focando em aspectos como continuidade, legibilidade e o ambiente já existente.

O projeto inicial do Escritório 1.0 foi inspirado pela arquitetura veneziana e pelos jardins orientais. Mantendo essa linha de raciocínio, a equipe revisitou Veneza e se inspirou no edifício INAIL, projetado pelo arquiteto italiano Giuseppe Samonà. A fachada deste prédio de dois andares é estruturada por pilastras de tamanhos variados: as mais largas atuam como suporte estrutural, enquanto as mais finas compõem a 'pele' do edifício. Por meio de contrastes em luz, sombra e cor, a fachada evoca de maneira abstrata a tradição arquitetônica veneziana. A justaposição dessas duas camadas gera um efeito visual vibrante e cintilante, uma ambiguidade luminosa que o projeto também almejou.

Para a fachada da nova sala de reuniões, optou-se por um material com características industriais similares, mas com textura distinta: painéis translúcidos de policarbonato. A escolha foi feita para evitar que a fachada ficasse excessivamente pesada e robusta, como ocorreria com o alumínio cinza-prateado, conferindo, em vez disso, uma sensação de fluidez.

A cobertura serve para unir os volumes antigos e novos. Ela foi intencionalmente estendida para tornar visível a diferença temporal entre as duas intervenções, em vez de tentar escondê-la. A nova cobertura emprega painéis de policarbonato corrugado, cuja transparência difere dos painéis de alumínio corrugado pré-existentes, embora mantenha a lógica formal do original, resultando em uma relação de distinção e continuidade.

Para amolecer a passagem entre os materiais, foi adicionada uma cortina metálica deslizante à fachada, funcionando como um véu sutil sobre a união dos componentes. A combinação de painéis de alumínio, tijolo aparente e policarbonato estabelece uma transição material mais suave e ambígua. Assim, o objetivo foi honrar e expor com transparência os vestígios de cada período, consolidando todos os elementos em um conjunto coeso.

O edifício onde o estúdio estava localizado era originalmente parte da Jiangnan General Mint of Casting Silver, um conjunto de estruturas térreas construídas em tijolo e concreto com vãos modulares. A nova expansão acomoda três funções: recepção, reunião e exposição. Devido às normas de preservação do patrimônio e à estrutura existente, o layout não pôde sofrer grandes alterações, devendo preservar sua configuração espacial original. Contudo, era importante que a ampliação não atrapalhasse o funcionamento diário do escritório. Essas limitações impulsionaram uma estratégia de 'microintervenção' e a adoção do arquétipo espacial conhecido como capela lateral.

Nas igrejas italianas, as capelas laterais são espaços de oração independentes ao longo das naves principais, frequentemente delimitados ou fechados para devoção particular. Elas eram tipicamente solicitadas por famílias ou indivíduos para a veneração de santos específicos, podendo ser ampliadas por famílias mais ricas até atingirem a escala de capelas completas. A inclusão de capelas laterais é um recurso comum na arquitetura religiosa, presente em mosteiros, edifícios memoriais e arquitetura funerária. Essencialmente, a capela lateral gera um forte sentimento de pertencimento em um espaço muito restrito. Inspirados nesse modelo, buscou-se traduzir sua lógica espacial para o novo ambiente de trabalho.

A parede lateral do escritório existente foi redesenhada, incorporando a porta de acesso ao novo espaço no painel da parede. Degraus feitos de pedra bruta dispostos em frente à porta sinalizam discretamente a entrada, ecoando o acesso reservado de uma capela lateral. Para gerenciar a largura reduzida e a altura elevada do novo espaço, foi implementada uma estrutura de forro secundária: o tecido é fixado em três pontos nas paredes e no teto, criando uma cobertura de duas águas acentuada que remete ao caimento de um tecido drapeado. A iluminação embutida faz com que o teto pareça estar suspenso. É relevante notar que este teto inclinado não segue o padrão de forros tradicionais de capelas laterais, que geralmente possuem tetos planos em caixotões; ele se inspira, sim, na forma de telhado de duas águas comum em capelas rurais, sendo, portanto, uma transferência formal.

As paredes internas foram revestidas com painéis pintados com tinta automotiva em tom marrom-avermelhado, mantendo uma altura de 2,3 metros para estabelecer a escala humana. O uso contínuo desse material proporciona uma superfície de parede uniforme e limpa, reforçando a sensação de aconchego. Outros materiais utilizados incluem piso de madeira de demolição e esquadrias em aço corten. Apesar de manterem as texturas individuais distintas, os materiais foram escolhidos para que suas cores se encaixassem em uma paleta próxima, combinando tons de marrom-avermelhado, vermelho tijolo e madeira de cerejeira para formar uma composição visual harmoniosa.

Uma transformação incremental e não planejada assemelha-se a uma performance improvisada sem roteiro, repleta de incertezas. No entanto, é justamente essa natureza que pode torná-la notavelmente interessante. Durante a construção da expansão do escritório, surgiu a chance de estender o projeto para o vão vizinho. O módulo final da sequência, adjacente ao novo espaço do escritório, mudou de locatário, e o proprietário contratou a equipe para projetar uma gelateria italiana. Isso proporcionou a oportunidade de criar uma fachada contínua, seguindo a lógica do restauro arquitetônico e mantendo uma relação clara entre o antigo e o novo.

O hall de entrada foi concebido como um 'elemento metálico' com uma cobertura curva. O movimento ascendente dessa cobertura dialoga com a relação com o escritório, estabelecendo um equilíbrio dinâmico ao longo da fachada. O componente do hall gira em direção à direita, voltando-se para a pequena praça no terreno vazio. A loja vende primariamente sorvete artesanal de frutas, e o proprietário, que é designer gráfico, idealizou o conceito de uma 'piscina de frutas' contínua. Essa ideia foi adaptada para uma forma que lembra uma pia batismal, tradicionalmente encontrada em entradas de igrejas, o que acabou espelhando a experiência de entrada da capela lateral, transferindo sutilmente o ritual de 'purificação antes de entrar' para um contexto comercial cotidiano.

Conclusão

A renovação apresenta-se como um processo complexo, imprevisível e cheio de potencialidades. Diante de múltiplos caminhos possíveis, a equipe selecionou um e integrou todas as 'interfaces'. Foi possível responder aos vestígios de diferentes épocas com honestidade e flexibilidade, culminando em um estado de equilíbrio dinâmico.

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