Existe uma nova abordagem que permite determinar a autenticidade de peças de cerâmica através da análise do campo magnético da Terra. Descobertas como as na ilha de Marajo, onde cerâmicas com até 1600 anos são encontradas ao longo dos séculos, muitas vezes não apresentam sinais claros de autoria ou assinatura.
Existem métodos de datação de artefatos, incluindo a análise de carbono-14, aplicável a materiais orgânicos, mas ele é eficaz apenas para objetos muito antigos, com mais de 50 mil anos, enquanto a maioria dos artefatos humanos é mais recente.
Um novo método foi desenvolvido para avaliar a idade da cerâmica e foi apresentado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. Ele se baseia em uma propriedade incomum da composição da cerâmica: a orientação das partículas magnéticas.
A cerâmica é feita de argila que contém minerais ferromagnéticos finamente dispersos. Durante a queima, esses minerais se orientam na direção do campo magnético norte da Terra, atuando como bússolas microscópicas. Este sinal é preservado após o resfriamento e é chamado de magnetização remanente térmica (TRM).
Como a posição do polo magnético da Terra muda constantemente devido ao movimento de ferro e cobre fundidos no núcleo do planeta, o TRM de um objeto antigo aponta em uma direção ligeiramente diferente da cerâmica fabricada hoje.
Além disso, com o tempo, a cerâmica é exposta ao campo geomagnético em outra direção. Ao longo de séculos, alguns minerais da argila adquirem um segundo sinal mais fraco, chamado magnetização remanente viscosa (VRM). Embora este fenômeno seja estudado há mais de um século, seu sinal foi tradicionalmente ignorado como ruído que atrapalhava a compreensão do TRM.
No âmbito de uma nova pesquisa, foram analisadas 45 amostras de cerâmica: 19 fragmentos e peças antigas escavadas, 6 vasos de argila modernos cozidos em fornos tradicionais, 16 moldes de selos de argila cozidos em fornos modernos e 4 vasos de souvenirs.
Ao serem reaquecidas, as amostras perdem gradualmente seus sinais. Os pesquisadores aqueceram sistematicamente essas amostras para determinar a temperatura na qual os sinais VRM desaparecem, deixando apenas o TRM. Eles descobriram que qualquer amostra com mais de mil anos requer aquecimento de pelo menos 112 ºC para apagar o VRM, ou seja, o rastro magnético mais recente. Amostras mais novas podem ter VRM que desaparecem em temperaturas mais baixas. Por enquanto, este método não é usado para datações precisas, mas sim para determinar se o artefato é antigo ou moderno.
A equipe já aplicou seu novo método em três 'artefatos de autenticidade duvidosa' apreendidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel e determinou que todos foram realmente cozidos na antiguidade. Isso demonstra outra aplicação do método: a detecção e identificação de artefatos autênticos que foram ilegalmente exportados e vendidos.
Yoav Vaknin, coautor da pesquisa, destacou a dificuldade de provar a autenticidade de um artefato contrabandeado, visto que os métodos científicos de análise são de acesso público. Ele declarou à Haaretz: «Há um problema na área de autenticação: por um lado, os cientistas publicam suas descobertas, e por outro, os falsificadores agem secretamente. Portanto, é difícil para nós superar os falsificadores, pois eles podem ler nossos artigos e encontrar maneiras de contornar nossos métodos».
Em sua declaração, Vaknin expressou esperança de que o novo método seja útil para curadores de museus que desejam exibir apenas artefatos autênticos; arqueólogos e historiadores que estudam as sociedades que os criaram; bem como para as autoridades policiais em seus esforços para erradicar o comércio ilegal de antiguidades relacionado ao saque de sítios arqueológicos e falsificações.
