As primeiras intervenções cirúrgicas robóticas nos rins foram realizadas em Angola. O primeiro paciente foi Pinto Cafumana, de 52 anos. A cirurgia foi conduzida no Hospital Complexo Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP) em Luanda, após ele sofrer de problemas renais por dois anos.
Após a cirurgia, Pinto Cafumana relatou ter hematúria, ou seja, sangue na urina, e após consulta, foi diagnosticado com um tumor renal. Ele mencionou que procurou tratamento no vizinho Namíbia, mas devido aos altos custos teve que retornar ao seu país, pelo que agradeceu ao chefe de Estado de Angola pelos investimentos nesta infraestrutura.
A equipe médica é liderada pelo urologista e cirurgião robótico brasileiro Ozéas Neves. Ele enfatizou as vantagens desses procedimentos, incluindo menor sangramento e dor, bem como um retorno mais rápido do paciente às atividades normais. Neves informou que a primeira cirurgia ocorreu sem complicações, houve pouco tempo e tudo correu conforme o planejado; o paciente está em boas condições e demonstra uma dinâmica positiva.
Durante sua terceira visita a Angola, o médico classificou a cirurgia robótica em Angola como um «marco muito importante», pois é um método cirúrgico rápido que agora é realizado por uma equipe local. Ozéas Neves esclareceu que as principais causas das cirurgias renais são câncer, perda da função renal, cálculos renais, infecções e grandes cistos renais. No âmbito da campanha atual, estão planejadas cirurgias em cistos maiores de 10 e 15 centímetros.
Filiaciano Direito, urologista com 14 anos de experiência, observou que atualmente 15 cirurgiões robóticos estão em treinamento nas especialidades de cirurgia geral, ginecologia e urologia. Ele salientou que este é um processo gradual de inovação e, embora as cirurgias já estejam sendo realizadas, elas são conduzidas sob a supervisão da equipe do Dr. Ozéas. Direito também expressou preocupação com as doenças renais em Angola, mencionando que patologias como tumores, cistos e cálculos renais podem afetar gravemente os rins.
O médico local pediu aos pacientes que confiem na equipe angolana, visto que a cirurgia robótica se tornou realidade no país. Ele destacou que antes era necessário viajar e incorrer em custos significativos para obter tal procedimento, mas agora o Governo e o Ministério da Saúde tornaram o sistema cirúrgico funcional. Polineu Paxi, urologista, acrescentou que outras campanhas foram realizadas e que «as equipes angolanas estão adquirindo independência». Ele citou os procedimentos recentes em ginecologia e urologia, que são realizados principalmente por equipes nacionais.
Esta campanha é a oitava campanha de cirurgia robótica, que já conta com 145 procedimentos e 15 cirurgiões angolanos treinados. O programa começou em agosto de 2024. O Ministério da Saúde observa que esta iniciativa está alinhada com a estratégia de modernização da saúde, implementação de tecnologias avançadas e fortalecimento gradual da qualificação dos especialistas angolanos.
